Esta proposta de tese propõe uma discussão em torno da categoria ressentimento, que se manifesta por meio da memória e o movimento constante do re-sentir. Assim, compreendemos o ressentimento como um afeto aprisionador, que diminui a vontade de potência. A presente pesquisa investiga as configurações do ressentimento na tessitura romanesca do escritor brasileiro Evandro Affonso Ferreira. O corpus literário organiza-se segundo três configuração do ressentimento: O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotterdam — ressentimento amoroso; Minha mãe se matou sem dizer adeus — ressentimento familiar; Nunca houve tanto fim como agora — ressentimento social. Utilizamos como corpus teórico o pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, especialmente em Genealogia da Moral (2009); Baruch Spinoza em Ética (2023); o estudo de Maria Rita Kehl intitulado Ressentimento (2020); dentre outros. Partimos da hipótese de que o ressentimento não se reduz à queixa diante de um agravo; ao contrário, a queixa constitui apenas o sintoma desse agravo, enquanto o ressentimento opera como elemento estruturante da construção subjetiva das personagens, configurando-se como forma persistente de elaboração — e de fixação — da experiência afetiva.