Dissertações/Teses

2019
Descrição
  • PEDRO RHUAN PIAUILINO LIMA
  • NÃO É APENAS CINE, TAMBÉM É CLUBE - CINECLUBISMO COMO PRÁTICA CULTURAL: A EXPERIENCIA DO CINECLUBE DA CASA DA CULTURA DE TERESINA
  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 30/08/2019
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  • Esse trabalho aborda o fenômeno do cineclubismo, como prática cultural,  tomando como lócus empírico o Cineclube da Casa da Cultura de Teresina, fazendo  emergir um conjunto de práticas e sentidos  com suas  peculiaridades e linguagens próprias,  como objeto de pesquisa  cientifica. Partimos do pressuposto de que o cineclubismo é uma prática cultural que se desenvolve de forma organizada e estruturada, conseguindo aglutinar uma gama de pessoas de diferentes categorias sociais, gêneros, gerações, utilizando a potência da linguagem cinematográfica como vetor de  organização de um coletivo,  como espaço cultural fomentador de intensos debates, coadunando-se, inclusive, com o disposto nos objetivos do Plano Nacional de Cultura (PNC) do Brasil.  A pesquisa que dá origem a esta dissertação envolveu pesquisa de cunho bibliográfico, documental, e de campo, com vistas a situar tanto a prática cultural cineclubista em termos mais amplos, quanto a  experiência localizada do Cineclube da Casa da Cultura de Teresina. Assim, esta experiência fica localizada no contexto mais amplo no qual exponho a trajetória da entidade cineclube e do movimento cineclubista, a partir do seu surgimento e posterior desenvolvimento como prática cultural consolidada, observando-se a própria história do cinema, e de sua evolução como linguagem artística. Para falar propriamente da prática cineclubista, apresento conceitos como o de práticas culturais como os de campo, habitus e gosto,  dentre outros, em uma perspectiva relacional. Busco, ainda,  demonstrar  a ligação umbilical do cineclubismo com o processo de construção  da linguagem cinematográfica e a transformação do olhar desta forma de ver o mundo, através da imagem em movimento. Discorro, ainda, sobre o surgimento, a formação, e a expansão do cineclubismo no Brasil, apontando para características de diferentes modelos cineclubistas, no país, como o cineclubismo sob influência da Igreja Católica;  como resistência à ditadura civil-militar, entre os anos 1960 e 1980, e na abertura politica, até o cineclubismo em tempos do Sistema Nacional de Cultura (SNC) e do Plano Nacional de Cultura (PNC), ou seja, na atualidade.  Em seguida, apresento alguns dados do cineclubismo no Piauí e focalizo, em especial, esta prática cultural em Teresina, capital do estado, pondo em relevo suas peculiaridades, a partir de uma reconstrução com base documental e informações orais de cineclubistas. Em seguida, abordo a trajetória do Cineclube da Casa da Cultura de Teresina, a partir da minha própria experiência e de pesquisa de campo na qual recorri a técnicas de observação direta e participante, além de um breve questionário, etnografia de uma sessão, e entrevistas com grupo focal. Abordo este cineclube desde seu surgimento até os dias atuais; sua composição, estrutura e formalização; relação com a Casa da Cultura de Teresina, onde funciona atualmente; programação: processos, divulgação e realização; atores envolvidos, suas inserções sociais, motivações para a prática cineclubista, sentidos produzidos sobre ela, inclusive, sociabilidades para além das sessões de cinema. Aponto, ainda, para os limites da continuidade desta experiência, em particular.

  • YASMIN FEITOSA CARVALHO DE MORAES
  • O LAZER COMO EXCITAÇÃO: SIGNFICADOS DO LAZER NA DISCURSIVIDADE DE JOVENS NO PARQUE DA CIDADANIA NA CIDADE DE TERESINA,PIAUI
  • Orientador : MARIA SUELI RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 30/08/2019
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  • O lazer é uma dimensão fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas, contudo, no âmbito da política de administração urbana ocupa, muitas vezes, lugar secundário por ser considerado uma atividade improdutiva e irrelevante. Na cidade de Teresina, Piauí, as políticas urbanas adotadas produziram, a longo prazo, o problema social da escassez de espaços e equipamentos públicos de lazer. Verificou-se que uma boa parte dos bairros de Teresina foram concebidos sem espaços destinados ao lazer, pois suas origens remontam às ocupações irregulares do solo urbano e aos conjuntos habitacionais construídos pelo Estado, na maioria das vezes, sem o mínimo de infraestrutura básica tendo-se em vista que tinham como objetivo principal apenas a moradia. Esse quadro gerou, historicamente, uma demanda de lazer reprimida que teve como consequência, ainda hoje, a procura por espaços de lazer não localizados nos bairros de moradia. Em virtude disso, em Teresina existem espaços de lazer que atraem pessoas de todos os bairros da cidade funcionando, ao mesmo tempo, também como ponto turístico. Este é o caso do Parque da Cidadania, um parque público municipal inaugurado em 2016, localizado no Centro, que em pouco tempo de existência tornou-se um dos espaços públicos de uso coletivo mais frequentados da cidade. Dentre o seu público destaca-se a presença expressiva de jovens realizando práticas de lazer, especialmente, aos finais de semana. Esse fato indica que o Parque da Cidadania constitui parte integrante dos circuitos de lazer e diversão de muitos jovens teresinenses que o frequentam em detrimento de outros espaços públicos. O problema de pesquisa que orienta o presente trabalho é: qual o significado do lazer no Parque da Cidadania segundo a discursividade juvenil? Tendo como hipótese a ideia de que o lazer é associado ao prazer e ao estabelecimento de laços sociais para além da vizinhança. O objetivo geral que orientou a pesquisa foi: compreender o significado do lazer no Parque da Cidadania segundo a discursividade juvenil, materializado nos seguintes objetivos específicos: discutir o lazer na perspectiva ocidental e brasileira; discorrer sobre os espaços de lazer na cidade de Teresina com destaque para o Parque da Cidadania; descrever a concepção e as práticas de lazer dos jovens que frequentam o Parque da Cidadania; identificar as razões que levam os jovens a frequentarem locus da pesquisa. O estudo realizado foi descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa, cujos procedimentos metodológicos incluíram a realização de entrevistas semiestruturas e individuais com jovens na faixa-etária entre 18 a 30 anos de idade, observação direta e participante no campo empírico com uso do caderno de campo norteada pela estretégia do olhar de perto e de dentro, com produção e uso de imagens do Parque da Cidadania. Os principais resultados de pesquisa apontaram que as concepções de lazer dos jovens aproximam-se da perspectiva de lazer sob a lógica da excitação, por associarem esse fenômeno social, sobretudo, ao prazer. Contudo, a análise de suas práticas de lazer evidenciou que prevalece, parcialmente, no ritmo de vida cotidiano dos jovens o conceito de lazer no qual as atividades da referida natureza somente ocorrem após os sujeitos livrarem-se ou desembaraçarem-se de suas obrigações sociais, notadamente, o trabalho profissional. Em relação às razões que levam os jovens a frequentarem o Parque da Cidadania, a pesquisa demonstra que esse parque público possui cinco fatores de atração, a saber: escassez de espaços e equipamentos de lazer nos bairros, localização, ponto de referência de encontro, amizade, diversidade de opções de lazer, sem deixar de considerar a possibilidade de outras razões atrativas.

  • DANIELLE MARIA DA COSTA MARQUES SAMPAIO
  • CIBERCULTURA E EDUCAÇÃO: OS SENTIDOS ATRIBUÍDOS PELOS ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO NA UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO PROCESSO DE ENSINO E APRENDIZAGEM DE UMA ESCOLA DE TERESINA - PI
  • Orientador : SAMUEL PIRES MELO
  • Data: 23/08/2019
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  • Este trabalho trata das reflexões acerca dos sentidos atribuídos pelos estudantes do Ensino Médio sobre a utilização das Tecnologias Digitais da Comunicação e Informação – TDICS no processo de ensino-aprendizagem. A escola escolhida para o desenvolvimento do estudo foi a Unidade Escolar Dom Severino de Teresina- PI. Constituindo-se num estudo qualitativo, essa dissertação parte da perspectiva metodológica da reflexibilidade de Giddens (2003) a partir dos sentidos atribuídos por esses jovens em relação à utilização das TDICS, no processo de ensino-aprendizagem. Com essa finalidade, como instrumento de construção de dados foi utilizado o “mapa de associação de ideias de Spink” (2010) no intuito de visualizar os conteúdos presentes nas práticas discursivas e na produção de sentidos no cotidiano dos jovens, agentes sociais, coletados através de rodas de conversa e questionários abertos. No tocante a problemática central do estudo “quais os sentidos atribuídos pelos jovens estudantes de ensino médio na utilização das tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem?” observou-se que os sujeitos dessa pesquisa, de uma maneira geral atribuem às TDCIS ferramentas essenciais na busca, construção e compartilhamento de conhecimentos. Estando as mesmas para esses sujeitos inerentes não somente à vida cotidiana de uma maneira geral mas também ao processo de ensino-aprendizagem caracterizando-se como instrumentos de interação social e de comunicação. E como importância social, esse tema torna-se relevante no sentido de promover um estudo científico relacionado à utilização das tecnologias digitais pelos jovens, sua relevância na formação docente e discente e na promoção da inclusão digital ao discutir a cibercultura na educação. Podendo também contribuir para construção de mecanismos sociais que viabilizem a inclusão digital e a utilização positiva do ciberespaço, como também a construção de políticas públicas e projetos pedagógicos voltados para as juventudes.

  • SUZIANNE JACKELINE GOMES DOS SANTOS
  • "NÃO QUERO TER MAIS FILHOS": RELAÇÕES DE GÊNERO NA TRAJETÓRIA DE MULHERES LAQUEADAS
  • Orientador : FRANCISCO DE OLIVEIRA BARROS JUNIOR
  • Data: 27/06/2019
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  • A realização da laqueadura se destaca na sociedade brasileira como uma das principais formas utilizadas no controle da fecundidade por mulheres. Em Teresina, a busca frequente por este método chamou atenção para as motivações presentes por trás das narrativas de “não quero ter mais filhos(as)”. Esta pesquisa tem como objetivo analisar como as relações sociais de gênero perpassam e se configuram no processo de escolha de mulheres pela laqueadura como forma de controle de fecundidade. Os aportes teóricos centram-se nos estudos de gênero (CONNELL, PEARSE, 2015) e sobre direitos reprodutivos e contracepção (SCAVONE, 2004; SOIHET, 2015). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com a utilização da técnica de narrativas de vida a fim de conhecer a experiência reprodutiva e contraceptiva de mulheres que vivenciam a maternidade e realizaram a laqueadura pela rede pública de saúde em Teresina (BOLÍVAR, 2012; MORIÑA, 2017; FRASER, 2004). Os resultados demonstraram que as relações de gênero provocaram deslocamentos em suas trajetórias de vida, influenciando na decisão pela laqueadura conforme essas mulheres vivenciaram e refletiram sobre a trajetória reprodutiva, a negociação contraceptiva, a maternidade e cuidado dos(as) filhos(as), a divisão sexual do trabalho e a organização da assistência em saúde no planejamento reprodutivo e no trabalho de parto. Seus relatos são marcados por relações assimétricas de gênero no ambiente domiciliar, pela predominância da masculinidade hegemônica em seus parceiros e de regimes de gênero junto a profissionais de saúde, por um padrão social sobre a conduta da “boa mãe” e por feminilidades que aspiram mais autonomia. Os seus anseios enquanto mulheres ficam em segundo plano diante de seus cotidianos enquanto mães, esposas, donas de casa e trabalhadoras. O protagonismo na decisão pela laqueadura representou uma forma de apropriarem-se do seu corpo, tempo e vida e, assim, ampliarem o seu campo de possibilidades. A realização da laqueadura produziu significados que remetem à liberdade, segurança e autonomia. Mesmo que a laqueadura não modifique diretamente as dinâmicas das relações de gênero no ambiente familiar, foi um meio para várias finalidades, colaborando com mudanças em suas vivências cotidianas.

  • FRANCISCO DE SOUSA LIMA
  • SUICÍDIO NO ESPELHO: O IMAGINÁRIO DOS ATENDENTES DA REDE DE COMBATE À IDEAÇÃO SUICIDA EM TERESINA
  • Orientador : ERIOSVALDO LIMA BARBOSA
  • Data: 14/06/2019
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  • Esse trabalho tem como foco identificar as estruturas imaginárias que atuam na formação das concepções que os atendentes da rede de combate ao suicídio em Teresina possuem sobre esse fenômeno. Partiu-se da hipótese de que essa proximidade com quem pretende dar cabo da própria vida e os esforços para impedir sua efetivação confere a esses atendentes uma visão mais singular sobre o fenômeno, utilizando-se para isso duas etapas de trabalho de campo: a primeira consistiu em entrevistas semiestruturadas com os atendentes ligados à rede, entre os quais foram levantadas as principais e recorrentes categorias imaginárias sobre o suicídio; a segunda, por sua vez, consistiu na aplicação de um teste tipo Likert, onde foram elencados os principais adjetivos dessas categorias do imaginário, mapeadas na primeira etapa, visando avaliar o nível de ingerência que cada um deles possui a respeito da percepção do suicídio. O trabalho ancorou-se na teoria do imaginário de Gilbert Durand (2014) como principal aporte teórico do estudo em apreço. No primeiro momento buscou-se mostrar a importância da sociologia clássica na desmistificação da prática suicida, ao apontar suas causas sociais como um fato recorrente desde os primeiros agrupamentos humanos, assim como o sentido de morte e do morrer. Além disso, discorreu-se sobre as percepções de larga amplitude que o suicídio tem provocado no imaginário social através do tempo, elegendo, para tanto, quatro categorias binárias: honra e salvação, pecado e crime, loucura e razão e tristeza e patologia.  O estudo dessas categorias permitiu-nos mostrar, a partir de uma perspectiva diacrônica, como as diversas teorias do imaginário podem explicar os comportamentos humanos em relação ao suicídio. No corpo final do trabalho, as categorias morte e suicídio ganham mais relevância a partir dos dados de campo, onde se procurou analisar as estruturas socioantropológicas do imaginário do suicídio para os atendentes inseridos na rede que atua no auxílio às pessoas com ideação suicida no Piauí, em especial, em Teresina. Com o estudo concluiu-se que os símbolos arquetípicos presentes no imaginário desses sujeitos estão semanticamente repletos de negatividade, elaborados por imagens que remetem o suicídio a um ato fisicamente nocivo, imoral e pecaminoso, tanto para a sociedade quanto para quem o pratica. Essa simbologia, porém, é amenizada pelo contato que os atendentes possuem com quem tem ideação suicida. Por fim, constatou-se a necessidade de implantação de políticas públicas voltadas para o esclarecimento da população sobre a problemática da morte voluntária, que poderiam arrefecer o estigma e diminuir os índices crescentes de suicídio registrados em Teresina e no Brasil. 

  • VIVIAN KALLEN BATISTA DE CARVALHO REIS
  • GENERO E SEXUALIDADES NO CONTEXTO DA ESCOLA: A PRODUÇÃO DE SENTIDOS DAS PRÁTICAS DISCURSIVAS
  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 13/06/2019
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  • O espaço escolar, por meio dos/as sujeitos/as que o compõe, configura-se num lócus marcado por diversidades e diferenças. Todavia, quando essas produzem discriminações e preconceitos se constituem em grave problema social. Sendo assim, o objetivo desse estudo é compreender os sentidos das práticas discursivas a respeito de gênero e sexualidades no contexto de uma escola pública, de ensino médio, em Teresina, PI, tomando como referência os/as estudantes, com a finalidade de identificar a presença de discriminações e seus fatores desencadeadores e/ou potencializadores de desigualdades no tocante às estudantes mulheres e LGBT por parte dos/as sujeitos/as que compõem a escola (docentes, discentes e corpo administrativo). Os aportes teóricos centrais que balizam a discussão de gênero e sexualidade estão respaldados em Connell & Pearse (2015), Bourdieu (1989) e Foucault (2017), e suas interfaces com a educação pautadas em Louro (1997) e Miskolci (2014). Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas junto aos/as estudantes da referida escola sobre o assunto. O tratamento analítico dos dados se deu através da produção de sentido das práticas discursivas (Spink, 2010). Os resultados encontrados indicaram a presença de discursos conservadores e reguladores da heteronormatividade. Quando associados às estudantes mulheres sinalizaram a presença de concepções tradicionais de gênero, relacionando-as aos afazeres da casa, considerando-as intelectualmente inferiores e criticando-as pela liberdade de práticas no tocante as relações afetivo-sexuais. Em relação aos estudantes LGBT os discursos afirmaram preconceitos com teor regulador e defensor da heterossexualidade como padrão regimental do exercício ideal da sexualidade, onde as expressões e sentimentos homoafetivos são vigiados e coagidos a conter caricias ou troca de afetividades com os/as namorados/as, a fim de preservar uma boa imagem da escola.

  • TAYNÁ EGAS COSTA
  • “NO TEMPO DO ENSINO MÉDIO O ARMÁRIO ERA MAIS APERTADO DO QUE HOJE” – EXPERIÊNCIAS DE MULHERES LÉSBICAS NO ENSINO PRIVADO DE TERESINA (PI)
  • Orientador : ROSSANA MARIA MARINHO ALBUQUERQUE
  • Data: 30/05/2019
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  • Esta pesquisa busca compreender a partir das memórias de mulheres lésbicas, ex-alunas da rede privada de ensino da cidade de Teresina, os significados atribuídos às suas tentativas de encontrar condições para a consecução dos afetos e desejos nas suas trajetórias escolares. A pesquisa utilizou uma abordagem etnobiográfica. Esta abordagem que diz respeito à inovação teórica-metodológica baseada nos valores da pesquisa etnográfica, na sua capacidade de compreensão do mundo simbólico através das narrativas dos sujeitos. Para isso, o trabalho foi conduzido pela imersão em estudos sobre narrativas, sociabilidades e lesbianidades. O campo iniciou-se por meio de encontros, onde os convites foram realizados por meio de uma rede social virtual e por indicação das redes de relações das mulheres lésbicas participantes desta pesquisa. Ao considerar o sujeito pesquisado na sua multidimensionalidade ao narrar sua própria experiência e mediar sobre os desdobramentos subjetivos remetidos em suas memórias, esquecimentos e silêncios expressam repertórios discursivos que permitem, assim, descrever e analisar estruturas significativas de cultura, e não somente de um ponto de vista biográfico da vida particular de indivíduos ou arranjos institucionais, mas sobre os amplos sentidos culturais dados ao gênero e a sexualidade no espaço escolar, assim como, a maneira como a produção desses sentidos conformam a experiência individual após a saída do ensino básico. Com seus resultados intenta-se dá visibilidade sobre a temática da lesbofobia praticada no âmbito escolar e busca promover novas reflexões e discussões no sentido de ampliar debates, desfigurar preconceitos acerca do campo de gênero e da sexualidade, dessa forma, pensar de modo renovado, a cultura, a escola, os afetos, e as formas de ser/estar no mundo.

  • WILSON MACHADO ALENCAR
  • ENSINO DE SOCIOLOGIA: SENTIDOS E PRÁTICAS POR PROFESSORES DE ESCOLAS PÚBLICAS EM TERESINA - PI
  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 29/05/2019
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  • Esta pesquisa investiga sentidos e significados conferidos ao ensino de Sociologia no nível médio a partir de percepções de professores e professoras ministrantes da disciplina em instituições públicas no município de Teresina, Piauí. Seu objetivo é analisar a relação entre formação acadêmica e sentidos atribuídos pelos docentes do ensino de Sociologia. Partindo da premissa que professor assume sua prática a partir dos significados a ela conferidos e que os sentidos são socialmente construídos pelos indivíduos na vida cotidiana (TARDIF, 2008; BERGER; LUCKMANN, 2014), responde-se à questão: que fatores resultantes da relação formação acadêmica e sentidos atribuídos ao ensino de Sociologia estruturam e orientam o saber-fazer pedagógico de professores atuantes no ensino médio em Teresina? O estudo apresenta discussões sobre educação e escola como objetos de pesquisa sociológica, Sociologia e seu processo de institucionalização na educação brasileira, constituição atual do campo das Ciências Sociais na educação básica, formação acadêmica de professores do ensino de Sociologia e sentidos e significados atribuídos pelo fazer docente. A abordagem teórica-metodológica da pesquisa se sustenta na Sociologia clássica e na fenomenologia social (DURHEIM, 1999; WEBER, 1991; MARX 2007; SCHUTZ, 2012; APPOLINÁRIO, 2006; GIORGI, 2014). A investigação empírica se fundamenta na metodológica qualitativa, do tipo etnográfica aplicada à educação, com técnicas de observação direta e entrevistas semiestruturadas individuais, aplicadas a professores que ensinam Sociologia em escolas públicas. As informações receberam tratamento e análise de forma descritiva e interpretativa, possibilitaram a discussão sobre os sentidos e significados produzidos pela ação pedagógica dos sujeitos investigados, e estão ancorados em um sentido geral da Sociologia, formação para o exercício da cidadania, para atividade profissional, para interpretação e mudança da realidade social dos educandos.

