Este trabalho tem o objetivo de analisar como os agentes do campo jornalístico constroem discursivamente suas identidades profissionais no contexto das reconfigurações estruturais contemporâneas, examinando as relações entre disposições incorporadas, articulações interdiscursivas e tensionamentos que atravessam a formação acadêmica e o exercício profissional. Consideramos que fenômenos como o surgimento das plataformas digitais, mudanças nos modelos de negócio, precarização das condições de trabalho e aumento da participação de agentes não tradicionais na produção informativa tensionam não apenas o fazer jornalístico, mas também influenciam diretamente a maneira como os agentes entendem o que significa ser jornalista, desafiando a estabilidade de modelos históricos de identificação, que passam a operar sob novas condições e em processo permanente de negociação de sentidos. O propósito dessa pesquisa baseia-se na articulação entre o modelo de pesquisa crítico-discursiva da ADC (Chouliaraki; Fairclough, 1999; Fairclough, 2003), tomando como base o mapa ontológico sobre o funcionamento social da linguagem elaborado por Resende (2017, 2019), e os conceitos sociofilosóficos de Pierre Bourdieu (1983, 1984, 1996, 1997, 2001, 2002, 2007, 2008, 2014) sobre a estruturação da vida social. Ademais, partindo do pressuposto de que a identidade profissional começa a se construir desde o início do processo de formação acadêmica na área, empregamos como método de coleta de dados a entrevista semiestruturada realizada com seis estudantes e seis professores de graduação de dois cursos de Jornalismo em Teresina-PI, além de três profissionais formados e com experiência no mercado de trabalho, totalizando quinze participantes. Para complementar a análise, nossa pesquisa documental concentra-se no Projeto Pedagógico do Curso (PPC) de Jornalismo das instituições de ensino superior observadas. O objetivo foi investigar como as grades curriculares influenciam as discussões formativas e suas implicações na construção, sustentação e/ou subversão dos processos de identificação do profissional de Jornalismo. Com isso, objetivamos suscitar elementos de reflexão e contribuir para o debate sobre a formação profissional das próximas gerações de jornalistas. Os resultados evidenciam contradições estruturais que atravessam as identificações profissionais, um processo de erosão tripla (material, simbólica e epistêmica) e modalidades de construção identitária que emergem sob o signo da “crise” no campo. Apesar desse cenário, apontamos possibilidades de transformação ancoradas no diálogo entre os agentes sociais.