As animações da Disney, ao longo das últimas décadas, tornaram-se parte
importante do repertório cultural de diferentes gerações, atravessando o cotidiano com
imagens, sons e narrativas que circulam amplamente em múltiplas mídias. Entre os
muitos sentidos que essas obras mobilizam, estão aqueles ligados à construção de raça,
especialmente em relação à forma como personagens racializados são inseridos ou
narrados nesse universo. A pesquisa parte da seguinte questão: De que modos a negritude é abordada nas animações da Disney?. Assim, a partir da perspectiva dos processos de subjetivação, esta dissertação busca compreender como a negritude é abordada nas animações da Disney. Como objetivos específicos tem-se: a) mapear os marcadores raciais presentes nas animações da Disney; b) Identificar os padrões estéticos e narrativos associados às personagens negras nas animações da Disney; c) discutir a relação entre os discursos produzidos sobre a negritude e os processos de subjetivação; d) problematizar as modelizações de subjetividade em torno da negritude nas animações Disney. O corpus é composto por quatro animações lançadas entre 1990 e 2020, recorte que permite observar continuidades e deslocamentos nas formas de figurar personagens negras ao longo do tempo. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, ancorada na análise de discurso de orientação foucaultiana. A análise considera elementos narrativos, visuais e simbólicos, com atenção à forma como as personagens são apresentadas, quais papéis ocupam e que sentidos ativam. O percurso teórico mobiliza autores como Foucault (1995), Carneiro (2023), Akotirene (2019), Rolnik (2018), Fischer (1997) entre outros autores, cujas contribuições permitem tensionar os vínculos entre discurso, normatividade e subjetivação. Dessa forma, a pesquisa busca refletir criticamente sobre os modos como as construções discursivas atuam na produção de subjetividades, investigando como os sentidos acionados pelas animações operam deslocamentos, regulações ou apagamentos em torno da negritude. Ao compreender essas narrativas como parte de uma rede de práticas que produzem modos de ser e estar no mundo, propõe-se tensionar os efeitos micropolíticos da imagem animada sobre os processos de subjetivação atravessados pelo marcador raça no campo midiático contemporâneo.