O presente trabalho trata-se de uma pesquisa em andamento que traz como questão central a mulher na área de matemática. Nesse sentido, têm como objetivo geral analisar como o gênero permeia as experiências e escolhas de mulheres na formação e na vida profissional no campo da matemática. Ao buscar essa compreensão pretende-se questionar as explicações socioculturais e históricas que afastam as mulheres do campo da matemática, mas principalmente interessa compreender seus modos de existir nele. Nesse sentido, a epistemologia feminista é uma ferramenta analítica fundamental no contexto dessa pesquisa, pois questiona a objetividade e neutralidade, aspectos tão excludentes na produção de conhecimentos científicos. Adotou-se como instrumento principal de coleta de dados a entrevista semiestruturada, com professoras de matemática que atuam em escolas públicas estaduais do estado do Piauí. Além disso, serão utilizados dados de fontes secundárias oriundos de documentos oficiais como leis, relatórios e acordos que abordem a igualdade de gênero e o direito das mulheres. Considerando que as relações de gênero são perpassadas por outros marcadores, adotou-se para análise dos dados o método hermenêutica-dialética à partir da perspectiva Sociológica de Minayo (2008). A fundamentação teórica está ancorada em autoras e autores que abordam: o conceito de gênero como categoria de análise, o patriarcado como modelo estrutural e mantenedor de desigualdades, a divisão sexual do trabalho como mecanismo de separação injusta entre os gêneros, as violências simbólicas enquanto artefato de silenciamento nas relações de poder e a epistemologia feminista que crítica os modelos tradicionais de produzir ciência, tais como: Harding (1986, 1993, 2007, 2019); Haraway (1995); Scott (1989, 2012); Pateman (1993); Saffioti (2015); Lerner (2019); Bourdieu (2020) entre outras (os). Resultados preliminares apontam para desigualdades estruturais e persistência de relações que segregam as mulheres na área de matemática