A descoberta precoce dos sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) muda o futuro de uma criança, pois permite iniciar os acompanhamentos no momento certo do desenvolvimento infantil. Partindo dessa realidade, este trabalho de mestrado investigou como a vivência dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) nas visitas às famílias, somada ao conhecimento da literatura, pode servir de base para criar um material educativo pratico que ajude esses profissionais a identificar alterações no neurodesenvolvimento durante a rotina da Atenção Primária. O objetivo do estudo foi compreender como os agentes atuam no dia a dia diante de suspeitas de autismo e, a partir dessas necessidades, construir um guia de apoio fundamentado na ciência para orientar o trabalho das equipes de Saúde da Família. A pesquisa seguiu três etapas principais: primeiro, fez-se um levantamento bibliográfico amplo nas bases de dados da saúde, selecionando 20 artigos relevantes que abordavam a capacitação de equipes comunitárias. Em seguida, realizou-se uma escuta atenta no campo com sete agentes de saúde do município de Colinas, no Maranhão, por meio de conversas individuais gravadas e analisadas em profundidade. Juntou-se os achados dos artigos com a realidade contada pelos trabalhadores, e desenhou-se o protótipo de uma cartilha em formato de guia de bolso (pocket guide). A análise das entrevistas mostrou que os agentes têm um olhar atento e conseguem perceber quando a criança não responde a estímulos, demora a falar ou não faz contato visual. No entanto, os relatos revelaram que essa percepção ainda é muito baseada a prática do territorio e na intuição, já que faltam treinamentos constantes, sobra insegurança na hora de orientar os pais e existem grandes gargalos para conseguir consultas com médicos especialistas na rede pública. Para responder a esses desafios reais da ponta, o guia de bolso foi planejado com leitura rápida e visual direto, trazendo quadros simples com os marcos esperados para cada idade entre zero e 36 meses, sinais de alerta comportamentais, orientações sobre como acolher a família sem assustar e os caminhos para encaminhar a criança no SUS. O estudo conclui que o agente comunitário é a peça principal para encontrar e acompanhar essas crianças no território, mas ele não pode trabalhar sozinho sem ferramentas de consulta rápida e capacitação contínua. A aplicação desse material na Saúde da Família entrega um instrumento útil para levar no bolso durante as visitas domiciliares, ajudando a tirar dúvidas na hora, agilizar os encaminhamentos e garantir que as crianças com suspeita de autismo recebam o suporte necessário o quanto antes.