  • ANA HILDA LIMA DO VALE
  • "NÃO É SÓ FUTEBOL":RELAÇÕES DE SOCIABILIDADE E IDENTIDADE NA TORCIDA ESPORÃO DO GALO EM TERESINA-PI
  • Orientador : FERDINAND CAVALCANTE PEREIRA
  • Data: 06/05/2019
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  • Este estudo tem por objetivo investigar e compreender as práticas de sociabilidade e construções identitárias de indivíduos filiados a torcidas organizadas de futebol. A pesquisa foi desenvolvida com a colaboração da Torcida Esporão do Galo (TEG), ligada ao River Atlético Clube da cidade de Teresina-PI, considerando a formação e organização do grupo, bem como as ações de pertencimento e alteridades que caracterizam as vivências de seus/suas integrantes no espaço urbano. Assim, parte-se da perspectiva de que as relações de sociabilidade, identificações, pertencimento e conflitos não se limitam apenas ao contexto destinado às práticas do futebol profissional, mas que a identidade dos/as torcedores/as organizados/as perpassa por formações subjetivas e construções sociais de condutas, linguagens, signos e símbolos reproduzidos em diversos âmbitos. Ademais, assumindo compromissos de manutenção do grupo e passando a se constituírem enquanto organização burocrática com divisões de cargos e atividades. Aqui, entende-se que as torcidas organizadas fazem parte de um campo social estruturado e estruturante sinalizado por posições e leis específicas (BOURDIEU, 1989), em que esses grupos buscam reconhecimento e disputam entre si por espaço e prestígio, estabelecendo rivalidades e alianças. Portanto, consideramos que “não é só futebol”, em seu sentido técnico de jogo, mas antes é também a identidade desses sujeitos e o modo como vivenciam e organizam suas relações cotidianas a partir de impulsos de sociabilidades – relacionados à preferencias clubísticas – dando forma e sentido às suas interações. Desse modo, trata-se de uma pesquisa qualitativa de abordagem interativa e interpretativa, operacionalizada por meio de observação participante, com aplicação de entrevistas semiestruturadas, pesquisa documental, uso e produção de imagens. Os resultados da investigação revelam que os membros da TEG, ao imprimirem um modo particular de vida a partir da cultura esportiva, (re)criam sua identidade de grupo e profissional para se fazerem reconhecidos/as como tal, frente à possibilidade de eminente perda do lugar no campo em que disputam por reconhecimento social.

  • JOAQUIM JOSÉ FERREIRA DOS SANTOS
  • DISPUTA DE SENTIDOS DO CONCEITO DE QUILOMBO: DECOLONIALIDADE E COLONIALIDADE NO ÂMBITO DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 3239
  • Orientador : MARIA SUELI RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 25/02/2019
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  • Na Constituição de 1988, a palavra quilombo obtém uma nova dimensão, alijando seu aspecto de crime para um fato garantidor de direitos. Há um cenário que indica abandono do olhar do colonizador, assumindo-se a perspectiva dos colonizados, principalmente de homens negros e de mulheres negras para quem quilombo é resistência ao sistema com estruturas herdadas da escravidão. A elaboração do conceito de quilombo por parte da própria comunidade quilombola representa um giro decolonial (CASTRO-GOMES; GROFOSGUEL, 2007), iniciado com a própria inserção do termo quilombo no texto constitucional. As experiências de homens e mulheres negras, seus processos de resistência ao projeto que buscou o aniquilamento físico e cultural e a luta contra a desumanização de afrodescendentes representam enfrentamento à colonialidade do poder. No entanto, o Partido da Frente Liberal (PFL), atual Democratas (DEM), em junho de 2004, protocolou, no Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação judicial, a ADI 3239, em que questiona a constitucionalidade do Decreto 4.887/2003 que regulamenta as terras de quilombo conquistadas na CF/88. Na ação, entre outras coisas, o DEM, ainda que de forma indireta, objetiva que o STF fixe o conceito de quilombo como “comunidades formadas por escravos fugidos, ao tempo da escravidão no país”. O DEM pretende, portanto, aprisionar o conceito de quilombo a uma experiência que se esgotou com o fim da escravidão. Refuta, ainda, a possibilidade, expressa no referido Decreto, de a própria comunidade se autodefinir como quilombola. O questionamento apresentado busca afirmar que quilombo é coisa do passado, cabendo a laudos técnicos definirem quem faz parte destas comunidades. A pretensão apresentada na ação corrobora a narrativa colonial de impedir que afrodescendentes se tornem proprietários de terras como forma de manter a lógica de produção de riquezas, o que resultou em forte oposição ao enegrecimento das terras urbanas e rurais brasileiras. Ademais, emerge das manifestações de alguns ministros do STF a colonialidade do poder (QUIJANO, 2005), a colonialidade do saber (LANDER, 2005) e a colonialidade do ser (MALDONADO-TORRES, 2007), ao adotarem o mesmo entendimento do DEM: os quilombos foram uma experiência que findou com o fim do regime escravocrata no Brasil. Esta pesquisa possui como problema empírico o risco de manutenção da semântica colonial na definição do que é quilombo, resultando em perda de direitos e garantias conquistados por homens negros e mulheres negras. Indaga, pois: quais os sentidos de quilombo acionados no âmbito da ADI 3239? Como resposta/pressuposto, parte da assertiva de que foram acionados sentidos de quilombo que expressam colonialidade e decolonialidade em disputa, com vitória da perspectiva decolonial, o que não significa solução permanente, considerando a permanência da colonialidade do poder, do saber e do ser na constituição jurídico-política e social brasileira, o que demanda a continuidade dos processos de resistência.

  • SAMIRA RAMALHO RIBEIRO DE SOUZA
  • GÊNERO E SEXUALIDADE: DISCURSOS DE MULHERES FEMINISTAS SOBRE A PORNOGRAFIA
  • Orientador : RITA DE CASSIA CRONEMBERGER SOBRAL
  • Data: 11/02/2019
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  • O presente estudo trata do tema da sexualidade, mais especificamente sobre pornografia. O problema desta pesquisa é entender que sentidos são produzidos sobre a pornografia pelas mulheres feministas e como o gênero contribui para essas produções de sentido e seus processos, considerando a polaridade no debate de porta-vozes feministas sobre pornografia e sexualidade e a história da sexualidade das mulheres e sua diferentes associações com a pornografia. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, um estudo de caso. Para a operacionalização utilizou-se a aplicação de entrevistas semi-estruturadas, presenciais, com mulheres que se assumiram como feministas. Os marcos teóricos utilizados para a construção do trabalho perpassam as discussões de gênero, teorias feministas sobre sexualidade e pornografia e discursos das ciências humanas sobre a sexualidade. Foi constatado que a pornografia ainda não é algo natural na vida das mulheres e seu uso ainda é marcado por contradições. Para elas a pornografia é um ativador da vida sexual e também recurso de satisfação, no entanto não exatamente a pornografia hegemônica que mostra a mulher como objeto sexual masculino. O que elas desejam é ver a representação de uma mulher tendo seus desejos considerados e o seu prazer respeitado nessa forma de viver a sexualidade.

2018
Descrição
  • CAROL DE ARAUJO BARBOSA
  • CRIAR, A QUE SERÁ QUE SE DESTINA? (Sentidos do processo criativo em encontros e desencontros entre artesãs e designers, sob o signo do empreendedorismo, na Cooperart-Poty em Teresina - PI)
  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 20/12/2018
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  • Nesta pesquisa, volto o olhar sobre o processo criativo do grupo de artesãs ceramistas do Poti, composto por cerca de trinta mulheres integrantes da Cooperativa de Artesanato do Poti Velho (Cooperart-Poty). No processo, desde os inicios da constituição deste grupo, e da formação dessas mulheres como artesãs, observa-se a presença do design e de designers junto às artesãs, entre consensos e dissensos, mas, sempre com profissionais do design dirigindo o processo criativo. Partindo da perspectiva de que as relações sociais, em especial, as que envolvem o fenômeno da criatividade, estão permeadas pelas subjetividades dos indivíduos em constante tensão com as objetividades, reflito sobre como nesta equação, no caso em apreço, a autonomia criativa do grupo é submetida a imperativos da materialidade da vida, uma vez que o grupo em questão, constituído por mulheres tidas como de baixa renda, e fora do mercado de trabalho formal, é objeto de ações da aliança público-privada, com vistas à geração de trabalho e renda. As origens do grupo remontam ao contexto do final dos anos 1990, quando a crise no mundo trabalho reorientou políticas econômicas e de geração de renda e trabalho, com base na ideologia do empreendedorismo. No contexto, a criação de cooperativas de mulheres incluiu-se nas ações voltadas à (re)vitalização da atividade artesanal, pela ótica  do empreendedorismo,   consequentemente, adequando-a à estética do mercado e da competitividade. Nesta mirada, a criatividade das mulheres, transformadas, gradativamente, em artesãs, foi delimitada por intervenções variadas, sobretudo, de capacitações patrocinadas por instituições como Serviço de Apoio às Pequenas e Micro Empresas (Sebrae), Fundação Wall Ferraz (FWF), e Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest). Por meio destas, foram/são produzidas coleções de peças artesanais, com vistas a exposições, concursos e comercialização. Realizei levantamento das realizadas entre 1998 e 2017: coleções de bijuterias, de peças decorativas e utilitárias, sempre, em cocriação com profissionais do design. Como fundamentação teórica, focalizo categorias e conceitos como gênero, cooperativismo, design, artesanato, criatividade, e processo criativo, em diálogos interdisciplinares com autores(as) diversos(as). Na pesquisa documental, debrucei-me sobre o regimento da cooperativa de artesãs, certificados de capacitações, conteúdos de  documentos físicos e virtuais (em sítios diversos), acervos fotográficos, dentre outros que possibilitaram  reconstruir trajetórias dos sujeitos e do lócus empírico.  Na pesquisa de campo, recorri à observação direta e participante, de cunho etnográfico, utilizando diário de campo, realizando entrevistas gravadas, e produzindo imagens fotográficas. Foram ouvidas treze artesãs cooperativadas, que passaram por capacitações para desenvolvimento de coleções, e quatro designers com atuações junto à Cooperart, além de três representantes de agências apoiadoras distintas. Os resultados da pesquisa forma construídos, em parte, pela interpretação de sentidos acionados por artesãs, e por designers, acerca de suas atuações no processo criativo de coleções, em cocriações, envoltas por conflitos, dissensos e consensos, objetividades e subjetividades, fantasias e concretudes. Também, de sentidos acionados por sujeitos apoiadores. Dentre as conclusões, constatei, dentre outras, que na relação entre artesãs e designers, estes(as) atuam como legitimadores(as) do gosto e das estéticas que orientam as criações, como intermediadores(as) de imperativos mercadológicos, e que a autonomia criativa do grupo de artesãs não é significada positivamente, como parte do processo, ainda que discursos de empoderamento sejam acionados. As capacitações ocorrem de modo frequente, não alcançando expectativas mais subjetivas do grupo, em termos da própria criatividade, além do que não há tempo hábil para que haja absorção efetiva dos aprendizados, ficando as artesãs mais como executoras, que como detentoras de algum saber, embora, nos interstícios deste sistema, haja subversões.

  • ERIKA CAROLINA PORTO DE GOIS
  • VELHICES E MASCULINIDADES: UM ESTUDO DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ENTRE HOMENS IDOSOS PARTICIPANTES DE GRUPOS DE CONVIVÊNCIA
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 17/12/2018
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  • Em todo o mundo visualiza-se um processo de envelhecimento populacional que acarreta várias alterações socioeconômicas e políticas. Amplia-se o entendimento da existência de velhices evidenciando a pluralidade e heterogeneidade desse fenômeno. Quando se trata da velhice masculina ressaltam-se as dificuldades vivenciadas pelos homens nessa fase da vida, quando se confrontam os discursos de masculinidade e as práticas sociais, especialmente, nos aspectos relacionados ao trabalho, família, sexualidade e autocuidado. Destarte, o presente estudo tem como objetivo geral analisar as representações sociais das velhices masculinas entre homens idosos participantes de grupos de convivência. Pauta-se na Teoria das Representações Sociais de Serge Moscovici porque permite aprofundar os múltiplos saberes e partilha das experiências possíveis na velhice uma vez que propõe revisitar os conceitos empreendidos na história, tornar familiar algo que seja estranho em algum momento pretendendo travar novos diálogos e escolhas na construção das identidades, motivando uma ciência mais próxima do cotidiano. Trata-se de uma pesquisa quantitativo-qualitativo com dados transversais e por conveniência. Define-se como indicadores de inclusão: homens com no mínimo 60 anos, capacidade cognitiva preservada para manter um raciocínio lógico e boa comunicação com a pesquisadora; participarem há pelo menos um ano (12 meses) do grupo. Nessas condições encontrou-se cincohomens que integram o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos de idosos ofertado nos Centros de Referência da Assistência Social do município de Parnaíba, Piauí. Com o intuito de conhecer o perfil dos participantes, fez-se o uso de questionários sociodemográficos; para conhecer as representações sociais optou-se pela Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) e entrevistas semiestruturadas. Os homens idosos representam sua velhice como tempo de perdas fisiológicas e sociais, sincrônico a isso, se eleva a experiência e exige-se do indivíduo idoso aceitação das mudanças advindas do processo de senescência que inclui comorbidades e limitações em algumas habilidades e práticas cotidianas. Diferente dos discursos dominantes sobre masculinidades encontrou-se nessa pesquisa homens que reconhecem a importância do autocuidado e se inserem em grupos de convivência pela própria vontade. Os grupos de convivência são referenciados pelos homens como ambiente propício de saúde, socialização e aprendizado atuando como estratégia para combater o isolamento social preservando a auto-estima, vínculos de amizade e práticas de cuidado. A principal dificuldade dessa pesquisa foi encontrar homens com mais de doze meses de participação nos grupos de convivência. Espera-se que os resultados dessa dissertação contribuam para ampliar o conhecimento acerca da velhice masculina especialmente no que tange as representações dos homens idosos sobre os grupos de convivência tornando-se fundamento para repensar as políticas direcionadas aos homens idosos de modo a contemplar suas demandas e desejos.

  • MILANE BATISTA DA SILVA
  • CADÊ O ARCA QUE ESTAVA AQUI? (Experiências do Programa Arca das Letras nos rurais teresinenses, entre sentidos de positividade e de negatividade acionados por agentes de leitura e da gestão pública)
  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 23/11/2018
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  • O ponto de partida, nesta pesquisa é o entendimento de rural e urbano, campo e cidade, como categorias de classificação do mundo social, espaços geossimbólicos, seja como conceito seja como representação social e de que o debate sobre rural e relações rural-urbanas não pode ignorar inflexões – nas representações de rural, como periférico – voltadas à perspectiva de cidadania cultural. Isto aponta para a necessidade de pensar políticas de cultura, no campo, com a mesma atenção dada a áreas urbanizadas, uma vez que, em localidades rurais, estas políticas ainda não apresentam protagonismo. O Programa Arca das Letras, da Secretaria Especial de Agriculta Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD), instituído em 2003 por demanda de movimentos sociais, apresenta-se como uma política cultural de incentivo à leitura voltada para povos rurais, visando a disponibilizar o acesso a livros e a capacitar agentes de leitura.  Nesta pesquisa, focaliza-se a experiência do Programa em localidades rurais do Município de Teresina, Estado do Piauí, capital brasileira com a maior área rural do país, buscando compreender a produção de sentidos de atores sociais envolvidos, em particular agentes de leitura e agentes da gestão pública relacionado(as) ao programa. Nesta pesquisa, a abordagem é predominantemente qualitativa e interpretativa, com aporte da sociologia interpretativa, em diálogos com a antropologia interpretativa e a psicologia social.  Teve como abordagem metodológica, pesquisas teórica, documental e de campo. A pesquisa teórica focalizou categorias e conceitos como políticas culturais; práticas culturais; políticas do livro e da leitura; livro, leitura e biblioteca; leitura e  relação da produção de livros com o mercado; ruralidades, povos rurais. A pesquisa documental voltou-se para documentos do Programa Arca das Letras e afins. A pesquisa de campo, em um trabalho de observação direta, cobriu as 29 localidades – e uma Associação – onde foi instalado o Programa Arca das Letras, nos rurais teresinenses.Foram ouvidos agentes de leitura dos rurais teresinense e agentes da gestão pública nos planos nacional e estadual. Os resultados da pesquisa apontam para uma produção de sentidos os quais puderam ser categorizados nas dimensões de positividade e de negatividade.  Constatou-se a desativação do programa nos rurais teresinense, e o consequente sentimento de abandono expressado nas falas de agentes de leitura; bibliotecas, ainda ativas, funcionando, predominantemente nas sedes de algumas escolas e creches; quase nenhuma informação da gestão pública sobre a situação do programa em Teresina. Em um plano mais geral, extrapolando os limites do município de Teresina, constata-se, com base na pesquisa que, apesar de o Arca ter-se expandido no Brasil, o Programa não teve força política necessária para obter maiores investimentos como  política cultural, o que aponta para o lugar subvalorizado das políticas de cultura, sobretudo, as voltadas para povos rurais, no país, as quais não apresentam paridade com as voltadas a áreas urbanas. Assim, permanecem os desafios de uma maior atenção à relação entre ruralidades, povos rurais e cultura, como eixo em políticas de desenvolvimento.

  • MAGNO VILA CASTRO JÚNIOR
  • HABITAÇÃO SOCIAL LTDA: O PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA PELA ÓTICA DO CAPITAL CONSTRUTOR NO MUNICÍPIO DE TERESINA – PI (2009- 2016)
  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 30/08/2018
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  • O Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) do governo federal tem se destacado como importante política pública habitacional no Brasil. Sua criação se insere num contexto mundial marcado pela crise no sistema capitalista do ano de 2008 e, em nível nacional, por políticas neoliberais que limitam o segmento social de baixa renda ao acesso à moradia. Tal política pública tem repercutido nas dimensões espaciais das cidades brasileiras e no planejamento urbano, mas sem resolver, de forma efetiva, a falta de moradia para essa população. Distingue-se, na implementação do referido programa, agentes do Estado e do mercado habitacional que atuam de forma estratégica. Para este último, a política habitacional possibilita mobilizar fundos públicos e confluem na dinamização de setores do mercado habitacional influenciando a expansão urbana brasileira. Delimitamos o objetivo geral da pesquisa em analisar a implementação do MCMV-Empresas pelas construtoras e sua influência no processo de acumulação do capital construtor na expansão urbana. Para tanto, analisamos as ações dos agentes do capital construtor na implementação do programa; a influência do processo de acumulação do capital construtor na expansão urbana do município de Teresina (PI) e; demonstramos a importância desse capital na produção do espaço urbano através da implementação da política habitacional entre os anos de 2009 e 2016. Metodologicamente, a pesquisa se apoia na abordagem qualitativa (BRUYNE, 1990; JACCOUD E MAYER, 2008), de perspectiva sociológica reflexiva. O método de estudo de caso foi utilizado como estratégia de investigação, estruturando-se a partir da pesquisa documental e da técnica de entrevista não-diretiva (MICHELAT, 1987; WHITAKER, 2002). A análise das informações foi realizada a partir da perspectiva da teoria da estruturação (GOTTDIENER, 1997; GIDDENS, 2009). A pesquisa aponta que aquisição de terreno, processo construtivo econômico e instalação de infraestrutura urbana as construtoras conduziram a implementação do MCMV-Empresas, contribuíram para a acumulação do capital construtor e para a expansão urbana recente no município de Teresina (PI), com baixa regulação dos poderes públicos.

