Esta tese explora a relação entre racismo ambiental, conflito e justiça socioambiental em territórios tradicionais nos estados do Rio Grande do Norte e Piauí. O racismo estrutural é apresentado como o motor das desigualdades que marginalizam comunidades e as expõem à degradação ambiental, perpetuando uma necropolítica. A análise se aprofunda nos conflitos gerados pela transição energética e pelo modelo de desenvolvimento extrativista, que prioriza o lucro em detrimento dos direitos humanos e da sustentabilidade. Utiliza-se o conceito de "campo" para desvendar as disputas por recursos e poder, onde comunidades tradicionais e ativistas resistem a um desenvolvimento imposto. O ativismo socioambiental é destacado como crucial para dar visibilidade às injustiças, contestar o discurso desenvolvimentista e pressionar por políticas públicas mais protetivas. O estudo enfatiza a importância de uma abordagem justa e inclusiva para as energias renováveis e a necessidade de uma mudança profunda no modelo de desenvolvimento, que valorize a diversidade cultural e socioambiental, rompendo com práticas neocoloniais. A pesquisa revela a invisibilidade das populações tradicionais nos planos governamentais, a falta de atenção aos seus direitos e a priorização de interesses econômicos em setores como o agronegócio e o turismo. A luta pela demarcação de territórios pesqueiros e o reconhecimento legal das comunidades tradicionais pesqueiras são apresentados como atos de autoafirmação e resistência. A análise das narrativas dos pescadores artesanais do Delta do Parnaíba expõe os impactos do turismo e dos grandes empreendimentos energéticos, revelando perdas, exclusão e desterritorialização. A urgência de considerar o conhecimento tradicional e a participação dessas comunidades na formulação de políticas é defendida para construir um futuro mais justo, sustentável e equitativo, que respeite a diversidade cultural e ambiental do estado, garantindo que o desenvolvimento beneficie a todos os seus habitantes.