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Notícias

Banca de DEFESA: RAIMUNDA DA CONCEIÇÃO SILVA

Uma banca de DEFESA de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RAIMUNDA DA CONCEIÇÃO SILVA
DATA: 28/04/2026
HORA: 14:00
LOCAL: DEFESA DE TESE
TÍTULO: DO PADRÃO EUROPEU À NORMA-PADRÃO BRASILEIRA: UM ESTUDO DA TENSÃO ENTRE PRESCRIÇÕES NORMATIVAS E USOS CORRENTES NA MODALIDADE ESCRITA FORMAL DO PORTUGUÊS BRASILEIRO
PALAVRAS-CHAVES: Normas linguísticas. Voz Passiva Sintética. Gramáticas brasileiras do século XX. Norma-padrão. Norma-padrão brasileira. Historiografia Linguística.
PÁGINAS: 333
GRANDE ÁREA: Lingüística, Letras e Artes
ÁREA: Lingüística
RESUMO:

Esta tese, situada no domínio da Historiografia Linguística (HL), se insere no rol de estudos voltados para a discussão das normas linguísticas e de questões relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa no Brasil. Partindo disso, o objetivo geral da pesquisa é apresentar uma narrativa historiográfica sobre a emergência e a consolidação da norma-padrão no Brasil, analisando os seus desdobramentos na produção de gramáticas normativas do século XX e na atual escrita acadêmica brasileira, a partir da análise do fenômeno da Voz Passiva Sintética (VPS), a fim de propor uma revisão da norma-padrão nos compêndios selecionados. Para isso, selecionamos 140 textos acadêmicos: 70 artigos científicos, 35 dissertações e 35 teses, produzidos e publicados entre 2001 e 2021, a partir dos quais organizamos um banco de dados para coletar e analisar ocorrências de VPS; e seis gramáticas normativas brasileiras do século XX. Como fundamentação teórico-metodológica, usamos alguns pressupostos da HL: princípios da contextualização (Koerner, 1996 [1995]), que possibilitou o resgate do clima de opinião no qual se fixou a norma-padrão no Brasil, essencial para compreender (des)caminhos normativistas do país; e da imanência (Ibidem), a partir do qual procedemos com o cotejo da regra de VPS e de outras discussões sobre esse fenômeno nas gramáticas, a fim de identificar continuidades e descontinuidades (Koerner, 1989) a respeito do tema. Quanto à organização do corpus de língua escrita, valemo-nos de noções da Linguística de Corpus; já para o processo de análise das ocorrências e comparação entre usos e prescrições, buscamos respaldo em noções da Sociolinguística Variacionista, com base nos conceitos de variedade, variante e variação (Labov, 2008 [1972]). No corpus de língua escrita, coletamos 441 ocorrências do fenômeno e, desse total, chamou-nos a atenção a quantidade de ocorrências (130) da variante inovadora (cf. Vieira; Faraco, 2023), sem a marca de concordância verbal, dado relevante por se tratar de textos de alto monitoramento. O levantamento serviu de base para a análise das ocorrências, considerando fatores, de ordem morfossintática e semântico-discursiva — (i) gênero textual; (ii) tempo e modo verbal; e (iii) predicação verbal e estrutura do sintagma posposto —, a fim de entender se e de que forma eles podem favorecer a não marcação de plural no verbo em construções ‘passivas sintéticas’. Como resultados, a investigação aponta que: (a) a adoção de uma norma-padrão lusitanizada no Brasil esteve inserida no projeto nacional elitista e excludente de uma nação que foi concebida mediante o trabalho escravo, apontando que a história dos debates em torno da língua no Brasil é marcada por uma grande linha de continuidade com teorias científicas do século XIX e início do XX, que desemboca, aos olhos de hoje, em práticas de racismo na sociedade. Isso fundamenta a manutenção do dizer normativo sobre a língua em materiais voltados para o ensino, como as gramáticas normativas, bem como dá sustentação ao preconceito linguístico impregnado na sociedade brasileira; e (b) a presença significativa de variante inovadora (29,48%), que competiu com 70,52% da variante conservadora (cf. Vieira; Faraco, 2023), sugere que tal índice não tem a ver com falta de revisão ou de conhecimento gramatical dos escreventes, mas marca uma tendência, em trânsito, de reanálise sintática do pronome se como ‘índice de indeterminação do sujeito’ no Português Brasileiro (PB). Diante disso, não podemos ignorar o evidente confronto entre norma e uso, o que demanda uma leitura crítica de regras como a da VPS, no sentido de sinalizar os pontos em que se contradizem, excluindo o que for incompatível com a nossa realidade culta (cf. Faraco, 2017), ou (ao menos) colocando usos linguísticos cultos reais como possibilidades.


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1167642 - FRANCISCO ALVES FILHO
Externo à Instituição - 069.***.***-98 - LEONARDO GUEIROS - UFPB
Interno - 1790769 - MARAISA LOPES
Presidente - 2499575 - MARCELO ALESSANDRO LIMEIRA DOS ANJOS
Externo à Instituição - 031.***.***-33 - MERYANE SOUSA OLIVEIRA - UEMA
Notícia cadastrada em: 04/03/2026 13:49
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