  • ALDO VIEIRA RIBEIRO
  • EGRESSOS DA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO DO IFPI/CAMPUS PIRIPIRI: IDENTIDADE PROFISSIONAL E A FALTA DE RECONHECIMENTO NO MERCADO DE TRABALHO LOCAL
  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 28/06/2018
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  • Com a crise do regime de produção industrial fordista a partir da década de 1970, o sistema capitalista, no bojo da globalização, passa por processos de reestruturação. Trata-se do regime de acumulação flexível. Ancorado na flexibilidade produtiva e no modelo de empresa enxuta toyotista, esse regime tem impactado o mundo do trabalho, ocasionando transformações em seu interior, eclodindo o debate teórico entre aqueles que tentam entender e explicar a natureza e as implicações sociais dessas transformações. Nesse debate, atenção é dada ao processo de qualificação dos trabalhadores para o processo produtivo. Sob a lógica do Toyotismo, o regime de acumulação flexível é apresentado como responsável por minimizar a divisão social do trabalho – típica do regime fordista de produção – e instituir um novo perfil de trabalhador ancorado na competência, empregabilidade e empreendedorismo. Nesse sentido, com base no arcabouço teórico de Marx (1996) e de outros estudiosos (ALVES G, 1999; 2007; ANTUNES, 1999; 2005; 2015; FRIGOTTO, 2005; 2010; RAMOS M., 2002; KUENZER, 1997; 2007; 2011; 2016; e MANFREDI, 2017) o presente estudo analisa a trajetória profissional de egressos da Educação Profissional no Estado do Piauí. O objeto empírico são os egressos das primeiras turmas dos cursos Técnicos Concomitantes/Subsequentes em Administração e Vestuário do IFPI/Campus Piripiri, que concluíram seus cursos entre os anos de 2011 e 2014. A coleta de informações realizou-se mediante a aplicação de questionário eletrônico, realização de entrevistas semiestruturadas, pesquisa bibliográfica e documental. A construção e interpretação dos dados ocorreu à luz das abordagens qualitativa e quantitativa. No tratamento dos dados utilizou-se a Estatística Descritiva e a técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2002). No plano teórico, argumenta-se que o regime de acumulação flexível, ao revés do que é veiculado, intensifica a exploração do trabalho pelo capital. Quanto à instituição do modelo da competência defende-se que a sua difusão, constitui ardil adotado pelo capital para ocultar a sua lógica excludente, responsabilizando o trabalhador pelo (in)sucesso no mundo do trabalho. Os resultados da investigação, ancorados no discurso dos egressos, revelam que estes, apesar das dificuldades, conseguem inserção no mercado de trabalho local na condição de empregados, servidores públicos e empreendedores, ainda que a referida inserção ocorra em área diversa da formação profissional e sob a precarização do trabalho e desvalorização da qualificação técnico-profissional.

  • KENNEDY DE BRITO RIBEIRO
  • OS INDIVIDUOS NAS ORGANIZAÇÕES: UM ESTUDO ACERCA DA CORRELAÇÃO EXISTENTE ENTRE AS ORGANIZAÇÕES INFORMAIS E A ORGANIZAÇÃO BUROCRÁTICA NO ÂMBITO DE UM HOSPITAL PÚBLICO DO PIAUÍ.
  • Orientador : CARLOS ANTONIO MENDES DE CARVALHO BUENOS AYRES
  • Data: 30/05/2018
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  • A sociedade moderna aponta as organizações como um importante ambiente condicionador dos indivíduos, de suas ações e relações sociais. Os indivíduos passam a maior parte de suas vidas dentro de organizações, as mais diversas possíveis. Na sociedade moderna, esses indivíduos nascem, crescem, estudam, trabalham, se casam, cuidam de sua saúde e morrem dentro de organizações. As melhores e principais oportunidades de trabalho são oferecidas pelas organizações e nelas os indivíduos expressam e concretizam essa dimensão tão significativa e definidora de suas vidas. Entre os diferentes tipos de organização, ganha destaque o modelo burocrático weberiano que traduz racionalidade, impessoalidade e controle do comportamento dos indivíduos. Com o advento da modernidade, esse modelo de organização ganha notoriedade e espraia-se por toda a sociedade ocidental, tornando-se a grande referência quando falamos de organizações, seja como parâmetro para aplicação, seja para estudos científicos que buscam compreender os ambientes organizacionais. Entretanto, nem todos os aspectos das organizações burocráticas foram detidamente pesquisados, mesmo nos estudos de Max Weber, a grande referência quando se trata de organizações burocráticas, cujos estudos foram focados nos aspectos formais das organizações. As organizações informais e sua correlação com a organização burocrática foram deixadas à margem dos seus estudos. Desta forma, situados em um contexto de modernidade e à luz do compreensivismo weberiano, estudamos um hospital público do Piauí, cujo modelo organizacional é burocrático, com o objetivo de compreender, interpretar e explicar a correlação existente entre as organizações informais e a organização burocrática. Realizamos pesquisa bibliográfica e de Campo, do tipo descritiva, com linha de raciocínio indutivo, processo de coleta de dados do tipo qualitativo, com uso de diário de campo, cuja técnica de investigação consistiu em observação direta passiva e entrevistas, com análise interpretativa dos dados levantados. Neste estudo, o pesquisador-observador assumiu uma postura de indiferença etnometodológica ao abordar a realidade concreta da vida dos indivíduos no ambiente organizacional, em seu cotidiano de trabalho. Foram participantes desta pesquisa os indivíduos que trabalham em um dos setores do hospital público do Piauí, campo da observação proposta.

  • MARINA PINHEIRO SOUSA
  • VIOLÊNCIA DE GÊNERO: OS SIGNIFICADOS PRODUZIDOS POR MÃES/RESPONSÁVEIS SOBRE O ABUSO SEXUAL INTRAFAMILIAR INFANTO-JUVENIL FEMININO
  • Orientador : RITA DE CASSIA CRONEMBERGER SOBRAL
  • Data: 28/05/2018
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  • O estudo trata da discussão sobre a violência sexual, na perspectiva de gênero, tendo como ênfase o abuso sexual intrafamiliar de crianças e adolescentes, fenômeno persistente que perpassa por múltiplas relações sociais construídas pelos sujeitos sociais na sociedade brasileira, estando presente independente de raça, etnia, classe social, geração. A violência de gênero se apresenta sob as mais diversas formas e com grandes repercussões para as mulheres, sendo elas adultas ou crianças, e para suas famílias, assim como, para a sociedade e o Estado, tendo em vista demandar políticas de enfrentamento desse fenômeno social. Na história social da humanidade, no que se refere às relações entre os sexos, há predominância da dominação masculina sobre as mulheres, estabelecendo desigualdades de gênero, relações de poderes desiguais e contribuindo ou mesmo provocando violência contra mulheres. O estudo teve como objetivo analisar os significados produzidos pelas mulheres/mães de meninas vítimas sobre o abuso sexual intrafamiliar infanto-juvenil feminino. Trata-se de um estudo de caráter predominantemente qualitativo, com o uso de entrevista semiestruturada para a apreensão das perspectivas das sujeitas pesquisadas, com apoio do diário de campo para anotações complementares as entrevistas. A análise discursiva (SPINK, 2010) tratará os dados da realidade em estudo.  A pesquisa aconteceu na cidade de Teresina-PI, tendo como sujeitas da pesquisa mães/responsáveis de crianças e adolescentes do gênero feminino que foram vítimas de abuso sexual no âmbito familiar, que estão ou já tenham sido atendidas pelos Centros de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pela Casa de Zabelê, nos últimos dois anos (2015-2017). Consideram-se as diferenças classes sociais das vítimas de violência, por entender que a violência de gênero está presente em todas as classes sociais. Embora tenham várias pesquisas sobre abuso sexual intrafamiliar infantojuvenil feminino, são escassas as investigações que trata tal fenômeno como violência de gênero, além de pesquisar as mães/responsáveis. Portanto, a relevância social dessa investigação está em compreender os significados do abuso sexual intrafamiliar infantojuvenil feminino nos discursos de mães/responsáveis das vítimas, com o propósito de contribuir com a temática em questão.  A fundamentação teórica foi elaborada através da contribuição de diversos autores. A perspectiva de gênero numa concepção de análise relacional e histórica tem por base Scott (1989, 2012); Saffioti (1999, 2004, 2005), Lauretis (1994). A ênfase nas relações de poder tem por base Foucault (2016) e Bourdieu (1998, 2002). A compreensão da violência de gênero intrafamiliar, houve a contribuição de: Azevedo (1985); Saffioti (1995,2004; 2001); Pateman (1993); Azevedo e Guerra (2011), entre outros. A família contemporânea é considerada nos termos de Narvaz e Koller (2004); Ney (1995); Castell (1999,2010); Singly (2007); Petrini (2005), e Goldani (1993), dentre outros. Na reflexão a cerca da mãe no cenário da violência, buscou analisar Botelho (2014), Cantelmo (2010), Goldferd (2000), Habigzang (2006), Machado (2006); Motta (2008), Narvaz (2005) entre outros. Os resultados dessa investigação revelados atráves dos discursos das mães/responsáveis demonstram que o abuso sexual intrafamilia infantojuvenil feminino atinge toda a dinâmica familiar, seja de forma direta e/ou indireta, extrapolando o contexto entre a vítima primária e o agressor. Além dissos, a transgeracionalidade é fator importante nas famílias vítima do abuso sexual, influenciando na denúncia ou não da violência sofrida pela filha, provocando muitas vezes conflitos e rupturas nas relações parentais e nas redes familiares e sociais.

  • IANARA SILVA EVANGELISTA
  • “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”: rotas críticas de mulheres que romperam o ciclo de violência
  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 27/04/2018
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  • A violência doméstica e familiar é um problema social grave e complexo, fruto das relações de poder entre os sexos, atinge mulheres de todas as classes sociais, raça, etnia, idade, religião ou nível de escolaridade. O feminismo tem sido fundamental na luta pela igualdade de direitos entre mulheres e homens, tornando esse problema visível e reconhecido como violação de direitos humanos. Nesse sentido, diversas medidas de enfrentamento e combate foram criadas provenientes de acordos, pactos, leis e conferências onde o Brasil é signatário (MORAES & SORJ, 2009). O objetivo geral desse estudo é compreender o processo de ruptura das mulheres que vivenciaram a violência doméstica e familiar, considerando seu percurso na rota crítica, com a finalidade de saber sobre os fatores impulsionadores, inibidores e estratégias de rompimento utilizadas nesse trajeto. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas e observações sistemáticas junto às mulheres egressas da Casa Abrigo “Mulher Viva”. O tratamento analítico dos dados se deu por meio da Análise de Discurso. A fundamentação teórica ancorou-se na concepção de gênero como elemento constitutivo das relações sociais e relações de poder (SCOTT, 1995; BOURDIEU, 2011; FOUCAULT, 2015); na discussão sobre violência contra mulheres, destacando seus tipos, termos correlatos e políticas públicas de enfrentamento (ALMEIDA, 2007; BRASIL, 2011; STREY, 2004) e sobre Rota Crítica (SAGOT, 2000), compreendida como um complexo emaranhado de atitudes e decisões tomadas pelas mulheres visando sair do ciclo de violência. Os resultados encontrados mostraram que os fatores impulsionadores do rompimento, perpassam situações de saturação das violências sofridas que são potencializadas pelas práticas de ingestão de bebidas alcoólicas, uso de drogas, sucessivas traições e aumento gradativo da violência dos(as) (ex)companheiros(as) contra elas e seus(suas) filhos(as). Dentre os fatores inibidores do rompimento, destacou-se o medo em relação às ameaças recebidas, medo de denunciar e de morrer, esperança na mudança comportamental dos(as) (ex)companheiros(as), ineficiência institucional dos serviços de atendimento, falta de apoio familiar e/ou dos amigos(as) e dependência financeira. Em relação às estratégias de enfrentamento/rompimento, que dão início quando encerram o silêncio, constataram-se as saídas temporárias de casa, mudanças de contatos (telefone e endereço), continuidade dos estudos, inserção no mercado de trabalho, apoio das suas redes sociais e da rede institucional, quando acionadas. As mulheres rompem com o ciclo de violência quando constroem um processo interno de fortalecimento pessoal, apoiado pelas redes pessoais e institucionais, e nesse processo apresentam sinais de empoderamento.

  • LÍLIA LEITE BARBOSA
  • RACIONALIDADE COMUNICATIVA AMBIENTAL E GESTÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS EM TERESINA: ENCONTROS E DESENCONTROS DE SENTIDOS
  • Orientador : MARIA SUELI RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 23/04/2018
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  • A atual dinâmica sociedade-natureza exige novos olhares no processo de transformação do conhecimento e na construção do saber frente às questões ambientais. O adensamento populacional, e, consequentemente, a acelerada urbanização das cidades, não tão longínqua, no mundo e no Brasil, trazem uma mudança de paradigma nos processos de produção e de consumo de bens. A vida urbana implicou em uma “crise ambiental”, na medida em que potencializou problemas como poluição atmosférica, excesso de tráfego e de ruídos, ocupações indevidas em áreas que deveriam estar protegidas, loteamentos clandestinos, falta de espaços verdes, enchentes, esgotos domésticos lançados nas ruas sem qualquer tipo de tratamento e, principalmente, no crescimento dos lixões a céu aberto. O presente trabalho busca investigar os encontros e desencontros de sentidos dados à gestão dos resíduos sólidos na cidade de Teresina (PI), para isso, o pressuposto adotado considera que as normatizações que tratam da temática gestão de resíduos sólidos, encontram-se no campo de tensões entre facticidade e validade. Neste contexto, o arcabouço teórico da pesquisa parte de categorias como Racionalidade Comunicativa (HABERMAS, 1989, 1997), Racionalidade Ambiental (LEFF, 2002), e de sua hibridação (Racionalidade Comunicativa Ambiental - RCA) para demonstrar como são incorporadas e vivenciadas as práticas de uma RCA na cidade de Teresina através das políticas públicas instituídas pelo poder público e de como a população recebe estas ações. O problema de pesquisa deu origem à seguinte questão: como se relacionam racionalidade comunicativa, políticas públicas, legislação e ações de gestão de resíduos sólidos em Teresina? E como resposta, a perspectiva de que há encontros e desencontros de sentidos, considerando tratar-se de racionalidade comunicativa, portanto processual, que amplia os encontros de sentidos na medida em que os processos comunicativos são ampliados. Em decorrência, o objetivo geral da investigação visa analisar a dinamicidade existente entre a racionalidade comunicativa, as políticas públicas e a legislação na gestão de resíduos sólidos na cidade de Teresina. E para atingir esse objetivo geral, foram traçados os seguintes objetivos específicos: discorrer sobre a questão ambiental, incluindo resíduos sólidos como parte do meio ambiente; discutir a normatização sobre resíduos sólidos em âmbito nacional e local, bem como as práticas da política de gestão dos resíduos sólidos da Prefeitura Municipal de Teresina e, por fim, discorrer sobre os sentidos de resíduos sólidos como racionalidade comunicativa e ambiental. Trata-se de pesquisa com abordagem qualitativa pela leitura e interpretação de documentos normativos federal e municipal e dos dados coletados através de aplicação de entrevista semiestruturada, diário de campo e registros fotográficos, com organização em mapas de associação de ideias pelas categorias teóricas adotadas.

  • FRANCISCO WERIQUIS SILVA SALES
  • "AO NOSSO VER É A FELICIDADE", "É A LIBERDADE": BINARISMO DE GÊNERO E HETERONORMATIVADE EM SOCIABILIDADES JUNVENIS NUMA ESCOLA TERESINENSE.
  • Orientador : FRANCINEIDE PIRES PEREIRA
  • Data: 02/04/2018
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  • A relação entre escola e sexualidade é marcada por disputas de poder, tensões referentes à posicionamentos diversos acerca do lugar que ocupa a sexualidade na prática dos sujeitos no exercício do processo educacional. No tocante aos corpos dissidentes de gênero e sexualidade, em conflito com a heteronorma, essa relação é, ainda mais, marcada por meticulosa vigilância e disciplinamento. Entendendo a escola enquanto espaço sociocultural, objetivo compreender os desdobramentos subjetivos da heteronormatividade e do sistema binário de gênero, enquanto dispositivos normativos, nas sociabilidades de jovens dissidentes de gênero e sexualidade e as estratégias de subversão, produzidas por esses sujeitos, a esses dispositivos, no contexto de uma escola pública de nível médio de Teresina-PI. Verificando como se dão as experiências relacionadas à vivência da sexualidade desses jovens e possíveis transgressões ao modelo heteronormativo no espaço escolar, identificando os discursos produzidos sobre sexualidades, e apreendendo como esta atua na formação dos seus grupos de sociabilidade. A pesquisa foi qualitativa, operacionalizada por meio de etnografia no espaço da escola, com o uso de observação participante e oficinas com as/os discentes. Os discursos das/os jovens sobre si, ao tempo que denunciam o caráter naturalizado do gênero, apontaram a dinâmica estratégica do uso da feminilidade e masculinidade, ora como elemento necessário para se perceberem num estado de felicidade, ora atuando como mecanismo de sobrevivência em ambientes hostis, em outros como elemento de contestação da ordem do gênero e dos processos de violências que incidem sobre eles. Nos discursos sobre os outros, acionaram instituições como a escola e a família, além de docentes e discentes, e apontaram a importância que estes têm na forma como elas/es se percebem enquanto sujeitos e vivenciam sua sexualidade e o gênero. Suas experiências apontaram as formas como são re-produzidos discursos nas quais a heteronormatividade e o binarismo de gênero agem como dispositivos de normatização e apontaram mecanismos estratégicos de subversão e resistências da realidade e reconhecimento de suas existências, através principalmente dos grupos de sociabilidades nas quais interagem.

  • MACILANE GOMES BATISTA
  • GENERO, VIOLENCIA CONTRA MULHER E A ASSISTÊNCIA SOCIAL: PERCEPÇÃO DE GÊNERO DOS PROFISSIONAIS DO CENTRO DE REFERENCIA ESPECIALIZADA DA ASSISTENCIA SOCIAL-CREAS NO ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA EM TERESINA - PI
  • Orientador : MARIA ROSANGELA DE SOUZA
  • Data: 26/03/2018
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  • As múltiplas expressões da violência de gênero, especificamente a violência contra a mulher, situa-se como tema central deste estudo. Tal violação (ões) significa, dentre vários aspectos, assumi-la (s) como assunto de políticas públicas, problematizando seu enfrentamento em face da institucionalidade vigente, mas, principalmente, adotando estratégias governamentais para proteger socialmente as mulheres. Este cenário tem o intuito de vislumbrar os avanços legais que referenciam garantias e direitos específicos às mulheres e, ao mesmo tempo, o desafio cotidiano do trabalho das equipes multidisciplinares que, dentre suas várias funções, está em atender os indivíduos e suas famílias em situação de risco social e pessoal. A presente investigação visa identificar a percepção de gênero que atravessa o atendimento dos profissionais dos CREAS às mulheres em situação de violência. O objeto de estudo baseia-se no fato de que a assistência social é integrante da rede de atendimento especializado à mulher em situação de violência, conforme preceitua as legislações e diretrizes, tanto da política de enfrentamento à violência contra as mulheres, bem como da própria política de assistência social, considerando, desta última, suas finalidades institucionais, perfil de público e dos referidos profissionais para atuação. Destes profissionais são exigidas diversas competências e habilidades, dentre elas, o enfoque de gênero. Pressuponho que o gênero é essencial como categoria analítica e de instrumentalização técnica no contexto profissional para uma efetiva atuação com diferentes indivíduos e famílias que se constituem como públicos diretos. Nesse aspecto, desenvolvi uma pesquisa por meio de uma abordagem predominantemente qualitativa. O estudo de caso foi uma técnica utilizada com os profissionais do CREAS/Norte, pois permitiu aprofundar questões no âmbito dos significados, aspirações, crenças, valores que se expressam no campo das relações, dos processos, dos fenômenos e representações sociais. Na operacionalização da investigação, foi realizado estudo bibliográfico e documental, além de entrevistas estruturadas individuais e em grupo com os cinco técnicos de referência no atendimento do CREAS (gerente, assistentes sociais, duas psicólogas) para a construção dos dados. No tratamento analítico dos dados foi utilizado a análise de discursos destes profissionais, levando em conta a transversalidade da percepção de gênero, a partir do público referenciado, o procedimento de trabalho adotado, da performance na articulação em rede. Para tal análise, foi adotada uma perspectiva que considere as representações sobre a realidade da violência contra a mulher e seu enfrentamento historicamente constituídos de disputas simbólicas e relacionais inerentes a contextos diversos. Os aportes teóricos que se articulam nesta pesquisa consistem no pensamento de Scott (1995) e Foucault (2014), para compressão de gênero como elemento constitutivo das relações sociais e de poder; além dos estudos de Oliveira e Cavalcanti (2007), Grossi (1998), Piscitelle (2002), Pasinato (2015), Laurentis (1994), Bandeira (2005) e Saffioti (2004), dentre outros que permitem a reflexão sobre gênero e violência contra a mulher. Considera-se a importância desse estudo por destacar a construção de papéis masculinos e femininos que atravessam relações de dominação produzindo a violência contra a mulher e, nesse processo, a subordinação feminina. Enfatiza-se que não é natural, nem estática e imutável, portanto, transformável. Sua desconstrução e/ou desnaturalização é processo social e histórico, sob entendimento que tais relações de poder são plurais, constituídas, instituídas e atravessam toda a sociedade.

