Com o objetivo de apreender as representações sociais de familiares sobre o comportamento suicida em adolescentes escolares, esta pesquisa foi estruturada na Teoria das Representações Sociais (TRS), de Serge Moscovici, e obedeceu aos critérios disponibilizados pelo guia Consolidated Criteria for Reporting Qualitative Research (COREQ). O estudo foi desenvolvido no município de Rio Grande do Piauí, com familiares de adolescentes matriculados na rede pública de ensino e vinculados ao Programa Saúde na Escola (PSE). A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas. Foram realizadas 21 entrevistas e, após a coleta de dados, procedeu-se à transcrição integral dos depoimentos para a composição do corpus textual, o qual foi processado com o auxílio do software IRaMuTeQ®. A análise dos dados foi realizada por meio da Classificação Hierárquica Descendente (CHD) e da análise de similitude, possibilitando a identificação das estruturas semânticas e das conexões entre os elementos representacionais, à luz da TRS. Os resultados revelaram como os familiares percebem, interpretam e lidam com o comportamento suicida na adolescência, evidenciando sentimentos, crenças, dificuldades, estratégias de enfrentamento e lacunas de informação que permeiam o cuidado familiar. A compreensão dessas representações evidenciou a organização do corpus em seis classes lexicais e, das representações que emergiram nessas classes, foram organizadas em cinco categorias, a saber: rede de apoio e estratégias de enfrentamento do comportamento suicida na adolescência; sofrimento emocional na adolescência; dinâmica familiar, relações interpessoais e suporte sócio emocional no cuidado ao adolescente; resgate do vivido da adolescência e do comportamento suicida; expressões do sofrimento psíquico na adolescência. Com destaque para a categoria do resgate do vivido da adolescência e do comportamento suicida, a Classe 4 (21%) apresentou-se como a mais representativa, centrada nas representações da adolescência enquanto fase de mudanças, conflitos e transformações comportamentais. Os achados subsidiarão a elaboração de estratégias intersetoriais no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente na Atenção Primária à Saúde e na Estratégia Saúde da Família, fortalecendo ações do Programa Saúde na Escola, capacitações de profissionais, atividades educativas e práticas de acolhimento voltadas à promoção da saúde mental de adolescentes nos contextos escolar, familiar e comunitário.