Introdução: A metáfora do “teto de vidro” representa barreiras invisíveis que limitam o avanço profissional de mulheres e minorias em diferentes contextos organizacionais. Nesse sentido, este estudo discute a persistência desse fenômeno de forma específica entre mulheres contadoras no Brasil. Entretanto, no cenário nacional, ainda são escassos instrumentos validados capazes de identificar e mensurar as barreiras que dificultam a progressão das mulheres contadoras em ambientes profissionais. Objetivo: O objetivo geral deste estudo consiste em realizar a adaptação e validação psicométrica da escala TOP WOMAN para mulheres contadoras no Brasil. Método: Trata-se de um estudo metodológico destinado à adaptação cultural e validação da escala TOP WOMAN, voltada à mensuração do fenômeno do teto de vidro no contexto brasileiro. O instrumento é composto por 33 itens, organizados em sete fatores, com cinco opções de resposta, possibilitando a identificação das barreiras que dificultam a progressão profissional de mulheres contadoras em ambientes organizacionais. As etapas metodológicas compreenderam tradução, avaliação por comitê de juízes, retrotradução (back-translation), análise semântica, pré-teste e avaliação das propriedades psicométricas. O pré-teste foi realizado com 26 participantes e, posteriormente, a escala foi aplicada a 207 mulheres contadoras. A coleta de dados ocorreu de forma virtual e presencial, nos meses de novembro e dezembro de 2025 e janeiro de 2026, até o dia 15. Foram realizadas análises de confiabilidade, análise fatorial exploratória, análise fatorial confirmatória e testes de validade convergente e discriminante. Os dados foram analisados por meio do software SPSS (versão 31.0.20), com o auxílio do pacote AMOS para a condução da análise fatorial confirmatória. Todos os aspectos éticos foram devidamente observados. Resultados: A confiabilidade global da escala, mensurada pelo coeficiente alfa de Cronbach, apresentou valor elevado (α = 0,917). A análise fatorial identificou sete fatores, definidos conforme o critério de Kaiser, com autovalores superiores a 1,0. A estrutura fatorial foi corroborada por meio da análise fatorial confirmatória, a qual indicou adequados índices de ajuste (χ²/GL = 1,4225; GFI = 0,996; RMSEA = 0,0655; TLI = 0,984; NFI = 0,95; IFI = 0,986; CFI = 0,986; AGFI = 0,951; PNFI = 0,836; PGFI = 0,663). A validade convergente foi avaliada pela Confiabilidade Composta (CC), cujos valores se mostraram superiores a 0,70 em todos os fatores, variando entre 0,767 e 0,928. Por sua vez, a validade discriminante foi examinada por meio do critério Heterotrait-Monotrait Ratio of Correlations (HTMT), com todos os coeficientes abaixo de 0,85, ou 0,90, conforme critérios mais flexíveis. Conclusão:A versão adaptada da escala apresentou níveis adequados de confiabilidade e validade para a avaliação das barreiras que limitam a progressão profissional de mulheres contadoras em contextos organizacionais. Assim, recomenda-se sua utilização em estudos futuros, bem como a continuidade da investigação de suas propriedades psicométricas e dimensões em distintos contextos, com o objetivo de aprimorar a identificação das barreiras de acordo com a finalidade do instrumento.