  • JOSÉ MARIA ALVES DA CUNHA
  • FAMÍLIA, TRABALHO E GERAÇÃO: um estudo sobre as relações entre a pesca artesanal e o turismo na localidade Barra Grande - Cajueiro da Praia - Piauí
  • Orientador : SAMUEL PIRES MELO
  • Data: 26/02/2018
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  • A localidade Barra Grande (Cajueiro da Praia – PI) há cerca de duas décadas tem percebido mudanças de ordem social, econômica e cultural oriundas da exploração de seus territórios aquático e terrestre pelo turismo, que tem condicionado um modo de vida diferente para membros de famílias pesqueiras artesanais, sobretudo no âmbito do trabalho, da organização familiar e geracional. Sendo assim, este trabalho tem por objetivo geral analisar as noções de reflexividade de membros de famílias pesqueiras artesanais de Barra Grande acerca dos seus modos de vida e das mudanças decorrentes da operacionalização do turismo nos seus territórios aquático e terrestre. E os objetivos específicos buscam: 1) Descrever como os membros das famílias pesqueiras constituem o trabalho, as relações de família e aspectos geracionais nos territórios aquático e terrestre; 2) Verificar como está sendo realizada a transmissão da tradição pesqueira artesanal e como a juventude local tem articulado suas vivências em meio à modernidade; 3) Relacionar como o turismo tem impactado as sociabilidades de membros das famílias pesqueiras a partir das categorias trabalho, família e geração. A pesquisa deriva de um estudo etnográfico, feito com observação participante e realização de entrevistas semiestruturadas, servindo de apoio o diário de campo. Entre homens, mulheres e jovens, participaram dezenove pessoas de três famílias pesqueiras. A pesquisa de campo ocorreu entre agosto e outubro de 2017, durante cerca de 60 dias. A pesca foi gradativamente a mais acometida pelas transformações decorrentes da vida moderna. Houve redução sensível do número de pescadores, sobretudo pela mudança da atividade tradicional para a assalariada por parte de novos possíveis pescadores. Mesmo assim, a pesca tem sobrevivido com a adoção do turismo enquanto possibilidade de ampliação do lucro pela venda direta do pescado a turistas/excursionistas, embora a população nativa ainda predomine como cliente. Os homens adultos continuam o labor na pesca, enquanto as mulheres passaram a experimentar o trabalho nas lides do turismo, admitindo novas orientações quanto à divisão do trabalho doméstico. A posição da mulher ganhou avanços, mormente pela capitalização que lhe destacou em casa, diminuindo a sujeição e a subordinação aos maridos, com autonomia e breve independência, mas ainda marcada por restrições. A juventude apresenta-se com distinção, pois passa por um estágio importante de deslocamento identitário. Para jovens locais, a pesca como modo de vida ficou no passado, acumulando possibilidades de trabalho ou da constituição de suas individualidades mediante a realização de seus projetos de vida, bem como pelo rápido assalariamento nos equipamentos do turismo. Portanto, as mudanças são de grande monta e particulares às pessoas que de certa forma tem sabido tirar proveito das condições que lhes foram impostas pela atividade do turismo, principalmente pelo fator econômico.

     

  • LUISA NAYRA DA SILVA GOMES
  • INDISCIPLINA EM TEMPOS DE MEDICALIZAÇÃO: UM ESTUDO HISTÓRICO-CULTURAL EM TERESINA-PI
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 26/02/2018
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  • O presente trabalho tem como tema o processo de medicalização da indisciplina escolar e como principal objetivo compreender o processo de produção sócio-histórico-cultural da indisciplina escolar e sua relação com o fenômeno da medicalização da educação e sociedade em uma instituição de ensino de Teresina-PI, como objetivos específicos inquirir os aspectos sócio-histórico-culturais da produção da indisciplina no cotidiano de uma instituição de ensino, levantar o perfil sociodemográfico dos alunos encaminhados com queixa de indisciplina escolar e caracterizar a medicalização da educação e sociedade frente a indisciplina reduzida ao contexto escolar. A fundamentação teórica se deu, sobretudo a partir de uma perspectiva pautada principalmente nos referenciais da Sociologia, Sociologia da Educação, Psicologia da Educação, Pedagogia e Antropologia. No campo da In/disciplina os principais autores utilizados foram Aquino (1998), Estrela(1994), Prairat(2004), Foucault(2005; 2013), Pereira&Perreli(2009) e Silva(2007) no campo da Medicalização da Sociedade e Educação os autores mais utilizados foram Illich(1981), Conrad(1990), Zola(1972), Luengo(2009), Moysés e Collares(1994; 2015). Trata-se de um estudo qualitativo de caráter descritivo de base etnográfica, a pesquisa contou com a participação de 156 participantes entre discentes, monitores, militares, professores e servidores, como instrumento de coleta de dados utilizou-se questionários sócio demográficos, questionários com questões abertas e fechadas, diários de campo e roteiro de entrevista. Para análise de dados foi usado o software Iramuteq que é um programa de análise textual, após transcrição das entrevistas e questionários, foi utilizada também a técnica de Hermenêutica de Profundidade- HP para análise, que se divide em três fases sendo a primeira a análise sócio-histórica que tem por objetivo a reconstituição criteriosa das condições sociais de produção do objeto estudado, a segunda é a análise discursiva que corresponde ao estudo de como a fala/imagem do objeto é transmitida e a terceira e última é a reinterpretação dos dados obtidos onde há a explicação interpretativa plausível e bem fundamentada do fenômeno investigado. Os procedimentos metodológicos se deram inicialmente com a submissão do projeto ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Reis Veloso (CMRV), com autorização e número de CAAE: 56872716.3.0000.5669 obtendo aprovação por meio do parecer consubstanciado 1.958.088 em segui o parecer foi entregue aos órgãos competentes para início da pesquisa bem como a direção da escola, em seguida iniciou-se o contato com a escola, após o aceite da mesma. A pesquisa no campo partiu do contato com a escola, e em seguida com a inserção no meio escolar com registro em diários de campo para depois a realização das entrevistas e aplicação de questionários. Após observação e coleta de dados foi perceptível que as queixas sobre indisciplina escolar são maiores nas turmas de 1º do ano do ensino médio e reduzem significativamente no 3º, as maiores intervenções realizadas pela escola são relacionadas as faltas disciplinares que possuem uma penalidade ou punição própria, as faltas mais reincidentes dos alunos se referem a alteração no fardamento e uso de tecnologia/rede sociais na escola, foi visível ainda o cuidado com os alunos por parte do corpo escolar não apenas dentro dos muros da escola, mas fora também através de uma rede de cuidado constituído dentro da própria escola utilizando ,além da comunicação com a família, rede sociais.

     

  • MAYARA MAIA IBIAPINA
  • PERCEPÇÃO DE CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS: um estudo sobre pescadores artesanais na Comunidade Pedra do Sal (PI)
  • Orientador : SAMUEL PIRES MELO
  • Data: 26/02/2018
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  • A Comunidade Pedra do Sal está situada no litoral norte do estado do Piauí, surgiu inicialmente através da atividade pesqueira, como as demais comunidades situadas nesta região, além da pesca, a comunidade apresenta uma diversidade de atividades como a agricultura familiar, o extrativismo e o turismo, por isso, são encontrados também, uma diversidade também de atores. Atualmente, os moradores da Comunidade Pedra do Sal, enfrentam muitas intervenções em seu território que provocam situações de risco e conflitos socioambientais, nesse contexto, estão também o grupo central a construção deste trabalho, os pescadores artesanais, pois, além de problemas como a pesca industrial predatória, o aumento da população costeira, o avanço da urbanização coma a especulação imobiliária e o turismo de massa, ocorreu, no ano de 2008, a instalação de uma usina eólica causando grandes impactos em seu território. O objetivo geral da pesquisa é analisar a percepção dos pescadores artesanais da Pedra do Sal sobre os conflitos socioambientais que interferem na produção e reprodução do seu modo de vida. Trata-se de uma pesquisa de natureza exploratória de abordagem qualitativa que utiliza entrevista semiestruturada em uma amostra do tipo intencional e a observação direta para coleta de dados e recorre a pesquisa bibliográfica e documental para subsidiar as análises.

2017
Descrição
  • ALBA VALÉRIA DE SOUSA BATISTA
  • VIOLÊNCIA DE GÊNERO: o atendimento a mulher em situação de violência doméstica no Hospital de Urgência de Teresina-HUT
  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 31/10/2017
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  • Este estudo tem como tema central a violência de gênero, especificamente, a violência doméstica contra a mulher em interface com a saúde, cujo objetivo consistiu em compreender como se processa o atendimento dos(as) profissionais do Hospital de Urgência de Teresina-HUT às mulheres em situação de violência doméstica. Assim, a categoria gênero torna-se indispensável para análise deste fenômeno, posto que remete a relações desiguais entre os sexos. Trata de uma pesquisa de abordagem qualitativa com aplicação de entrevistas semiestruturadas e observação direta sobre o atendimento profissional cujo tratamento analítico dos dados se deu via análise de discurso. A violência de gênero, especificamente, a violência doméstica contra a mulher foi reconhecida pela Organização Mundial de Saúde - OMS e Organização Pan-Americana de Saúde - OPAS como um grave problema de saúde pública e uma violação aos direitos humanos das mulheres, devido sua magnitude e diversos impactos físicos, emocionais que causam à saúde das mulheres, gerando altos custos para a área da saúde. Este reconhecimento, no entanto, não é percebido nas ações e discursos de muitos profissionais de saúde desde a atenção básica até a alta complexidade, havendo uma invisibilidade do problema nos serviços de saúde em geral. Os resultados desta pesquisa mostraram que os(as) profissionais possuem um conhecimento limitado acerca de gênero e da relação deste com a violência. Em relação ao atendimento profissional percebeu-se que as ações realizadas são fragmentadas e focadas no tratamento das lesões físicas, não havendo, na maioria das vezes, acolhimento e escuta qualificada às mulheres que buscam atendimento nesse serviço de saúde. Sobre os procedimentos e ações no atendimento afirmaram não existir um protocolo de atendimento específico para os casos de violência contra a mulher; há ausência de capacitações na área de gênero que poderia ensejar um atendimento qualificado e especializado; a infraestrutura material e física é inapropriada para um atendimento de qualidade; o quadro de profissionais é insuficiente para a grande demanda de atendimentos do hospital; o tempo exíguo para o atendimento aos(as) usuários(as) acaba sendo um obstáculo para atendimentos a mulheres que sofreram violência doméstica, visto que a disponibilidade de tempo é um fator importante  para realização de uma escuta qualificada e acolhimento satisfatório. Os(as) profissionais desconhecem a Rede de Atendimento a Mulher em Situação de Violência e não se reconhecem como membros integrantes desta, nem há articulação com outros serviços da rede; Os casos de violência doméstica contra a mulher, na maioria das vezes, não são registrados de forma clara e direta no prontuário favorecendo a sua subnotificação e contribuindo para a invisibilidade do problema nesse serviço. Sabe-se que os serviços de saúde, especificamente, os hospitais de urgência são pontos estratégicos para identificar e atuar sobre o problema da violência, visto que são as principais portas de entrada dessas mulheres na Rede de Atendimento. Conclui-se, portanto ser necessário repensar o atual modelo de atendimento institucional às mulheres em situação de violência, melhorando a qualidade da sua infraestrutura material e de pessoal, além de investimento em capacitações e treinamentos específicos sobre o tema gênero para os(as) profissionais da instituição. Sugere-se, ainda, a criação de equipes de referência para acolher esta demanda, além do uso de estratégias de sinalização e indicação para as usuárias que a instituição é um ponto de apoio para atendimento e enfrentamento da violência, para tanto se faz necessário melhorar a ambiência hospitalar, criando espaços discretos e reservados para o atendimento dessas usuárias a fim de que se sintam acolhidas, seguras e encorajadas para romperem com o ciclo da violência e o silêncio acerca da violência sofrida, denunciando seus agressores abrindo, assim, caminhos em direção a uma vida digna e livre de violência.

  • LIANA LIMA GONÇALVES AZEVEDO
  • As ambiguidades da participação feminina no tráfico de drogas: o discurso de mulheres sentenciadas em Teresina – PI.
  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 26/10/2017
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  • O crime tem sido estudado a partir de uma perspectiva de masculinização da delinquência, invisibilizando as práticas delituosas femininas. Todavia, sabe-se que há  um crescimento da participação de mulheres no crime e em cargos de liderança, sobretudo no que se refere ao tráfico de drogas. Por que estão inseridas no tráfico de drogas e como se processa essa participação? O objetivo geral desse estudo é compreender a dinâmica das relações de gênero que envolve essas mulheres traficantes. De maneira específica buscou-se averiguar os motivos dos seus envolvimentos com o narcotráfico; identificar os lugares que têm ocupado nesse contexto estabelecendo relações entre as funções exercidas no crime e os papeis de gênero que lhes são atribuídos tradicionalmente na sociedade. Para tanto, tomou-se os discursos das detentassentenciadas na PFT-PI pelo comércio de entorpecentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com aplicação de entrevistas semiestruturadas e categorizadas na forma de Mapas de associação de ideias (SPINK,2010), apreciadas analiticamente via Análise de Discurso Crítica (ACD). As categorias conceituais centrais que fundam a base teórica dessa produção dizem respeito a gênero (SCOTT, 1995), entendido como elemento constitutivo das relações sociais e relações de poder que se apresentam tanto em nível estrutural, como microfisico (BOURDIEU, 2002 FOUCAULT, 1997); ao tráfico de drogas enquanto delito (BECKER, 2008). Dos resultados da investigação infere-se que as referidas mulheres vivenciam ambiguidades de posições sociais no contexto do narcotráfico a depender de com quem se relacionam: ora foram envolvidas sem que tivessem arbítrio, ora envolveram-se para romper com o lugar marginal reservado historicamente a elas; ora foram envolvidas porque lhes cabia enquanto mulher-mãe-esposa, ora negaram esses papeis e buscaram subverter o status quo pela criminalidade. Verificou-se, assim, certa fluidez relacional de posições sociais que as fazem ambiguamente protagonistas e subjugadas

  • EDNA DE BRITO AMARAL
  • Sucesso escolar e medicalização da educação: representações sociais de professores de Cocal dos Alves/PI
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 06/10/2017
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  • A educação no Brasil configura-se como um campo de investigação que favorece a discussão sobre muitos aspectos, como por exemplo o sucesso escolar e a medicalização da educação, temas norteadores da presente dissertação. É válido pontuar que a realidade educacional do país é idiossincrática, atualmente percebe-se que, apesar de muitas dificuldades, existem avanços, índices que demonstram realidades com casos reais de sucesso escolar, como é o caso da cidade de Cocal dos Alves, localizada no norte do Piauí. Com enfoques de Bernard Lahire que compreende o sucesso escolar como o grau de consonância existente entre as práticas cotidianas no que concerne à escrita, as condições e disposições econômicas, a ordem moral doméstica, os modos com os quais é exercida  a autoridade familiar, as práticas familiares de escolarização, estas distintas em cada família em particular e Pierre Bourdieu , em sua teoria da reprodução, defende que o sucesso escolar dá-se pelo grau de capital cultural que a família detém. Este sociólogo traz essa concepção por meio de uma crítica à ideologia de classes dominantes que acaba por segregar uma parcela da população que advém de classes menos favorecidas aos casos de insucesso escolar, neste ínterim que se observa o movimento das desigualdades sociais. Diante destes aspectos, o presente trabalho objetivou identificar as Representações Sociais acerca do sucesso escolar e medicalização da educação entre professores da rede pública de ensino da cidade de Cocal dos Alves-PI. Os sujeitos da pesquisa foram 82 professores da rede pública, municipal e estadual, da cidade de Cocal dos Alves, destes 79,3% eram do sexo feminino e 20,7%, masculino. Com relação à naturalidade, 40,2% são naturais de Cocal dos Alves, 26,8% de Cocal. Quanto ao estado civil, a maioria é casada, 58,5%, e apenas 37,8% são solteiros. Como orientação religiosa predominou a católica com 78,3% enquanto a protestante representou 17,4% dos entrevistados. Entre esses docentes, 58,5% afirmaram possuir renda compreendida entre 2 e 3 salários mínimos, 18,3% entre 3-5 e 14,6% entre 1-2 salários mínimos. A formação predominante dos entrevistados foi pedagogia com 48,8%, teologia e letras inglês apareceram com 8,5%, história com 7,3%, enquanto normal superior, matemática e língua português com 4,8% cada. Em sua maioria os professores possuíam pós-graduação, 62,2%. Com relação à satisfação em ser professor 96,2% consideram-se satisfeitos. Vale destacar ainda que 82,9% dos professores participantes são efetivos. A pesquisa foi do tipo misto que se baseia no desenho metodológico do tipo triangulação em que permite a comparação de dados estatísticos com descobertas qualitativas de forma simultânea. Foi utilizado como instrumento um questionário sociodemográfico para conhecer o perfil dos sujeitos. Para conhecer as RS dos sujeitos acerca dos fatores citados utilizou-se a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), em que o método de análise foi a técnica das redes semânticas e uma entrevista semiestruturada em que as respostas foram transcritas e analisadas por meio do software Iramutec. Observou-se que os entrevistados representam o sucesso escolar como dedicação, compromisso, trabalho e responsabilidade com que docentes, gestão e os discentes tem com o processo educativo. A congruência entre família e escola é outro ponto significativo das representações dos docentes, aspecto este semelhante aos citados por Lahire em seus estudos. Não se observou diferenciação entre classes mais ou menos favorecidas nos discursos dos docentes. Com relação à medicalização da educação, percebeu-se a existência da mesma, seja nos altos índices de medicamentos controlados que foram entregues no município, pelo número de encaminhamentos de crianças para atendimento especializados e nos discursos dos docentes, que representam a medicalização de forma significativa pela “detecção” de problemas escolares, problemas psicológicos dentre outros. Assim sendo, não se pretende que esta dissertação esgote as discussões acerca dos fenômenos, mas que a mesma possa servir de impulso para outros estudos, ampliando para o restante da comunidade. Almeja-se que ela favoreça um diálogo mais crítico acerca do sucesso escolar e da medicalização da educação para se buscar debater questões referentes às desigualdades sociais e educação, bem como pensar de forma mais racional e crítica acerca dos altos índices de medicalização na educação.

  • KAROLYNA PESSOA TEIXEIRA CARLOS
  • REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA VELHICE LGBT: estudo comparativo entre universitários
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 04/10/2017
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    O idoso é a parcela da população cada vez mais representativa numericamente. A sexualidade vem sendo discutida nos últimos tempos como peça fundamental do envelhecimento ativo, porém quando se trata da sexualidade de idosos com um recorte específico, o público LGBT, que se entende os sujeitos que se identificam Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais esse debate é permeado de estigmas e preconceitos. Neste sentido surgem alguns questionamentos como: o que pensam os estudantes universitários sobre a velhice LGBT? Esses idosos têm condições de levar uma vida tranqüila e segura? Em vista disso, objetivou-se verificar e comparar as representações sociais de três grupos de estudantes universitários dos cursos de direito, psicologia e pedagogia acerca do envelhecimento LGBT. A amostra foi composta por 300 estudantes universitários uma Instituição de Ensino Superior privada na cidade de Teresina-PI. Tratou-se de uma pesquisa comparativa, de caráter quanti-qualitativo e corte transversal.  Com o intuito de conhecer o perfil dos participantes, foram aplicados questionários sociodemográficos. Para conhecer as representações sociais foram utilizados dois instrumentos: a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP), utilizando-se o método de análise fatorial de correspondência – AFC, através do software Tri Deux Mots e entrevistas semiestruturadas, em que as respostas foram transcritas e analisadas pelo software Iramuteq. Como resultados observou-se que emergiram representações em dois pólos antagônicos: por um lado, o direito que cada indivíduo tem em fazer suas escolhas sexuais independente da fase da vida que se encontram, por outro lado, o preconceito sofrido pelos LGBTs, agravando-se quando trata-se de pessoas idosas. Com esse estudo, espera-se contribuir para o desenvolvimento da temática, ainda pouco estudada e divulgada, para que assim haja uma maior compreensão dos novos arranjos da sociedade contemporânea, podendo desta forma contribuir para a implementação de políticas públicas que resguardam os idosos e principalmente do público LGBT.  

