Esta pesquisa investiga em que medida as condições materiais e institucionais do trabalho docente favorecem a adaptação utilitária ou oferecem condições mínimas para a criação no exercício da docência. Parte-se da hipótese de que a valorização profissional não se reduz à remuneração, pois também envolve tempo, segurança, autonomia e disponibilidade subjetiva para o estudo, o diálogo e a elaboração pedagógica. A fundamentação filosófica apoia-se na crítica de Friedrich Nietzsche à cultura moderna e na tensão entre formação (Bildung), adestramento e criação. Em diálogo com Schopenhauer, Foucault, Bourdieu, Passeron, Han, Ehrenberg e Mattéi, a investigação examina disciplina, padronização, desigualdade e desempenho. Paulo Freire é mobilizado como interlocutor brasileiro para pensar a passagem da passividade à prática de liberdade, preservadas as diferenças entre seu humanismo dialógico e a genealogia nietzschiana. A metodologia combina pesquisa bibliográfica, interpretação filosófica, análise documental e o delineamento de uma intervenção pedagógica qualitativa. Os dois primeiros capítulos delimitam a crítica nietzschiana aos modelos educacionais e reconstroem aspectos da formação escolar brasileira. O terceiro capítulo, apresentado em caráter preliminar para a qualificação, articula as condições materiais da docência à proposta do produto educacional “A fábrica de medalhões?”, uma sequência didática de seis encontros desenvolvida nas aulas de Ensino Religioso das turmas 119A, 119B e 119C, correspondentes ao 9o ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal Júlio Lopes Lima – SEMEC – Teresina - PI . A proposta baseia-se na leitura de Machado de Assis, na problematização da experiência escolar, no diálogo e na produção autoral, tomando o componente curricular como espaço de contribuição filosófica à formação. A aplicação se deu para registrar os movimentos de formulação de problemas e mobilização conceitual das(os) participantes quanto as condições concretas que favoreçam ou limitem a realização da experiência. Sustenta-se que a criação docente depende de uma atitude filosófica diante dos valores e de condições objetivas que tornem essa atitude praticável na escola pública.