Esta dissertação desvenda as tramas entre territorialidade, patrimônio cultural e memória coletiva na Vila da Manga, povoado ribeirinho transfronteiriço entre Piauí e Maranhão, banhado pelo rio Parnaíba, epicentro de dinâmicas coloniais e pastoris que forjaram na travessia do rio um entreposto comercial no sul-piauiense. Adota-se triangulação qualitativa – análise bardiniana de conteúdos orais, inventários fotográficos de currais, fazendas e rodas dialógicas comunitárias – para mapear apropriações espaciais fenomenológicas, onde o rio transcende barreiras jurídicas, emergindo como artéria mnemônica que unifica identidades subalternas em paisagens afetivas. Os objetivos centrais abrangem mapear bens patrimoniais (materiais/imateriais), decifrar apropriações espaciais ao longo do tempo e revelar como memórias coletivas forjam identidades em contextos de fluxo ribeirinho. A categorização temática – territorialidade/paisagem, patrimônio afetivo, memória/tradições – emerge de Bardin (2011), cruzando oralidade com visualidade para desvelar o Parnaíba como eixo mnemônico e o curral como metonímia do poder aristocrático. A categorização temática – paisagem hibridizada, patrimônio material, tradições identitárias – cruza oralidade com visualidade, expondo o Parnaíba como pivô existencial que dissolve dicotomias estado-comunidade. Achados configuram a Vila como palimpsesto ribeirinho: travessias diárias e narrativas ancestrais erigem territorialidades vivas, contrapondo cartografias oficiais com cartografias afetivas em contextos epistemológicos invisibilizados. Conclui-se pela urgência de políticas patrimoniais empoderadoras, que elevem vozes locais a guardiãs de legados materiais, fomentando identidades transfronteiriças resilientes.