  • JOVIANE APARECIDA DE MOURA
  • A IMPLEMENTAÇÃO DA REFORMA PSIQUIÁTRICA EM TERESINA: DESVELANDO ATORES E PROCESSOS
  • Orientador : ANA BEATRIZ MARTINS DOS SANTOS SERAINE
  • Data: 28/09/2017
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  • O Brasil está experienciando a Reforma Psiquiátrica, relativa à transição para um novo modelo de cuidado para as pessoas em sofrimento mental em substituição às estruturas asilares. Esse processo se iniciou no final da década de 1970, no contexto da redemocratização do país, sob influência do Movimento da Reforma Sanitária. Nesse sentido, propomos um estudo sobre a Reforma Psiquiátrica em Teresina, visando compreender se o modelo de implementação dessa política impacta na desinstitucionalizacão da loucura e se contribui para a consolidação dos princípios da luta antimanicomial. O presente estudo está delineado em uma perspectiva qualitativa de pesquisa. Está ancorada na modalidade de pesquisa de campo, onde foi realizada uma inserção no contexto de vida cotidiana. Para a coleta de dados foram escolhidas como técnicas a análise documental e realização de entrevistas abertas com a finalidade de aprofundar as questões que os dados coletados nos documentos não permitirem explorar suficientemente. Para a interpretação dos dados foi utilizada a Análise temática ou categorial. O campo da pesquisa foi constituído principalmente pela Gerência de Saúde Mental de Teresina, a Gerência de Saúde Mental do Estado do Piauí e o Ministério Público Estadual. A amostra da população entrevistada foi constituída por pessoas que fizeram/fazem parte da implementação da Reforma Psiquiátrica na cidade de Teresina e que exerciam função/papel de gestores. Esta subdividido em três capítulos. O primeiro capítulo tem por objetivo apresentar um breve resgate histórico da loucura, refletindo sobre as diversas interpretações dadas a esse fenômeno e os distintos espaços sociais que lhe foram concedidos. Faz uma discussão teórica de alguns conceitos pertinentes ao tema da constituição da psiquiatria enquanto tutora da loucura, com o mandato social de única conhecedora desse objeto e como este saber foi questionado durante a Reforma Psiquiátrica, que trouxe uma nova perspectiva para acolher o sofrimento mental, ajudando a desconstruindo o paradigma manicomial. O segundo capítulo apresenta um panorama geral sobre políticas públicas, destacando alguns importantes conceitos da sociologia que auxiliam na sua compreensão e análise. Faz ainda um recorte histórico sobre a Reforma Psiquiátrica brasileira e a implementação do SUS. Por ultimo traz um resgate sobre a assistência à saúde mental em Teresina e a implementação da Reforma na cidade. O terceiro capítulo apresenta a análise das entrevistas e dos documentos, interligando esses conteúdos às teorias estudas, com o objetivo de compreender quais os impactos do modelo de implementação da Reforma Psiquiátrica no município, principalmente no que diz respeito ao processo de desinstitucionalização.

  • FRANCISCA DANIELE SOARES DO CARMO
  • POVOS DE TERREIRO NO CONTEXTO DE INTERVENÇÕES URBANÍSTICAS: Territórios sociais de religiosidade de matrizes africanas na zona norte de Teresina-PI e o Programa Lagoas do Norte - PLN.
  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 31/08/2017
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  • Este estudo de abordagem socioantropológica volta-se ao tema da constituição de territórios sociais de matrizes africanas nos centros urbanos em interface com processos de transformação da paisagem cultural do espaço citadino, tendo como foco lugares e trajetórias dessas religiosidades nas cidades. A pesquisa focalizou Povos de Terreiros da zona Norte de Teresina, Piauí, no âmbito de um processo de intervenções urbanísticas levadas a cabo pelo Programa Lagoas do Norte (PLN), política da Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) com financiamento do Banco Mundial. Este programa de “requalificação urbana”, com ações de largo espectro, vem sendo implementado, desde 2008, em 13 bairros da região Norte de Teresina, que compõem uma área denominada região das Lagoas do Norte. O programa, no discurso da gestão pública municipal, é veiculado como um conjunto de intervenções ambientais, sociais e econômicas integradas em território determinado, a fim de (re)vitalizar, (re)urbanizar e (re)qualificar bairros da zona Norte da cidade, solucionando problemas socioambientais que acometem, há muito tempo, a região. Com ênfase na dimensão socioambiental, os documentos do PLN fazem referência a ações voltadas à “preservação e à proteção da cultura local”, a exemplo do projeto de construção de uma controversa “Praça dos Orixás”, a ser edificada como espaço de memória-celebração dos cultos religiosos afro-brasileiros na cidade. A zona Norte de Teresina, tem, historicamente, entre seus marcadores culturais e identitários, a religiosidade, expressa nas culturas religiosas de matrizes africanas, com vasto número de casas de Umbanda e Candomblé. O primeiro terreiro de que se tem notícia nesta região teria sido fundado na década de 1930, na área de convergência dos rios Parnaíba e Poti, reconhecida como ponto original do povoamento da cidade. Com o tempo, novas comunidades de terreiros foram-se formando, e instituindo territorialidades em Teresina. No processo de urbanização da cidade, terreiros localizados nas áreas centrais foram sendo deslocados, e muitos acabaram (re)territorializando-se na zona Norte, região tida como de “bairros populares”. Estes territórios sociais encontram-se novamente ameaçados, inclusive, de deslocamento involuntário de terreiros e de famílias de santo, previsto no processo de intervenção do PLN. Na perspectiva epistemológica da interpretação e produção de sentidos, em diálogo com autores e ideias, a pesquisa buscou apreender os sentidos e significados que vêm sendo produzidos e acionados pelos Povos de Terreiro, entre consensos e dissensos internos, e nas relações com o poder público, acerca da Praça dos Orixás e das ameaças de remoções involuntárias de terreiros, abrindo para novos questionamentos sobre políticas públicas de intervenção urbanística e os territórios de religiões de matrizes africanas no espaço urbano

  • VERÔNICA GOMES OLIVEIRA
  • A MEDIAÇÃO JUDICIAL DE CONFLITOS FAMILIARES: discursos e prática no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania de Teresina - PI.
  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 28/08/2017
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  • Este estudo analisa a resolução de conflitos familiares por meio do uso da mediação judicial, a partir da percepção dos (as) mediadores (as), mediados (as) e juízes (as) das varas de família da cidade de Teresina-PI. A mediação familiar judicial é um procedimento utilizado pelo Centro Judiciário de Solução de Conflitos (CEJUSC) do Tribunal de Justiça do Piauí. O embasamento teórico da pesquisa baseia-se nas ideias de Simmel (1983), Giddens (2000), Santos (2011), Spengler (2010) e Morais (1998) que fundamentam as categorias de conflito, família e acesso à justiça. Ainda se recorre aos conceitos de discurso em Pêcheux (2002), Orlandi (2003/2006) e Fairclough (2001) e a teoria da comunicação racional de Habermas (1989/2016), por meio de seu agir comunicativo para fundamentar os discursos dos sujeitos pesquisados. A pesquisa prioriza utilização de metodologia qualitativa com técnicas de observação não participante e entrevistas semiestruturadas. A mediação de conflitos é um procedimento dialógico que pode ser aplicado em quase todos os tipos de conflitos, constituindo-se meio desburocratizado e consensual da retomada de diálogos, em que um terceiro acompanha as partes até chegar a resolução conflitual, ou não, podendo, em caso positivo, ser manifestada num acordo. Para tanto, a linguagem é a principal ferramenta utilizada pelos (as) mediadores (as), pois, por meio de uma comunicação conciliatória, empática e transformadora é possível compreender os interesses explícitos e implícitos das partes e conduzir a percepção do conflito de fenômeno negativo em fator positivo na vida dos (as) mediados (as). Nessa perspectiva, a análise dos dados da pesquisa permitiu concluir, a partir dos discursos dos sujeitos pesquisados, que a mediação familiar judicial pode sim ser utilizada na resolução dos conflitos de família e o poder judiciário piauiense precisa investir mais na estruturação dessa modalidade de pacificação de conflitos.  

  • JAHYRA KELLY DE OLIVEIRA SOUSA
  • PERSPECTIVAS DE MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR NAS ROTAS CRÍTICAS EM TERESINA-PI
  • Orientador : RITA DE CASSIA CRONEMBERGER SOBRAL
  • Data: 04/07/2017
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  • O presente trabalho de dissertação abordou a temática de violência de gênero, especificando-se nas violências doméstica e familiar, trabalhando com mulheres que viveram em situações desse tipo de violência e recorrem aos órgãos institucionalizados de enfrentamento à violência contra a mulher. Foi levantada a seguinte problemática: Quais as perspectivas das mulheres em situação de violência doméstica e familiar no curso das rotas críticas? Entendendo por perspectivas as formas como as mulheres viam a si e aos outros, bem como as violências e relações de gênero no decorrer das rotas. Por rotas críticas tem-se a concepção de Sagot (2000), trabalhada sob uma subdivisão elaborada na própria pesquisa: rotas processuais e rotas relacionais. Partiu-se inicialmente do debate de gênero, passando pelas concepções de Scott (1989) e Connel e Pearce (2015), em seguida fala-se do movimento feminista e da construção da epistemologia feminista através de teóricas do feminismo como Rago (1998), Harding (1993), Louro (2014), e demais teóricos da teoria social contemporânea como Santos (2015) e May (2004), passando à caracterização das Violências doméstica e familiar com Saffioti (2004) e a tipificação penal trazida pela Lei 11.340/2006, e das Redes de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e Rede de Atendimento Especializado, bem como identificando os órgãos que possui o Estado do Piauí, para por fim abordar as rotas percorridas, através de entrevistas, por quatro mulheres cujos processos judiciais foram encerrados e por uma mulher que foi acompanhada nesse percorrer. A pesquisa é de abordagem qualitativa. Os resultados encontrados foram indicativos de mudanças e permanências no que diz respeito aos serviços especializados, bem como os atendimentos realizados em cada órgão e as influências de pessoas das vidas cotidianas de cada mulher (parentes, vizinhos, colegas de trabalho, de igreja), indicando que há avanços e também retrocessos.

  • CAROLINA ALVES LEITE
  • MÃES EMPODERADAS: A MATERNIDADE EM GRUPOS DE APOIO A MÃES EM TERESINA.
  • Orientador : MARIA ROSANGELA DE SOUZA
  • Data: 26/06/2017
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  • O estudo teve como objetivo investigar e entender os sentidos da maternidade para mulheres-mães, que se relacionam em grupos de apoio as questões de maternidade, e como respondem aos dilemas e conflitos que esta as obstina, a partir do contato com ideias sobre feminino em grupos de mães via rede social. A pesquisa esclarece se realmente é constituída a identidade de mãe, como ela é construída e de que forma contribuições feministas moldam os pensamentos dessas mulheres, enquanto mães e como sujeitas de direito no exercício de suas individualidades. Os dados foram coletados através de entrevistas individuais com 15 (quinze) mães que participam de grupos de apoio à maternidade, baseadas na associação de ideias sobre maternidade e empoderamento, além de observação participante em encontros dos grupos de mães, nos quais elas interagem também pessoalmente. Em seguida, foi realizada analise de discurso parasse trabalhar com os sentidos que as mães dão à maternidade, indicando as ideologias, as historias e a linguagem por trás das falas. O pressuposto analítico que norteia o estudo é o empoderamento feminino, que conquistado através da interação das mães nos grupos de WhatsAapp, guia a construção da identidade de mãe e possibilita o enfrentamento das dificuldades da maternidade. O aporte teórico de discussão é composto pela interlocução entre literatura e teoria feminista, abordagem de gênero e teoria social, estendendo-se nos campos do poder, corpo, família e toda a relação com a maternidade. A analise dos dados revela que as mães passam por muitos obstáculo nas fases iniciais da trajetória materna e, ao superarem cada um deles, vivenciam a maternidade empoderada, que acaba se tornando uma identidade que elas sustentam como forma de darem sentido a suas maternidades, ressignificando os cuidados com os/as filhos/as, tradicionalmente designados às mulheres, e convertendo a maternagem e a identidade de mãe em empoderamento. A partir da ideia de que a mulher detém o dom da natureza e que encontram nela o poder para seguir sua prerrogativa, as mães pesquisadas utilizam-se, acima de tudo, de informação e conhecimento sobre elas mesmas e sobre o mundo a sua volta para assumirem e exercerem esse modelo de maternidade. Com a fácil troca de informações promovida pelos aplicativos de conversação como o WhatsApp, o compartilhamento de experiência entre mulheres se tornou maior e mais rápido e, consequentemente, mais mulheres tiveram contato com ideias feministas quando se veem na condição de mulheres e mães reprimidas em situações diversas de violência, desigualdade e abuso. Desse modo, essas mães procuram viabilizar respostas para o enfrentamento dessas situações e veem uma saída conquista do empoderamento, concretizado com a rejeição do sistema que impõe e limita a maternidade dessas mulheres e a vivencia da maternidade empoderada e intensiva. Não se conformando em serem submissas, as mulheres barram as forças coercitivas que tentam interferir em seu protagonismo, defendem não somente a ideia de vivencia todos os aspectos da maternidade de forma ativa, mas também como uma maneira de lutar contra dominação e alienação, na família, com a divisão sexual do trabalho, na sociedade, com o senso comum, e no discurso médico androcêntrico, com o poder cientifico legitimado. As mães resistem.

  • ROSELI OLIVEIRA SILVA
  • Agricultura familiar e práticas sociais: adaptações e resistências dos (as) agricultores (as) familiares que dialogam com a PNATER Bom Jesus-PI
  • Orientador : SAMUEL PIRES MELO
  • Data: 26/05/2017
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  • Emerge, cada vez mais, um cenário desafiador para as formas de agriculturas e ruralidades brasileiras. Dentre eles, o da estruturação empresarial e da emergência de tipos de agricultura familiar que, anteriormente desfavorecidos, passam a ser objetos de Políticas Públicas no Brasil, como aponta a literatura especializada. Isso nos interpela para a compreensão e o desvendar desses distintos grupos, das tecnologias utilizadas, do uso dos recursos naturais, nas relações com a terra, com o trabalho, com o mercado e com a família, entre outros, no intuito de contribuir para construção e implementação de políticas públicas reestruturadas às realidades. Para conduzir esses fios de inter-relações, este trabalho de pesquisa objetivou compreender as práticas sociais de adaptação e/ou resistências em um processo de transição agroecológica de agricultores (as) familiares de Bom Jesus–PI que aderem à PNATER. Com o levantamento de dados secundários foi possível identificar as dificuldades e as potencialidades de estratégias de reprodução dos (as) agricultores (as) familiares de base agroecológica. A realização de entrevistas semiestruturadas com as famílias agricultoras e com os extensionistas no município possibilitou correlacionar as práticas sociais de adaptação e/ou resistências desses sujeitos com as ações voltadas à agroecologia da ATER pública. Os focos principais de atenção na análise foram: as relações estabelecidas com a terra, o trabalho, a família e o mercado, as adaptações e as resistências relacionadas à produção agroecológica. Tomando por base as famílias entrevistadas, pode-se afirmar que existe neste município uma agricultura familiar que pode ser caracterizada como camponesa, em que a busca pela autonomia e a manutenção de práticas de reciprocidade são aspectos marcantes também na agroecologia como estratégia de resistência e reprodução socioeconômica no contexto atual de ameaças e privações, a partir de estratégias efetivas de reprodução social e econômica. Porém, observa-se que as relações entre as práticas de adaptação e resistências das famílias agricultoras entrevistadas e as ações de ATER estão inter-relacionadas, isto é, tem-se um discurso e uma metodologia que indiretamente acaba construindo essa proposta por meio também de outras instituições que se relacionam com a agricultura familiar no município.

  • MALÚ FLÁVIA PÔRTO AMORIM
  • LITIGÂNCIA ESTRATÉGICA E PRODUÇÃO DE SENTIDOS PELOS ATINGIDOS NO ROMPIMENTO DA BARRAGEM ALGODÕES I
  • Orientador : MARIA SUELI RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 24/05/2017
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  • Esta  pesquisa  visa  compreender  os sentidos  produzidos  pelos  atingidos com  o  rompimento da Barragem Algodões  I,  localizada  na  cidade  de Cocal-PI,  na  mobilização  por  seus direitos humanos  violados,  realizando-se  a  análise  através  do  conceito  de litígio  estratégico.  Para  isso, foi discutido  o  processo  de  mobilização  das  pessoas  afetadas  pela  tragédia  socioambiental, considerando  suas  identidades  e  o  modo  como  se  percebem  no  processo,  a  forma  como  se organizam,  as  ações  que  realizam  e  o  modo  como  os  outros  atores  envolvidos  no  conflito reagem  às  demandas  formuladas  pelos  atingidos.  Assim,  as  pessoas  afetadas  pelo  desastre buscam  não  só  a  reparação  dos  danos  sofridos,  mas  acionam  o  Poder  Judiciário  para pressionar  o Estado a  fornecer  resposta  adequada  às  suas  demandas  e  alterar  políticas  públicas a  fim  de  proporcionar  melhoria  nos  seus  modos  de  vida.  Desse  modo,  esta  pesquisa  tem relevância  na  medida  em  que  pretende  evidenciar  o  uso  do  litígio  estratégico,  um  tema  pouco estudado  no  Brasil,  pelas  vítimas  do  rompimento  da  barragem  na  busca  por  reparação  e efetivação  de  direitos  individuais  e  coletivos.  Além  disso,  trata-se  de  um  dos  maiores desastres  socioambientais  ocorridos  no  Estado  do  Piauí,  que  exemplifica  os  problemas vivenciados  pela  população  que  vive  no  meio  rural  e  como  as  desigualdades  sociais  são reforçadas  nos  contextos  de  tragédia.  Some-se  a  isso  o  fato  de  que  um  acidente  nestas proporções  deveria  levar  o  poder  público  a  uma  maior  vigilância  nas  condições  de represamento  dos  recursos  hídricos  e  rejeitos,  ao  evidenciar  os  impactos  negativos  advindos de  grandes  empreendimentos.  A  pesquisa,  que  no  polo  teórico  reveste-se  de  abordagem qualitativa  e  traz  uma  perspectiva  de  valorização  de  saberes  não  hegemônicos,  utilizou-se  de levantamento  bibliográfico  para  análise  das  informações  levantadas  e  investigação documental,  além  de  observação  com  uso  de  diário  de  campo  e  entrevistas  semi-estruturadas. Conclui-se,  desse  modo,  que  ao  perceberem-se  participantes  de  uma  comunidade  política  e portadores  de  direitos,  os  atingidos  pelo rompimento da  barragem  mobilizam-se  e  reivindicam seus  direitos  que  não  estão  sendo  garantidos  porque  se  reconhecem  sujeitos  constitucionais  e utilizam  a  litigância  estratégica  como  uma  forma  de  tratamento  do  conflito  socioambiental instaurado  com  o  rompimento  da  Barragem  Algodões  I,  buscando  o  equilíbrio  de  forças  entre os  atores  envolvidos  no  conflito,  principalmente  com  a  conquista  de  aliados,  por  meio  de manifestações  e  discussão  na  esfera  pública,  a  fim  de  conseguir  com  que  suas  demandas sejam  atendidas  tanto  no  plano  da  disputa  processual  em  curso  no  Poder  Judiciário  quanto  no campo  político,  com  a  adoção  de  políticas  públicas  voltadas  a  seus  interesses.  Além  disso,  a litigância  estratégica  se  mostra  uma  forma  de  disputar  a  narrativa  do  direito,  tornando-se  as pessoas  atingidas,  de  fato,  autoras  da  sua  história  e  das  normas  constitucionais,  resultado  da interpretação, constituindo uma  fronteira  entre  o direito orgânico  e  o sintético

  • MARIA DE JESUS MARTINS DE ANDRADE CUNHA
  • FAMÍLIAS LESBOAFETIVAS: descortinando as relações de gênero e sexualidade entre mulheres.
  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 31/03/2017
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  • As mudanças ocorridas na contemporaneidade no que tange a família, gênero e sexualidade são consideradas uma das mais revolucionárias, afirmando-se a variedade de experiências que giram em torno da suas configurações, sujeitos e relações. Embora considerando essas mudanças ainda é um desafio tratar de relações afetivo-sexuais entre o mesmo sexo, visto que essas pessoas têm passado, ao longo da história, por processos de apagamento e discriminações sendo percebidas, em geral, como desviantes e odiosas. Este estudo trata das experiências de mulheres dissidentes de relacionamentos heterossexuais, com e sem filhas(os), que atualmente vivenciam relações afetivo-sexuais com outras mulheres. O objetivo é compreender como se processa a dinâmica familiar lesboafetiva na vida dessas mulheres no tocante as relações de gênero e sexualidade, com a finalidade de verificar se essa relação afetivo-sexual é vivida de forma mais igualitária quando comparada à relação heterossexual. As relações de gênero são aqui expressas através da divisão sexual do trabalho, onde são destacadas questões relativas às tarefas domésticas, criação dos filhos e provisão econômica da família; a sexualidade é proclamada através das relações afetivo-sexuais vividas por essas mulheres e, destacando questões relativas a casamento, desejo, traição, separação. A discussão teórica inclui as categorias analíticas: família, gênero, e sexualidade, particularizando nesta a lesbianidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujo tratamento analítico dos dados deu-se através da análise de discurso, com aplicação de entrevistas semiestruturadas junto às mulheres, a fim de apreender os discursos produzidos sobre suas vivências afetivo-sexuais e de gênero no contexto familiar. Os resultados mostram que as relações lesboafetivas apresentam características mais igualitárias que as heterossexuais. A dinâmica familiar e as relações sexuais lesboafetiva são marcadas por certa flexibilidade, diálogo e companheirismo entre o casal, e a autonomia e liberdade no uso do corpo é um princípio fundamental dessa relação. Embora sejam mais igualitárias não significa dizer que tais relações estejam isentas de práticas machistas. Por fim, no que diz respeito à identidade social, algumas mulheres assumem sua lesbianidade e outras não, o que lhes permite um transito mais flexível em relação às experiências sexuais.

