O estudo analisa a construção das identidades de aprendizes surdos de português como língua adicional nas práticas acadêmicas sob a perspectiva teórica da Teoria do Caos e da Complexidade, em diálogo com o modelo de letramentos acadêmicos de Lea e Street. Busca-se investigar as condições iniciais de desenvolvimento do português como língua adicional nas práticas anteriores ao ensino superior; analisar as estratégias desenvolvidas pelos alunos para atender as demandas de utilização de português escrito nas práticas textuais na instituição de ensino e sondar a influência de outros fractais identitários dos informantes na construção das identidades de aprendiz de português como língua adicional nas práticas acadêmicas. Adota-se a pesquisa narrativa com abordagem qualitativa-interpretativa, utilizando narrativas (livre e conduzida) dos graduandos surdos dos diferentes cursos por meio de entrevistas e produção textual livre com o tema determinado. Os resultados indicam que as participantes constroem suas identidades de forma dinâmica, marcada por resistência, pertencimento e reconstrução, revelando diferenças significativas nas trajetórias linguísticas e identitárias. Tais trajetórias, caracterizados por distintas formas de inserção em contextos ouvintes e na comunidade surda, influenciam a percepção e o uso do português, bem como o processo de ressignificação linguística mediados pelo contato com a Libras, que favorece a emergência de novas posições identitárias. Essas diferenças influenciam diretamente a relação com o português, através de condições iniciais e atratores, o comportamento diante das práticas de leitura e escrita, por meio de pontos de bifurcações, e a pluralidade de identidades, utilizando fractais identitários. As análises revelam tensões e regularidades que atravessam práticas hegemônicas pela língua oral, identidades, escrita, centralidade do português, estereótipos, normas institucionais e autoria. Conclui-se que as identidades de aprendiz são múltiplas, dinâmicas e situadas, formadas por experiências de vida, condições de desenvolvimento, contextos situados e relações de poder que determinam como cada sujeito se posiciona diante das línguas. Há coexistência de múltiplas fractais de identificação em uma mesma pessoa.