Esta dissertação investiga a realidade social brasileira, fundamentada em um processo histórico moderno/colonial que consolidou um modelo de desenvolvimento excludente e predatório. Esse paradigma, impulsionado pela “Modernização Conservadora” da década de 1960 e pelos princípios da Revolução Verde, resultou na marginalização de saberes tradicionais e na concentração fundiária. Nesse cenário, o estudo foca no município de Codó, Maranhão, explorando como as lideranças quilombolas de Queimadas e de Santo Antônio dos Pretos articulam a dinâmica agroecológica como uma estratégia de existência e reprodução socioambiental frente às pressões da modernidade nos territórios. O objetivo geral da pesquisa consiste em compreender de que maneira esses líderes utilizam a agroecologia como ferramenta de resistência contra a hegemonia do modelo de desenvolvimento capitalista. Os percursos epistemológicos e metodológicos se ancoraram na perspectiva da contracolonização e no pensamento afrodiaspórico, com uma abordagem qualitativa, de natureza descritiva-interpretativa, utilizando o estudo de caso como estratégia central. Foram realizadas seis entrevistas semiestruturadas com interlocutores de ambos os territórios, sendo três de cada um, além do uso de diários de campo e registros fotográficos. Os resultados expressam que as lideranças atuam como tecelãs de saberes, onde o exercício político e a gestão do território são extensões diretas da identidade e do território quilombola. A agroecologia quilombola é identificada como uma tecnologia ancestral de resistência, embora enfrente o dilema do uso de agrotóxicos, muitas vezes adotados como uma armadilha da praticidade decorrente da escassez de mão de obra gerada pelo êxodo rural. A pesquisa ressalta a centralidade da segurança fundiária: enquanto o território de Santo Antônio dos Pretos, já titulado, apresenta maior facilidade de acesso a políticas públicas, o território de Queimadas ainda luta pela sua proteção contra o agronegócio. Além disso, o protagonismo das mulheres como o eixo sustentador da organização comunitária e da segurança alimentar é um destaque. O estudo aponta que a agroecologia quilombola se configura como uma ferramenta de autodefesa territorial e soberania política que precisa ser fortalecida.