2016
Descrição
  • TIAGO FERREIRA DE SOUSA NETO
  • #CONTRAOAUMENTO: uma análise das articulações dos protestos contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em Teresina – PI.

  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 30/08/2016
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  • A presente pesquisa analisa as manifestações sociais no espaço virtual e nas ruas, contra o aumento da passagem do transporte público de Teresina – PI, nos anos de 2011 e 2012, que contribuíram na implantação de integração ônibus-ônibus no sistema de transporte da cidade. As manifestações tiveram início tímido com a presença de pessoas ligadas a entidades estudantis, sindicais e populares, mas foi ganhando volume em decorrência da ação violenta da força militar em repreender os manifestantes e a facilidade de interação que as redes sociais virtuais facebook e twitter proporcionaram aos lideres na divulgação e convocação de pessoas às ruas e na ação de denúncia de repressão as manifestações. A teoria que fundamenta a pesquisa relaciona-se aos movimentos sociais e ação coletiva (CHAZEL, 1996; GOHN, 1997-2008-2014;  MELUCCI, 2001 SCHERER-WARREN, 1987-2014), globalização (BAUMAN, 1999; HELD, 2001; MCGREW, 2001; IANNI, 1994-1998), redes, ciberespaço, ciberativismo (CASTELLS, 1999-2004-2013; BATALHA, 2011; KAUFMAN, 2012;  LÉVY, 1993-1996-1999; MALINI, 2013;), transporte e mobilidade urbana (MELLO, 1981; NUNES, 2013; LEITÃO, 2013; VASCONCELLOS, 2001-2011); que possibilita melhor compreensão sobre as manifestações como fenômenos sociais coletivos. A pesquisa tem base metodológica qualitativa, utiliza a análise documental, entrevista e imagens. Mas também se apoia em dados quantitativos que facilita maior apreensão do objeto estudado. Os resultados alcançados indicam que as manifestações contra o aumento do transporte em Teresina não tiveram como base apenas a questão econômica (reajuste da tarifa), elas pautaram um sistema de transporte público de melhor qualidade e acessibilidade aos teresinenses; não trouxeram resultados tão significativos na mobilidade urbana e; as redes sociais contribuíram na organização das manifestações, mas foram estruturadas sob bases ideológicas dos movimentos estudantis, sindical e entidades populares.

  • THERESA RACHEL MENDES DA SILVA RODRIGUES
  • "EU SOU JOVEM RURAL E COMVAPEIRO": uma análise das identidades de jovens trabalhadores assalariados rurais nos canaviais da Usina COMVAP/Olho D'Agua no municipio de União-PI.

  • Orientador : MARLUCIA VALERIA DA SILVA
  • Data: 09/08/2016
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  • O estudo presente analisa o processo de constituição das identidades dos jovens assalariados rurais que se inserem no mercado de trabalho sucroalcooleiro na agroindústria COMVAP/Olho D´agua. O lócus da pesquisa foi município de União-PI, onde está situada a referida agroindústria, a qual se encontra em atividade por mais de três décadas na região. O suposto desta pesquisa foi o de que nem todos os jovens assalariados rurais que se inserem no mercado de trabalho na cadeia produtiva da cana de açúcar, têm suas identidades modificadas totalmente, em decorrência do aumento da condição material adquirida com a venda de sua força de trabalho e o experimento de outras sociabilidades de trabalho. O segmento juvenil assalariado rural na cadeia produtiva da cana de açúcar carrega a herança do universo rural, o que faz uso no exercício do trabalho nos canaviais mantendo aspectos no seu modo de vida, que ainda é entendido como atraso em relação a liquidez da contemporaneidade. Entretanto, com o estreitamento das distâncias entre os espaços rural/urbano, outras mentalidades se manifestam entre os jovens que absorvem novos valores e despertam anseios próximos do modo de vida urbano. Assim, novas relações identitárias se reproduzem nas ruralidades, atravessando contextos específicos, como no caso dos sujeitos em questão, permeados de novas nuanças e vivencias também estimuladas pelo assalariamento. Não obstante, os processos identitários se verificam de maneira diferenciada, partem do trabalho que exercem nos canaviais, dos projetos de autonomia que nutrem e dos espaços de sociabilidades que transitam, acionando as identidades que lhes competem, ora jovem rural, ora jovem comvapeiro, mas, sem perder a herança rural.  Esta pesquisa é qualitativa e ancorada metodologicamente no aporte teórico marxista na busca de conhecer o real dirimindo dúvidas e guiando a ação, numa perspectiva transformadora para discutir as categorias agronegócio e trabalho, que representam a base concreta-material do fenômeno pesquisado. Mas, por uma ótica que reconhece a produção de simbologias através das materialidades, a qual “não se deve entender os fatos sociais isoladamente ou abstraídos da influência política, econômica e cultural” (GIL, 1999 p. 40), pois como verificado no campo de pesquisa há uma necessidade de interpretar como as materialidades (o trabalho) determinam a construção das subjetividades dos jovens, principalmente ao acionar e negociar as suas identidades. Os recursos metodológicos usados na pesquisa foram: observação participante, análise de documentos, reportagens e narrativas dos sujeitos nas entrevistas; e ainda o diário de campo foi outro recurso vital para o registro de conversas, lugares, números, informações e dados da geografia local.

     

     


  • BRUNA KARINE NELSON MESQUITA
  • AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS SOBRE O ENSINO DE SOCIOLOGIA E A FORMAÇÃO DOCENTE: UM ESTUDO ACERCA DO PIBID DE SOCIOLOGIA DA UFPI.

  • Orientador : CARLOS ANTONIO MENDES DE CARVALHO BUENOS AYRES
  • Data: 04/08/2016
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  • A presente pesquisa aborda sobre a descrição das representações sociais acerca do ensino de Sociologia, da formação docente e da iniciação à docência na educação básica dos licenciandos do curso de Licenciatura em Ciências Sociais que atuam como bolsistas no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID da Universidade Federal do Piauí – UFPI. No decorrer do estudo foram demonstradas as discussões sobre a institucionalização do ensino e de cursos voltados para a formação docente desenvolvidas no século XX e início do século XXI, bem como sobre o surgimento da Sociologia no país e sua importância como disciplina componente dos currículos escolares. Por meio da problematização dessas temáticas, viu-se que as representações sociais elaboradas pelos licenciandos bolsistas acerca da formação docente e do ensino de Sociologia perpassam pela compreensão do histórico dessas temáticas e fazem-se presentes no âmbito de suas formações. A fundamentação do estudo está pautada na teoria das representações sociais elaboradas por Serge Moscovici. Os dados foram coletados por meio de questionário sócio-demográfico, aplicação de Teste de Associação Livre de Palavras – TALP e questionário com perguntas abertas direcionadas sobre o ensino de Sociologia e a formação docente, sendo aplicados com vinte bolsistas em março de 2016. Através da análise dos dados foi possível compreender e refletir sobre a importância do PIBID na resignificação da formação inicial docente. Para os participantes, o programa mostra-se de grande relevância no processo de formação dos licenciandos por contribuir no processo de aperfeiçoamento e reflexão sobre a prática docente. Os bolsistas veem no programa um espaço de inter-relação entre teoria e prática, por ainda perceberem uma orientação mais tecnicista no curso de licenciatura voltada para a formação específica de bacharéis, corroborando para a construção de metodologias a serem utilizadas nos espaços escolares, que visam à aproximação dos alunos aos conteúdos sociológicos abordados tanto em sala de aula, como nas relações sociais que os alunos possuem cotidianamente.

  • EDIGAR GABRIEL DE SOUSA LEITE
  • O MERCADO DA FÉ: DA SECULARIZAÇÃO DOS ESPAÇOS SAGRADOS AO MARKETING RELIGIOSO DA IGREJA MUNDIAL DO PODER DE DEUS NO BRASIL PÓS 1998


  • Orientador : CARLOS ANTONIO MENDES DE CARVALHO BUENOS AYRES
  • Data: 28/07/2016
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  • O presente trabalho dissertativo visa saber como se configura o mercado da fé na Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD) no Brasil pós 1998. Trata-se de uma pesquisa etnometodológica não-participante com entrevistas não-diretivas a ser realizada com fiéis (modus-operandi-vivendi) nos encontros públicos no Grande Templo dos Milagres da IMPD, Sede Estadual em Teresina (PI). A opção pela temática deu-se em função da sua evidência empresarial no campo das igrejas da terceira onda pentecostal, denominadas de novo pentecostalismo pós anos 1970 do último século no Brasil. No demais, buscar-se-á saber como se configura a metáfora “pequenas igrejas & grandes negócios”, num contexto de igrejas de comando único onde novos empreendimentos religiosos, em “nome de Jesus”, dinamizam uma economia divina carregada de crenças populares e promessas de prosperidade “aqui e agora”. Baseou-se em autores clássicos que se dedicaram à temática no que concerne à lógica de mercado, bem como das novas tendências no campo religioso como Berger (1985), Durkheim (1989), Wach (1990), Campos (1997), Mariano (1999), Mendonça & Velasques Filho (2002), Léonard (2002), Reily (2003), Stark (2008), Otto (2007), Weber (2012), Bourdieu (2010), etc. Partiu-se do protestantismo histórico ao recente (neo)pentecostalismo migratório norte-americano pós início século XX. Para efeitos de classificação do pentecostalismo no Brasil, adotou-se as semelhanças tipológicas de Freston (1993) e Mariano (1999), ou seja, o pentecostalismo clássico (1910-1911), pentecostalismo de transição (1950-1960) e o (neo)pentecostalismo, “hibrido”, autóctone, centralizado no profeta fundador da IMPD pós 1998. Analisou-se a organização da igreja, experiências e suas formas de expressões coletivas a partir da abordagem tipológica de Wach (1990). O mercado da fé, desde a secularização dos espaços sagrados ao marketing e as dimensões econômicas do “toma lá dá cá” segundo a sociologia de Bourdieu (2011).

  • FRANCISCO ALENCAR DE VASCONCELOS NETO
  • ACESSO À INFORMAÇÃO, TRANSPARÊNCIA E CIDADANIA: a experiência de gestão no ensino fundamental de Teresina – PI

  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 24/06/2016
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  • A formação do Estado Moderno está ligada ao debate do pensamento liberal e da democracia. Ante esse debate, chegou-se ao sistema representativo como a melhor forma de governo, desde que amparada por uma Constituição que limite e organize o poder do Estado. Na modernidade, a legitimidade do Estado entrou em crise. Na busca de solução, procurou-se atacar a burocracia estatal e aumentar a participação popular no exercício da cidadania, por meio da transparência administrativa e do acesso à informação. Nesse sentido, o presente trabalho analisa a gestão educacional do ensino fundamental de Teresina-PI, na regional administrativa Centro-Norte, no acesso à informação e à transparência de dados públicos, a partir da vigência da lei nº 12.527/11, como mecanismo de incentivo à cultura de cidadania no ambiente escolar. A hipótese trabalhada é que a participação popular, por meio do acesso à informação e da transparência, pode amenizar a crise de legitimidade do Estado na era informacional. A fundamentação teórica deste trabalho se apoia em Rousseau (2006), Locke (1983) e Bobbio (2000), para a compreensão do liberalismo na formação do Estado Moderno e do sistema representativo em governos democráticos; Giddens (1991) e Canclini (2007), para as causas da crise de legitimidade do Estado; Levy (1999) e Castells (2003), que abordam o papel da cibercultura; Marshall (1967) e Vieira (2001), para compreender a construção da cidadania ocidental; Carvalho (2002) e Benevides (2002), para especificar a cidadania e a participação popular no Brasil e; Cury (2007), Botler (2011), Araujo (2009) e Libaneo (2001) explicam a gestão democrática escolar no ensino público. A pesquisa optou por uma abordagem qualitativa, com uso de pesquisa bibliográfica, análise documental e entrevista semiestruturada. Para alcançar os objetivos propostos, foi realizada uma pesquisa exploratória, com vinte (20) escolas da cidade de Teresina, sendo selecionadas cinco (05) para análise amostral. Os sujeitos da pesquisa são professores, diretores, funcionários administrativos, alunos e pais – ou responsáveis de aluno, totalizando dezoito participantes na amostra intencional. A pesquisa apresenta quatro categorias, obtidas na análise dos dados: a primeira trata da estrutura das escolas para a prestação de serviços de informação, pouca, deficitária e inobservada pela gestão escolar. A segunda é a imobilidade criativa do gestor nas atividades de prestação de contas à comunidade. A terceira se refere ao processo de informação ao cidadão pelos órgãos da educação municipal, que é dual, complementar e incompleto. E, por último, a confiança técnica no gestor negligencia a participação cotidiana da comunidade no ambiente escolar. A transparência ativa da gestão na escola é essencial para o desenvolvimento da cidadania.

  • NAIRA LUAN SOUSA E SILVA
  • O MOVIMENTO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA NO PIAUÍ: UMA ANÁLISE DO FÓRUM ESTADUAL.

  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 17/06/2016
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  • O presente estudo analisa o movimento de economia solidária no estado do Piauí a partir das práticas dos sujeitos coletivos organizados no Fórum Estadual de Economia Popular e Solidária – FEEPSPI. Partimos de três hipóteses: primeira, o fenômeno da economia solidária, além da forma econômica de produção não capitalista, incorpora um sujeito político que estrutura o movimento de economia solidária; segunda, esse movimento da economia solidária se insere na perspectiva dos novos movimentos sociais, em um contexto de proposta contra-hegemônica de globalização; terceira, o movimento de economia solidária está organizado em rede de movimentos sociais e conta com o fórum para o fortalecimento do próprio movimento. Diante de tais premissas, esta pesquisa utiliza como aporte teórico-metodológico de análise as categorias “capitalismo” e “globalizações”, nos referenciais teóricos de Boaventura de Sousa Santos, Milton Santos, Antonny Giddens, Paul Singer, Boltansky e Chiapello; para a categoria “movimentos sociais”, “redes de movimentos sociais” e “fóruns”, nós utilizamos a teoria dos Novos Movimentos Sociais na perspectiva de Alain Touraine, Alberto Melucci, Maria da Glória Gohn, Ilse Scherer-Warren; para a categoria “economia solidária” as abordagens de Jean-Louis Laville, Alain Caillé, Paul Singer, Marcos Arruda, Gildásio Santana Júnior e Emanuele Brasil. A pesquisa utiliza metodologia qualitativa na análise dos três segmentos que atuam na economia solidária no fórum: os empreendimentos econômicos solidários, as entidades de apoio e fomento, e os gestores públicos. Os instrumentos de coleta de dados foram: análise de documento, observação participante e entrevista não estruturada com os participantes do fórum. Os achados da pesquisa indicam que o movimento da economia solidária se apresenta para além do estabelecimento de uma política pública, apesar do relativo grau de dependência dos empreendimentos econômicos solidários às ações governamentais, caminhando assim em uma dinâmica de mobilização que vai do local ao global. O resultado é a defesa da possibilidade de uma outra globalização e economia. A conclusão a ser apreendida, é que o FEEPSPI vem se mostrando o lócus privilegiado para a construção do movimento da economia solidária no Piauí, uma vez que nele são definidas as diretrizes de ação dos protagonistas do movimento, as entidades de apoio e fomento, e os empreendimentos econômicos solidários em redes de articulação que lutam contra a exclusão social.

  • IONE CRISTINA DANTAS RIBEIRO
  • NEORRURALIDADES E IDENTIDADES: SENTIDOS DE TERRITORIALIDADES EM RESIDÊNCIAS SECUNDÁRIAS PARA MORADORES DO BAIRRO ILHOTAS, TERESINA-PI

  • Orientador : MARIA SUELI RODRIGUES DE SOUSA
  • Data: 31/05/2016
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  • O rural durante muito tempo foi visto como o lugar do atraso e em oposição ao urbano. Na contemporaneidade esta realidade mudou, o rural passou também a significar associação com meio ambiente, potencial para a proteção ambiental e para sossego.  Desta feita, a ampliação das significações do rural aumenta as funcionalidades atribuídas aos espaços rurais para além da produção agropecuária, englobando conservação ambiental, patrimônio cultural e natural, paisagem, lazer, turismo, incluindo as práticas terapêuticas, centros de equoterapia, terapia de energização, comunidades terapêuticas, além do agrocomércio. Trata-se de espaços e serviços organizados e estruturados para oferecer conforto à vida citadina no ambiente rural. Assim, trazer na atualidade a discussão sobre o tema das ruralidades e/ou neorruralidades é também discutir o rural para além da histórica dicotomia entre rural e urbano, sem desconsiderar as marcas que podem ter sido deixadas pela tradicional hierarquia campo/cidade, em que o rural é semantizado como o atraso a ser superado pela racionalidade moderna. A presente dissertação tematiza neorruralidade e identidades pelo estudo dos sentidos de territorialidades em residências secundárias, as quais são aquelas utilizadas em finais de semana e/ou feriados, para fins de descanso e/ou lazer. Para isso, trabalhou-se com a perspectiva de identidade enquanto processo, com seus fluxos e hibridismos. Para desenvolvimento do tema, foram discutidas categorias que com este se relacionam tais como desenvolvimento e território, que foram abordados do ponto de vista das ciências sociais, como um espaço de múltiplos processos, incluídas as relações de poder e processos de significações. Assim, a neorruralidade foi discutida nesse contexto de transversalidade de posições identitárias e seus desdobramentos, verificados por meio da pesquisa de campo, a qual revelou relação hierárquica entre os significados como neorrurais a partir do estudo de seus discursos e a população rural local, implicando na percepção de que as posições identitárias são múltiplas e móveis, porém são orientadas por relações de poder.

  • THAYANA DE MORAES COSTA
  • VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES NO WEBJORNALISMO DE PORTAL: da banalização à violência metalinguística.

