Este resumo tem como objeto de estudo o Liceu Piauiense, tradicional colégio público do Estado do Piauí, analisado a partir da sua materialidade. O Liceu foi a primeira escola pública de ensino secundário do Piauí, criado em 1845 em Oeiras e transferido para Teresina em 1854. Após várias mudanças de sede, possui, desde 1925, um edifício próprio, onde permanece até hoje. Inspirada pela arqueologia do contemporâneo e estudos sobre a Infância, a pesquisa analisa a arquitetura, as manifestações nas paredes e os uniformes como formas de manifestações materiais dos processos de ensino-aprendizagem nesse local. A análise da arquitetura está baseado em Zarankin (2001), Moreira (2015, 2021) e Lemos (2019), as manifestações nas paredes da escola são discutidas à luz de Isnardis (1997), Souza (2013) e Aquino (2017), e as vestimentas a partir de Salerno (2006; 2011) e Suguimatsu (2016). Embora tratem-se de três materialidades distintas, entendo que elas convergem como possibilidades interpretativas para discutir os processos educacionais. O trabalho propõe que a materialidade escolar constitui fonte alternativa de acesso às dinâmicas educacionais, permitindo compreender os métodos institucionais de disciplina e controle, bem como as práticas de apropriação, negociação e resistência por parte dos sujeitos que frequentam esse espaço, especialmente as crianças.