O crime de violência contra a mulher é um problema que ainda ultrapassa fronteiras geográficas e culturais, afetando mulheres de todas as idades, independente de classes sociais e origens étnicas em todo o mundo. Entre os principais tipos de violência contra a mulher estão a violência física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Frente a esse cenário uma das medidas imprescindíveis ao monitoramento desta prática é a implementação da notificação compulsória da violência contra a mulher, pois esta é um instrumento que fortalece o enfrentamento desse problema social. Dessa forma, tem-se o seguinte questionamento: Como os profissionais de saúde em Floriano – PI atuam frente à notificação compulsória da violência contra a mulher? À vista disso, o estudo tem como objetivo analisar a implementação da notificação compulsória da violência contra a mulher por parte dos profissionais de saúde do município de Floriano-PI. A metodologia proposta trata-se de um estudo descritivo e exploratório de abordagem quanti-qualitativa. Para a obtenção dos dados quantitativos, foi realizada uma pesquisa no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), referente ao município de Floriano – PI, no período de 2021 a 2024, realizada uma análise estatística descritiva dos dados e os resultados apresentados em gráficos. Os achados desta pesquisa constataram a subnotificação em três dos quatro anos investigados e até mesmo a não notificação em um dos quatro anos analisados. Já os dados qualitativos foram obtidos através de entrevistas presenciais com roteiro semiestruturado que buscou compreender tanto os conhecimentos dos profissionais sobre a notificação compulsória, quanto os fatores institucionais, organizacionais e culturais que dificultam ou inviabilizam sua efetivação. As informações foram organizadas e analisadas com o auxílio do software IRAMUTEQ®, que permitiu a realização de análises estatísticas sobre o corpus textual. Entre os recursos oferecidos pelo programa, foi utilizado o dendrograma, representação gráfica de agrupamentos hierárquicos, que auxiliou na identificação de categorias e padrões de discurso. Essa ferramenta permitiu avaliar os indicadores obtidos nas entrevistas. Os resultados desta investigação identificaram fatores como ausência de treinamento, falta de protocolos, insegurança profissional e dificuldades no reconhecimento e registro dos casos, além de fatores culturais, como medo de retaliação e naturalização da violência, os quais comprometem a implementação da notificação compulsória. Portanto, através dessa pesquisa, fomenta-se o surgimento de subsídios que possam nortear a Gestão Pública na condução de ações e políticas mais eficazes para proteger as mulheres, como a inserção da temática da violência contra a mulher e da obrigatoriedade da notificação compulsória no programa de Educação Permanente em Saúde, a execução de um treinamento piloto como etapa prática inicial da implementação do programa, permitindo ajustes e avaliação da efetividade antes da expansão para todos os profissionais e a criação de uma sala específica de atendimento acolhedor e sigiloso para mulheres vítimas de violência.