  • Orientador : FRANCINEIDE PIRES PEREIRA
  • Data: 31/05/2016
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  • A violência contra mulheres tem sido, na última década, cada vez mais percebida como problemática social de ampla visibilidade no Brasil, e enfrentada como grave violação dos direitos humanos, sendo, da tal forma, imprescindível para as ciências sociais que se debrucem sobre esse tema. Nesse sentido, interessou-nos saber como andava a realidade da mídia online teresinense em relação às produções discursivas sobre a violência contra mulheres na cidade. As questões que nortearam a investigação foram: como a mídia online, através do webjornalismo de portal, participa na produção dos discursos que estão em disputa pela significação dos crimes de violência contra mulheres enunciados nas notícias? Quais discursos estão em disputa pela significação da violência contra mulheres? Esses discursos têm oferecido contribuição para o empoderamento das mulheres? Tratou-se de uma pesquisa qualitativa online que se aproximou da etnografia virtual. Os portais de notícias Meio Norte e Cidade Verde foram escolhidos por fazerem parte de dois dos maiores conglomerados de comunicação do Estado do Piauí, e, concentrarem, concomitantemente, a maior transmissão de notícias enquanto webjornalismo. Para as notícias categorizadas, consideramos a diversidade das observações nelas apresentadas como se tratasse de um continuum etnográfico, o qual interpretamos com ajuda da Análise de Discurso Crítica (ADC). Os resultados indicaram que a (re)produção da violência contra mulheres nas notícias, por meio das quais a sociedade atribui sentido ao tema e é significada, constitui em si mesmo uma forma de violência, tal qual uma violência metalinguística, que, na (des)construção, com títulos individualizantes e abordagens descritivas dos crimes, tratados como eventuais, torna corriqueiro o contínuo de agravos que naturalizam a violência contra mulheres, eclipsando seu caráter estrutural gendrado que se articula aos contornos e prerrogativas de classe, raça/etnia e sexualidade, e reificando uma ordem patriarcal de gênero que é excludente para mulheres, na medida em que condiciona seu acesso ao espaço público à qualidade de vítima.

2015
Descrição
  • GEYSA VICTÓRIA COSTA SILVA
  • "QUANDO MORAR É UM PRIVILÉGIO, OCUPAR É DUM DIREITO": A LUTA DOS MORADORES E MORADORAS DO PARQUE DA VITORIA PELO DIREITO À MORADIA".

  • Orientador : MASILENE ROCHA VIANA
  • Data: 26/09/2015
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  • A experiência de luta por moradia da ocupação urbana Parque da Vitória se insere no contexto de inflexão dos movimentos sociais gestado na década de 90 e que se estende ao momento atual. Em Teresina a existência de muitas ocupações revela a negligência do poder público no provimento do direito à moradia da população de baixa renda e, embora não seja algo novo na cidade, os processos de ocupações empreendidos por sem-teto em Teresina na atualidade - entre os quais se encontra o Parque da Vitória -, apresentam significativas mudanças em relação às ocupações da década de 80 e início de 90. Assim, o presente estudo busca compreender como se deu a ocupação do Parque da Vitória em um novo cenário de inflexão das lutas sociais, onde mesmo os atores tradicionalmente ligados à temática da moradia popular modificaram suas formas e espaços de atuação. Assim, tomamos como ponto de partida o entendimento de que eventualmente novos atores institucionais e políticos se colocaram como interlocutores das ocupações, ao tempo em que se verificava da parte dos sem teto esforços de ampla visibilidade pública e de retomada da ação-direta na luta pela terra e moradia urbana.

  • JORGE ANDRÉ PAULINO DA SILVA
  • ''O QUE TÁ ACONTECENDO NA SANTA MARIA'':PERIFERIA, JUVENTUDES E SEGREGAÇÕES SOCIAIS

  • Orientador : LILA CRISTINA XAVIER LUZ
  • Data: 25/09/2015
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  • Este estudo trata de jovens de periferia e segregações urbanas. Objetivamos conhecer a condição juvenil no bairro Santa Maria a partir de narrativas dos seus jovens. Apresentamos o bairro e analisamos as segregações urbanas relativas à construção desse espaço urbano. Para fundamentar nossas reflexões, recorremos a autores como Portelli (2000), Khoury (2001), Lima (2004; 2005; 2010; 2013), Sousa (2012), Pais (1993), Abramo (1994), Oliveira (2014), Luz (2013), Silva (2005), Castro (2005), Reis (2004), Costa (2011), entre outros. Descobrimos que os limites do bairro foram alterados por lei, mas não parecem ter afetado as sociabilidades ou entendimento dos jovens sobre o local. O bairro surgiu a partir de ocupação urbana. Diante da ausência de políticas públicas, moradores do bairro resolveram mobilizar-se na busca de melhorias da comunidade. O bairro sofre com segregação espacial e social, refletindo processos de urbanização estruturados na Modernidade, reprodutora de assimetrias. Na área do Loteamento Santa Maria da Codipi, identificamos equipamentos sociais e de infraestrutura do local, a degradação ambiental promovida por empresas, trabalhos sociais, comércio como atividade econômica predominante, lazer em bares e casas de shows, posto de saúde, instituição de justiça, creche, escola, posto de policiamento, associação de moradores. Há também Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Os jovens do Santa Maria buscam se distanciar do estereótipo do bairro como lugar violento. Quanto ao trabalho, esbarram no oferecimento de trabalhos degradantes no bairro e entendem a educação formal como meio de inserção mais qualificada no mercado. Mas jornadas extenuantes, ou a educação oferecida, não os permitem alcançar esse objetivo. O Poder Público é responsabilizado pelo cenário do lazer, uma vez que não oferece oportunidades de ocupar o tempo livre da juventude de lá. A condição juvenil quanto à cultura nos permitiu identificar iniciativas de jovens para promover cultura, e conflitos com o Estado. Espaços de discussão e produção de cultura são entendidos como uma forma de estimular as produções, de forma mais crítica diante das realidades experienciadas.Quanto à polícia, os jovens a entendem enquanto política pública de segurança, mas evidenciam a pouca participação deles na construção dessas políticas. A abordagem policial para eles é seletiva, e os alvos potenciais são jovens negros e ex-detentos. Os excessos cometidos nas abordagens fazem os jovens pugnar para que os policiais realizem seu trabalho com respeito aos direitos humanos. Em síntese, o que os jovens do Santa Maria buscam é serem reconhecidos como cidadãos, como sujeitos de direitos, moradores de um lugar mais valorizado, que lhes ofereça moradia e condições de trabalho dignas, diversidade de espaços de lazer, incentivo às produções culturais da comunidade, além de um policiamento que de fato lhes ofereça segurança diante da violência no bairro e entornos, e não temor. Assim, destacamos a importância e o ganho teórico que o presente estudo oferece sobre as sociabilidades de jovens desse bairro da periferia de Teresina. Esperamos contribuir para as reflexões daqueles que elaboram políticas públicas no Estado do Piauí, para a Sociologia, e, especialmente, para os jovens daquele bairro.

  • JOÃO WALLACE LINHARES DE SOUSA
  • O EFEMINADO E OS OUTROS: DIFERENÇAS E DISCRIMINAÇÕES EM ESPAÇOS DE SOCIABILIDADE LGBT DE TERESINA -PI.

  • Orientador : FRANCINEIDE PIRES PEREIRA
  • Data: 25/09/2015
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  • A imagem do homem efeminado está associada à figura do homossexual desde sua criação enquanto categoria médica. Os estigmas causados pela alcunha de doente, pervertido e perigoso fez com que esses sujeitos se apropriassem de determinados espaços e horários nas cidades para poderem viver suas sexualidades. Com o passar dos anos, não apenas os espaços propícios para suas sociabilidades, como as imagens que assumiram se multiplicaram e geraram segmentações e discriminações entre o público homossexual. Dentre os vários critérios que geram discriminações, a performance de gênero efeminada, antes uma forma de comunicar aos outros sua orientação sexual, passa a ser desvalorizada frente a novos modelos de masculinidade que se tornam hegemônicos, às vezes por pressões do mercado, outras como resposta ao preconceito social. Partindo de referenciais teóricos dos estudos de gênero e sexualidade, o presente estudo aborda a experiência de discriminação de gays efeminados nos espaços de sociabilidade LGBT de Teresina. Nesse sentido, busca conhecer, através de visitas a campo e entrevistas informais e em profundidade, as diferentes masculinidades homossexuais que frequentam tais espaços, suas formas de interação e quais atitudes são consideradas discriminações contra os efeminados. Sendo assim, sobressaíram diversos sentidos ligados à efeminação e ao efeminado, bem como os supostos motivos para as discriminações. Identificou-se que a performance de gênero orienta as diversas relações que se estabelecem nesses espaços, desde a formação dos grupos e escolha dos espaços a serem frequentados, até a formação dos casais. Os momentos de desrespeito, concretizados em atitudes como formas de olhar, expressões faciais, risos, xingamentos, contatos físicos mais bruscos e até luta corporal, seriam motivados pela busca de sigilo da (homo) sexualidade, por considerarem o feminino como "inferior", e podendo ser agravado pela condição econômica dos sujeitos.

  • POLIANA DOS SANTOS AGUIAR
  • Caminhos e descaminhos da Convivência Familiar: um estudo na instituição de acolhimento Casa Dom Barreto

  • Orientador : RITA DE CASSIA CRONEMBERGER SOBRAL
  • Data: 25/09/2015
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  • MARCELA CASTRO BARBOSA
  • PRIMEIRO AS FLORES, DEPOIS AS CRUZADAS: DESCORTINANDO A VIOLÊNCIA CONJUGAL NA VIDA DE MULHERES/MÃES E DOS FILHOS, EM TERESINA-PI

  • Orientador : RITA DE CASSIA CRONEMBERGER SOBRAL
  • Data: 11/09/2015
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  • O fenômeno da violência de gênero perpassa ás relações sociais construídas por homens

    e mulheres na sociedade brasileira deixando marcas no tecido social e na subjetividade

    dos indivíduos. No estudo em questão, tem-se como referencia o contexto familiar.

    Historicamente e socialmente há predominância de um gênero sobre outro, isso tem

    contribuindo para as desigualdades de gênero, relações de poderes e o aumento da

    violência, seja ela doméstica, intrafamiliar e conjugal. Desse modo, pondera-se nesta

    investigação compreender as consequências da violência de gênero, sendo mais

    especifica a violência conjugal, na vida do/a/s filho/a/s, através das mulheres/mães

    vítimas dessa violência. Conforme, Saffioti (2004), a violência de gênero, inclusive em

    sua modalidade familiar e doméstica, não ocorre aleatoriamente, mas deriva de uma

    organização social de gênero, que privilegia o masculino. É significativo destacar que

    o/a/s filho/a/s presenciam momentos do casal, tais como: as relações de afetividade,

    discussões, agressões físicas, verbais, psicológicas que podem resultam em outras

    formas de violências. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo geral,

    compreender os reflexos da violência conjugal na vida dos filhos no contexto familiar,

    percebidos pelas mulheres/mães. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo, com o

    uso de entrevista semiestruturada e o Diário de Campo (WHITAKER, 2002). A análise

    discursiva (SKIPK, 2010) tratará os dados da realidade em estudo. O espaço dessa

    investigação acontece na cidade de Teresina-PI, tendo como sujeitos da pesquisa

    mulheres/mães vítimas da violência de gênero ocorrida no lar e seus filho/a/s maiores de

    18 anos, que estão ou já tenham sidos assistidos pela Defensória Pública Estadual, em

    especial ao Núcleo de defesa da mulher em situação de violência, entre os últimos

    cincos anos (2009-2014). Consideram-se os diferentes estratos sociais das vítimas de

    violência, por entender que a violência de gênero acontece em todas as camadas sociais.

    Embora tenhamos várias pesquisas sobre a violência contra a mulher, são escassas as

    investigações sobre a violência conjugal que considerem os filhos/a/s. Portanto, a

    relevância social dessa investigação esta em compreender a violência conjugal na vida

    do/a/ filho/a/s, produzida no ambiente familiar, com o propósito de vislumbrar esse

    fenômeno na sociedade teresinense. A fundamentação teórica considera estudos de

    diferentes autores. A perspectiva de gênero numa concepção de analise relacional e

    histórica tem por base Scott, 1989; Saffioti, 2004; Lauretis, 1994, entre outros associada

    às relações de poder (FOUCAULT, 1979; BOURDIEU, 2002). A compreensão da

    violência de gênero, doméstica e conjugal conta com a colaboração de diversos autores

    (AZEVEDO, 1985; GREGORI, 1993; SAFFIOTI, 1994, 1999, 2001, 2004; SANTOS E

    IZUMINO, 2005; DINIZ, & PONDAAG, 2006; GIORDANI- 2006; SOARES, 2009;

    STREY, 2012). Considera-se coerente as opções teóricas e metodológicas proposta

    nesta investigação, adequadas aos objetivos almejados. Os resultados iniciais da

    pesquisa de campo revelados nos discursos apresentados pelas mulheres/ mãe indicam

    que a violência na relação conjugal atingem também, os filho/as, mesmo de forma direta

    ou indireta, extrapolando o contexto da relação conjugal. Muitos deles chegam a decidir

    junto com a mãe se deve haver processo judicial contra o pai.

  • EVANNOEL DE BARROS LIMA
  • As representações sociais partilhadas por professores de matemática acerca dos alunos das escolas públicas e privadas do ensino médio.

  • Orientador : WASHINGTON LUIS DE SOUSA BONFIM
  • Data: 26/06/2015
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  • A pesquisa analisou as representações sociais que os professores de

    matemática compartilham sobre os estudantes das escolas públicas e privadas do ensino

    médio de Teresina. O objeto de estudo, portanto, foram as representações partilhadas

    pelos professores acerca dos alunos das escolas públicas e privadas de Teresina. A

    metodologia aplicada foi predominantemente qualitativa, obedeceu às pressuposições da

    dupla ruptura epistemológica, utilizou a observação não participante e entrevistas semi-

    estruturadas para analisar os conteúdos dessas representações sociais. Assim, a nossa

    problemática assentou-se na seguinte questão: quais representações sociais, os

    professores de matemática do ensino médio produzem sobre alunos das redes pública e

    privada de Teresina? A pergunta foi formulada porque temos como pressuposto central

    a ideia que a violência simbólica produzida pelos professores em suas representações

    sobre os alunos pode ser um dos múltiplos fatores para aumentar o risco de abandono,

    nas escolas públicas de Teresina. O ensino médio foi escolhido porque é o nível de

    ensino com maiores problemas de fracasso escolar no país. A disciplina matemática

    tornou-se adequada para nossa investigação por três motivos: monopoliza o maior

    número de horas-aulas no ensino básico, possui uma representação social de ser uma

    disciplina de difícil aprendizagem e constitui-se de um conteúdo basilar para a formação

    do raciocínio lógico. Os autores que fundamentaram nossa proposta foram Bourdieu e

    Moscovicci com as categorias de habitus e representações sociais. Partimos da

    pressuposição teórica que os professores constroem representações sobre os alunos em

    práticas cotidianas e isto, por sua vez, produz uma violência simbólica. Essa violência

    simbólica demonstrou ser uma das determinações que contribuem para a produção do

    fracasso escolar.

  • ÁUREO JOÃO DE SOUSA
  • ETNICIDADE E TERRITORIALIDADE  NA COMUNIDADE QUILOMBOLA CUSTANEIRA/TRONCO MUNICÍPIO DE PAQUETÁ - PI, BRASIL.

  • Orientador : SOLIMAR OLIVEIRA LIMA
  • Data: 26/06/2015
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  • Etnicidade e territorialidade na Comunidade Quilombola Custaneira/Tronco, município de
    Paquetá, Estado do Piauí, Brasil. Esta obra constituiu-se a partir do objetivo de perseguir as
    perguntas e as respostas possíveis a estas: Quais são as identidades que se inscrevem e se
    apresentam na comunidade quilombola de nossos dias, na realidade piauiense e na realidade
    específica da Comunidade Rural Quilombola Custaneira/Tronco, município de Paquetá – PI,
    no Brasil, e como essas identidades estão relacionadas com os acontecimentos fora da
    comunidade quilombola Custaneira/Tronco, e fora do Piauí? Como essas identidades foram
    construídas durante a história de vida das pessoas, das famílias e da comunidade? Quais são
    os acontecimentos ou as “coisas” que serviram e/ou ainda servem como alicerces ou como
    motivos – por afirmação, por negação, por resistência e/ou acomodação - para a construção
    dessas identidades e desse território? Portanto, o presente trabalho de Dissertação situa-se no
    campo da etnicidade e das territorialidades étnicas na atualidade e, dentro deste, os territórios
    dos quilombos contemporâneos, as comunidades quilombolas e suas identidades
    multifacetárias, a partir do gênero e da especificidade de sua territorialidade e da etnicidade
    que lhe toca. A construção da obra científica foi orientada por fundamentos da Etnografia e
    da Observação Participante, bem como sob a perspectiva da Epistemologia do Saco ou
    Epistemologia da Roça, esta do autor. A construção leva em consideração as histórias
    contadas pela população quilombola pesquisada, bem como as informações e histórias
    construídas do lado de fora do grupo da comunidade Custaneira/Tronco, mas que se
    comunicam com a construção, manutenção e reconfiguração das fronteiras étnicas da
    comunidade quilombola Custaneira/Tronco. Para tanto, o lugar (material e subjetivo)
    estratégico da construção desta Dissertação firmou nas interações etnográficas presenciais e
    as subjetividades do pesquisador com a Comunidade Rural Quilombola Custaneira/Tronco,
    no município de Paquetá - PI, onde o pesquisador fora morar a partir de 26 de maio de 2014
    até abril de 2015, resultando em 165 dias de intenso convívio direto, de onde apreendeu o
    conteúdo do texto apresentado com esta obra acadêmica, em diálogo com as identidades e a
    territorialidade desta comunidade negra-quilombola. A obra apresenta elementos (materiais e
    simbólicos) da dimensão econômica/produtiva, do meio físico-natural, da infraestrutura, das
    estéticas, das religiosidades e religiões, das formas de organizações, das relações internas e
    externas do grupo sociocultural e outras expressões e representações consideradas importantes
    para os processos identitários e sua territorialidade. O trabalho está composto com textos
    escritos, textos fotográficos, mapas cognitivos, mapas cartográficos, coordenadas
    cartográficas e muitas falas de pessoas (sujeitos sociológicos) da comunidade. É uma obra
    objetivada para ser consultada por pessoas de comunidades quilombolas, do movimento
    negro, do movimento quilombola, pesquisadores da área de Educação, Antropologia,
    Sociologia, História e Filosofia.

     

     

  • LUCIANA FARIAS DE ARAÚJO ANDRADE
  • (DES)IGUAIS NA DIFERENÇA: A FORMAÇÃO TÉCNICA DAS ALUNAS DO INSTITUTO FEDERAL – CAMPUS TERESINA CENTRAL

  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 26/06/2015
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  • As mulheres, ao longo das últimas décadas, obtiveram grandes conquistas sobre seus

    direitos na sociedade. São cada vez mais crescentes os níveis de autonomia e de

    participação que elas têm adquirido na esfera pública, principalmente em áreas relativas

    a educação e trabalho. Sabe-se que ocupam, cada vez mais, os espaços, antes,

    considerados masculinos não havendo a mesma reciprocidade por parte dos homens nos

    espaços domésticos. Apesar dos avanços, a situação geral, ainda, é de desigualdade de

    gênero, sobretudo, na área do trabalho com as mulheres ganhando salários menores, em

    funções e atividades mais precarizadas e menos valorizadas, quando comparadas aos

    homens trabalhadores. Desse modo, considera-se importante investigar a presença das

    mulheres nessa arena da educação e trabalho para identificar os elementos

    desencadeadores e influenciadores dessas desigualdades sociais entre os sexos no

    processo de formação. Sendo assim, esse estudo tem como objetivo analisar a formação

    técnica das alunas do Instituto Federal, Campus Teresina Central, primeira escola

    federal de educação profissional e tecnológica que estão inseridas nos cursos de

    eletrônica, eletrotécnica e mecânica, considerados tradicionalmente masculinos, a fim

    de verificar se essa Instituição contribui para a equidade de gênero requisitada no novo

    modelo de educação profissional e tecnológica. Trata-se de um estudo de caráter

    qualitativo (BOURDIEU, 2004; GOLDENBERG, 2004; MINAYO, 2007, 2002), com o

    propósito de apreensão dos significados dos discursos sobre a formação técnicadas

    alunas, cuja coleta de informações se deu através de observação sistemática, analise do

    questionário socioeconômico educacional das alunas e entrevistas semiestruturadas,

    aplicados com alunas e docentes dos referidos cursos técnicos, compreendendo o recorte

    temporal de 2009 a 2014.A relevância social desse trabalho consiste em desvelar a

    existência de possíveis desigualdades de gênero no processo de formação profissional

    técnica das alunas inseridas em cursos tradicionalmente masculinos. A fundamentação

    teórica básica norteia-se numa perspectiva de gênero tomando este como elemento

    constitutivo das relações sociais e expressão primeira das relações de poder, através das

    concepções de teóricos como (SCOTT, 1990, 1994, 1995; BOURDIEU, 1999, 2002;

    FOUCAULT, 1997, 2003); na interface com educação autoras como (LOURO, 1994,

    1997, 1999;CARVALHO, 2003, 2010; VIANNA, 1998, 2010) e na esfera do trabalho

    (BRUSCHINI, 2000, 2008, 2011; HIRATA, 2002, 2003 2011). Os resultados revelam

    que há diferenças, no processo de formação das alunas quando comparadas aos alunos,

    que resultam em discriminações e, portanto, desigualdade de gênero nas práticas

    docentes e nos requisitos para seleção de estágio. Entretanto, se percebe que as práticas

    discriminatórias manifestadas no espaço investigado não sugerem intencionalidade,

    parecem serem decorrentes de introjeções de valorese práticas endereçadas ao

    masculino e ao feminino, esses adquiridos através dos processos de socialização das

    principais instituições básicas. Todavia em meio a produção dessas desigualdades de

    gênero, há também as práticas de resistências e empoderamento das mulheres inseridas

    nessa instituição escolar.

  • CATARINE ELAINE DE SOUZA AMARAL GUIMARAES
  • DEMOCRACIA E CONTROLE SOCIAL: A EXPERIÊNCIA DO ORÇAMENTO POPULAR EM TERESINA - PIAUÍ (2005 - 2013).

  • Orientador : FRANCISCO MESQUITA DE OLIVEIRA
  • Data: 15/06/2015
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  • O Orçamento Participativo (OP) tem sido apontado como instrumento de gestão pública capaz de incentivar a participação social e modificar aspectos tradicionais da cultura política brasileira. No município de Teresina-PI ele é denominado, desde de 1997, de Orçamento Popular de Teresina (OPT). A presente dissertação é um estudo de caso da prática deste instrumento entre os anos de 2005 e 2013 e tem o objetivo de identificar inovação e controle social através da participação e fortalecimento da sociedade civil. Para atingir esse objetivo foi realizada uma pesquisa descritiva qualitativa, como análise documental e pesquisa de campo. A fundamentação teórica sustenta-se em Pateman (1992), Teixeira (2001), Bravo (2001;2006), Campos (2006), Dagnino (2002), Grau (2005), para a compreensão do controle e da participação social; Lüchmann (2014) e Avritzer (2002; 2003 e 2010), quanto aos modelos de democracia deliberativa e Orçamentos Participativos no Brasil; Baquero (2011), Moisés (2010) e Oliveira (2003; 2010) para análise de aspectos da cultura política dialogando com Farias (2000) e Bonfim (2003), que resgatam a tradição política no Piauí. E para compreensão da experiência do Orçamento Popular em Teresina recorreu-se a Lima (2005; 2010), Medeiros (2004), Neto (2005) e Pitanga (2006). Os sujeitos da pesquisa são os participantes do Conselho Municipal do Orçamento Popular de Teresina (COMOP), num total de vinte (20) entrevistados. A eles foi aplicada entrevista semiestruturada. O tratamento de dados deu-se por análise de conteúdo Bardin (2011). Os resultados obtidos demonstraram que nos últimos anos os participantes do Conselho Municipal do Orçamento Popular de Teresina (COMOP) estão mais ativos quanto ao controle social, acompanhando e fiscalizando as propostas a serem realizadas pelo OP, demonstrando, assim, amadurecimento em relação à importância da participação social e de uma nova cultura política.

2014
Descrição
  • PAULA MARIA DO NASCIMENTO MAZULLO
  • Trabalho Escravo e Agronegócio, no Piauí: Uma análise da situação, a parti de 1990, com base em processos judiciais)
  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 03/10/2014
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  • --

  • POLIANA DE SOUSA SILVA
  • O PROCESSO DE TERCERIZAÇÃO DO TRABALHO DOS CARROCEIROS DA ZONA NORTE DE TERESINA - PI.

  • Orientador : ANA BEATRIZ MARTINS DOS SANTOS SERAINE
  • Data: 25/09/2014
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  • Este estudo tem o intuito de analisar a reconfiguração no

    trabalho dos carroceiros da zona norte de Teresina – PI, a partir da

    terceirização desse serviço pela prefeitura. Os indicativos considerados para

    análise dizem respeito ao perfil socioeconômico dos carroceiros terceirizados;

    as condições e locais de trabalho desses sujeitos; e o processo de

    terceirização do serviço pela prefeitura. Trata-se de uma abordagem

    qualitativa, através de entrevistas semiestruturada gravadas junto aos

    carroceiros, representantes das associações da categoria e funcionários da

    prefeitura. A escolha por este recurso metodológico se deve ao fato de

    possibilitar compreensões ricas das biografias e experiências vivenciadas

    pelos sujeitos, além disso, permite trabalhar com as subjetividades desses

    atores, descrevendo-as detalhadamente através dos seus próprios discursos e

    interpretações. (MAY, 2004; SILVERMAN, 2009; BOURDIEU, 2009; BEAUD &

    WEBER, 2007). Por meio desse estudo, procuro mostrar que em meio às

    transformações no mercado de trabalho a atividade desses sujeitos, em

    Teresina, se reconfigura na medida em que modifica sua principal

    característica, a informalidade visto que passam a ser incorporados à lógica de

    trabalho formal, assim como, a permanência dessa atividade expressa

    dinâmicas contraditórias presentes nas práticas urbanas que se apresentam na

    cidade.

  • ADRIANA RODRIGUES DE OLIVEIRA
  • PARENTALIDADE EM TEMPOS DE JUDICIALIZAÇÃO: FILIAÇÃO E CUIDADO NOS DISCURSOS JURÍDICOS

  • Orientador : MARY ALVES MENDES
  • Data: 24/09/2014
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  • RESUMO

    Este estudo teve como propósito analisar os discursos jurídicos de juízes/as, promotores/as de

    justiça e defensores/as públicos/as sobre a parentalidade (paternidade e maternidade),

    abordando os critérios utilizados por esses profissionais para definir a existência da relação de

    filiação (pautada em laço biológico ou não, em contexto heteronormativo ou não) e de

    cuidados parentais (convivência, afeto e provimento material). Examinaram-se os sentidos

    atribuídos a “ser mãe” e a “ser pai” por profissionais do Direito que atuam em ações de

    regulamentação de relações parentais (investigação de paternidade, guarda de filhos/as, ação

    de alimentos, abandono afetivo, alienação parental, entre outros), observando as

    subjetividades presentes em suas interpretações da lei e da realidade social, no que se refere à

    família e às relações de gênero. A prospecção de sentidos nas falas dos sujeitos foi

    operacionalizada através de entrevistas semiestruturadas submetidas à análise de discurso e

    teve como locus de investigação as seis Varas de Famílias e Sucessões de Teresina-PI. A

    discussão teórica está referenciada na literatura sobre família e relações de gênero,

    particularmente no que diz respeito às relações de poder entremeadas nas masculinidades e

    feminilidades produzidas nesse contexto, à luz de autoras/es como Badinter (2011; 1993),

    Bourdieu (2012; 2002), Fonseca (2009, 2004; 2002a; 2002b); Giddens (2007), Saffioti

    (2004), Santos (2011; 2010); Scott (2005; 1990); Szymanski (1995), Uziel (2012; 2007;

    2004), entre outras/os. O exame dos discursos jurídicos a respeito da condição de pai e de

    mãe evidencia as concepções e posturas desses profissionais em torno das configurações de

    família e arranjos parentais que concebem e que, ora se assentam em modelos mais

    igualitários, no tocante as relações de gênero, ora reforçam modelos tradicionais e

    estereótipos. Os resultados dos aspectos analisados sobre filiação e cuidados indicam a

    importância atribuída ao vínculo socioafetivo na demarcação da filiação. Assim, a paternidade

    socioafetiva foi considerada mais importante, ou tão importante, quanto à paternidade

    biológica. Em relação à adoção por homossexuais, embora sua aceitação não tenha sido

    unânime, esta foi anuída por muitos/as, mas frequentemente seguindo a lógica do “mal

    menor” e posta em dúvida por outras/os por conta do preconceito social ao qual a criança/

    adolescente provavelmente seria submetida/o na sua vida cotidiana. Há um anseio desses/as

    profissionais de que os pais participem mais em tarefas tradicionalmente atribuídas às mães

    (cuidados), mas, em geral, não apontam para uma expectativa de equalização das funções

    maternas e paternas. Nesse sentido, consideram positivo que o pai cumpra o “direito de

    visita”, mas, de maneira geral, são contra a guarda compartilhada no tocante a alternância de

    residência. Em relação à guarda dos/as filhos/as ao pai, a atribuição desta foi, na maior parte

    das vezes, associada a uma característica negativa da mãe. O papel de provedor ainda

    permanece associado à figura masculina, mesmo que este não seja, de fato, o responsável

    principal pelo sustento da prole, desse modo, não pagar pensão alimentícia é pouco tolerado.

    A ausência de afeto na relação parental foi considerada “lamentável”, mas admitida com certo

    ar de fatalidade, enquanto o pagamento de indenização por danos morais decorrente do

    abandono afetivo foi alvo de controvérsias, alguns afirmando a impossibilidade de obrigar

    pais/mães a amarem os/as filhos/as e outros argumentando ser justo aplicar uma punição aos/

    às pais/mães que se esquivaram da obrigação de cuidar e dar afeto. Os discursos a respeito do

    que é ser pai atestavam a importância deste, embora estivessem atrelados ao nível do “dever

    ser”, enquanto em relação à mãe se portavam ao nível do que “é”, e da sua maior importância,

    quando comparada ao pai. Conclui-se que os discursos jurídicos estão intercalados por

    “permanências” e “mudanças” no tocante a família e relações de gênero e que, em certos

    casos, há um descompasso entre legislação e realidade social.

     

  • MARIA APARECIDA MILANEZ CAVALCANTE
  • Identidades juvenis rurais em trânsitos migratórios para o trabalho na construção civil em São Paulo: um estudo sobre a localidade São Mateus, Castelo do Paiuí - PI.

  • Orientador : MARLUCIA VALERIA DA SILVA
  • Data: 22/09/2014
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  • RESUMO

    Pesquisa realizada na Localidade Rural São Mateus, município de Castelo do Piauí, que tem como objetivo central compreender as identidades juvenis rurais na contemporaneidade a partir de processos sociais desencadeados pela migração ocorrida em contextos de relações locais/globais e pelas trocas rurais/urbanas. Como ancoragem teórica tem-se a ideia de que as identidades são configuradas e reconfiguradas no tempo/espaço, são relacionais e resultantes de trocas materiais e simbólicas no âmbito das interculturalidades e que as juventudes são realidades a serem analisadas em perspectivas múltiplas que englobam aspectos como classe, moratória vital e social, geração, gênero, raça/etnia. As migrações são tomadas enquanto processos sociais verificados na história social e cultural do nordeste brasileiro, em especial, junto aos segmentos rurais, como estratégia de reprodução material e simbólica, bem como de construção de um lugar identitário juvenil. Também efetivadas a partir das redes sociais construídas e alimentadas pelos sujeitos em pauta. Tem-se com subsídio epistemológico o método etnográfico, compreendendo-o como capaz de apreensão das complexidades que envolvem o campo pesquisado e seus diversos sujeitos, relações, tempos, espaços, trocas e negociações. Como recursos metodológicos tem-se o diário de campo, a fotografia, o vídeo, as entrevistas grupais e individuais acionadas no tempo dos sujeitos e das realidades locais, os novos ambientes. As análises para a compreensão de que os jovens encontram a ‘metrópole’, com diferenças culturais que põem desafios diários para a codificação da nova realidade. É um novo espaço-tempo da casa, da rua, do trabalho, do lazer. O novo que os interpela e as alteridades encontradas lhes provocam uma ‘antropofagia’ dos códigos ancestrais e, ao mesmo tempo, a busca de alinhamento aos códigos ora hegemônicos, até que façam o retorno ao local de origem novamente, onde estabelecem relações sociais a partir de identidades refeitas,combinadas,estratégicas. Esse movimento faz do corredor migratório um espaço de geração de identidades múltiplas, cambiantes, as quais costuram a trajetória dos sujeitos a espaços, tempos e contextos variados e cambiantes.

  • LISIAN PRISCILLA OLIVEIRA SOUSA NASCIMENTO
  • “Aqui já é quase cidade’’: sentidos de lugar na relação rural-urbano – o caso de Lagoa da Mata, Teresina - PI”.

  • Orientador : MARIA DIONE CARVALHO DE MORAIS
  • Data: 18/09/2014
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  • Com o objetivo de compreender sentidos de lugar para moradores/as de Lagoa da Mata, localidade rural do município de Teresina/PI, examinei, nesta pesquisa, através de registros etnográficos dos fenômenos, em suas dimensões materiais e simbólicas e com auxilio de pesquisa bibliográfica-documental, sentidos do mundo da vida em Lagoa da Mata. O termo “moradores/as” refere camponeses/as, trabalhadores/as rurais-urbano/as, empregado/as de sitiantes com moradia na localidade, estudantes, comerciantes, dentre outro/as. O recorte analítico deste estudo deu-se na perspectiva de refletir sobre racionalidades sociopolíticas nas quais moradores/as encontram-se inserido/as, assim como sobre sentidos atribuídos por este/as moradores/as a um modo devida entre  rural e urbano. Em campo, aliei a observação direta à observação participante, realizei entrevista semiestruturadas e conversas do cotidiano, com registro no diário de campo, e produzi imagens fotográficas. Assim, busquei apreender, para a escrita deste trabalho de reflexão e análise, sentidos de identificação de moradores/as com o rural e o urbano, com base em suas próprias vivências cotidianas de mobilidade entre campo e cidade. Parti do delineamento de origem da localidade e de seus/suas moradores/as, com atenção à diversidade de identidades locais de uma localidade rural em plena estratégia de abertura às urbanidades. Neste sentido, delineei, ainda, a composição física e simbólica do território, identificando territorializações e territorialidades como base dos signos de identidade de moradores/as na constituição de Lagoa da Mata como lugar de sociabilidades e afetividades entre indivíduos e grupos domésticos. Como resultado da pesquisa, concluo que os sentidos de rural e urbano, para moradores/as de Lagoa da Mata, são contingenciadas pela interação de racionalidades distintas dentro da localidade e desta com ambientes externos. Por um lado, moradores/as mantêm signos de campesinidade, repassados a crianças e jovens, no interior dos grupos domésticos. Por outro, moradores/as - principalmente as juventudes – encontram-se em processo de plena assunção de ideários de modernidade centrada nas racionalidades urbanas, pela disseminação de projetos individuais, expectativas, e planos, por meios de comunicação e avanço das tecnologias de informação no rural.

  • TAMARA FEITOSA OLIVEIRA
  • EM BUSCA DE EXCITAÇÃO: ESTUDO SOBRE AS PRÁTICAS DE LAZER DE JOVENS QUE TRABALHAM EM BARES DA CIDADE DE TERESINA.

  • Orientador : LILA CRISTINA XAVIER LUZ
  • Data: 30/07/2014
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  • A pesquisa objetivou compreender, pela análise das práticas de lazer de jovens trabalhadores/as em

    bares da zona “nobre” da cidade de Teresina, como eles/elas vivenciam seus lazeres tendo como

    proposição garantir visibilidade aos protagonismos das juventudes e as possibilidades e limites

    oferecidos pela cidade para o exercício das tais práticas. O interesse em pesquisar os lazeres desses

    jovens é fruto de inquietação frente à enorme quantidade de bares e de jovens que trabalham neles,

    bem como à ausência e precariedade de espaços públicos que são ou poderão ser lazer na cidade.

    Além disso, o tempo determinado pela sociedade como destinado ao lazer, para os jovens

    pesquisados representa tempo para trabalho. Dessa forma, o presente estudo procurou saber quem

    são os jovens trabalhadores/as de bares, onde, quando e como vivenciam seus lazeres, como o

    espaço/tempo do trabalho interfere e define suas práticas de lazer e se essas confrontam ou não o

    lazer-mercadoria. Para tanto realizei leituras, reflexões teóricas, incursões a campo, entrevistas e

    observação participante a espaço onde os jovens trabalham e onde apontaram realizarem suas

    práticas de lazer. A partir daí, o campo foi definido principalmente pelas entrevistas. Fora

    delimitado, dentro do universo de jovens que trabalham nos bares, estudar o lazer daqueles que

    estavam empregados nesses espaços, não importando a atividade desenvolvida, mas o fato de

    estarem trabalhando rotineiramente nesses locais e não realizando trabalho criativo. O lazer é

    entendido como de grande importância para a juventude, por ser um espaço/tempo privilegiado,

    para “escapar” das amarras do cotidiano, mas também para construção de identidades e

    sociabilidades entre os jovens. Frente a essa compreensão e, partindo do conceito de lazer de Elias e

    Dunning (1992), os quais entendem lazer como o tempo em que é possível exteriorizarmos nossas

    emoções, ainda que muitas vezes de forma controlada como nas sociedades industrializadas. Além

    disto, é o momento em que a rotina não está presente. Na verdade, é o momento de busca por mais

    tensão, mas uma tensão agradável e de livrar-se do autocontrole tão arraigado quando adultos. Para

    ampliar o entendimento sobre lazer, recorri às contribuições de Nelson Marcellino (1996; 2006;

    2008), Victor Melo (2003; 2010) e Christianne Gomes Werneck (2000), para analisar como o

    momento do lazer possibilita também questionamentos sobre a realidade, expressão de identidades,

    criações, entre outras possibilidades diante da diminuição do controle e da permissão de realizar

    escolhas. As entrevistas e a observação participante evidenciaram que outras questões como a

    classe social, a raça/etnia, o gênero, a formação, o trabalho, o tempo livre também devem ser

    considerados na discussão sobre o lazer e a juventude. Os jovens expuseram elementos que

    evidenciam a complexidade das juventudes e que a vivenciam de modo descontínuo, com idas e

    vindas não lineares. As narrativas revelaram um cotidiano com muito trabalho e práticas de lazer

    geralmente, separadas, segmentadas, com espaço e tempo próprio e com a presença da bebida

    alcoólica. Mas, o tempo e espaço do trabalho interferem diretamente em seus lazeres, não apenas

    pelo fato de possibilitar a compra, mas também por interferir no tempo e disposição para estarem no

    espaço do lazer, predominantemente outro bar, porém em zona periférica da cidade. O tempo é

    obtido por meio do dia de folga, geralmente a segunda-feira, e já existem espaços na cidade como

    alguns bares que tem como fim atender justamente esse público, ou então ao final do expediente a

    saída com os amigos e ainda a falta em um dia útil de trabalho. Para custear seus lazeres recorrem

    aos seus precários salários. As narrativas não trouxeram outras práticas para além do lazer-
    mercadoria, demonstrando que a cidade tem permitido um apagamento de expressões culturais das

    juventudes e o não incentivo a práticas de lazer que confrontem o mercolazer. Ao final da pesquisa

    compreendi que a busca dos jovens por oportunidades em que possam extravasar e o fato de não

    utilizarem seus tempos destinados ao lazer para descansar e sim na busca por excitação, como

    forma de enfrentamento ao lazer-mercadoria.

  • FERNANDO DA SILVA SAMPAIO
  • PROJETOS DE GÊNERO NA MÍDIA CAXIENSE

  • Orientador : FRANCINEIDE PIRES PEREIRA
  • Data: 30/07/2014
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  • PROJETOS DE GÊNERO NA MÍDIA CAXIENSE

     

    RESUMO

     

    O trabalho analisa a construção de projetos de gênero na mídia caxiense, para tanto, realiza um estudo do jornal Folha de Caxias, verificando em seus conteúdos a presença de projetos de masculinidade e feminilidade e sua relação com uma dominação-exploração masculina. O período da pesquisa compreende todas as edições do jornal nos anos de 1963 a 1970, que foram acessadas por meio do Acervo hemerográfico do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias. Adotei uma abordagem teórico-metodológica, baseada na Análise de Discurso Crítica-ADC, que possibilita compreender a dinâmica dos discursos interligados com a prática social. O recurso à ADC permite compreender, por meio das categorias ideologia, poder e hegemonia, o processo de construção e reprodução de significações da realidade, que se tornam eficazes, por meio da naturalização, contribuindo, assim, para o fortalecimento de relações desiguais de gênero. Para a realização de tal empreendimento, busquei analisar os projetos de gênero, com o apoio da teoria da socióloga australiana Raewyn Connell, que apresenta três modelos enlaçados de estrutura para analisar as relações de gênero: poder, produção e cathexis. Dentre os resultados obtidos, foi possível observar o processo de construção de notícias que se encontram carregadas de princípios ideológicos, que ajudam a reforçar relações de poder de gênero na sociedade. Além do mais, o trabalho mostra o modo como essa produção da mídia visa, deliberadamente ou não, alocar homens e mulheres em determinados “papéis sociais”, contribuindo para reforçar a ideia de uma sociedade pro-masculina.

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