O presente estudo aborda o papel dos Laboratórios Urbanos Vivos (Urban Living Labs – ULLs) como instrumentos inovadores para a implementação de políticas de adaptação/mitigação climática, com ênfase na experiência do Centro de Eficiência em Sustentabilidade Urbana (CESU) de Teresina/PI. O objetivo geral é compreender como os laboratórios urbanos vivos, por meio do estudo de caso do CESU Teresina no período de 2021 a 2026, podem ser considerados um instrumento inovador para viabilizar a implementação de políticas públicas de adaptação/mitigação climática. A pesquisa justifica-se pelo cenário de proliferação mundial de ULLs , no qual tem-se concentrado no Norte Global enquanto no Sul Global, especificamente no Brasil há uma escassez de estudos empíricos, sobretudo no Nordeste, região marcada por intensos desafios socioespaciais e de infraestrutura (Amorim et al., 2022) A lacuna científica que se busca preencher refere-se à compreensão dos mecanismos de coprodução, engajamento institucional e adaptação de soluções sustentáveis em contextos urbanos brasileiros, de forma particular ao município de Teresina - PI, ainda pouco explorados pela literatura nacional (Menezes e Macadar, 2025). Diante disso, pergunta-se: de que forma o CESU/Teresina, enquanto Laboratório Urbano Vivo, pode ser considerado um instrumento inovador para viabilizar a implementação de políticas públicas orientada à inovação para adaptação e mitigação climática em Teresina? A hipótese central da pesquisa é de que a eficácia do CESU/Teresina em traduzir experimentações em ambiente urbano real para promover políticas públicas voltadas para a sustentabilidade e adaptação/mitigação climática deriva de seu arranjo de governança institucional. Metodologicamente, adotou-se abordagem qualitativa e exploratória, estruturada em estudo de caso único, com triangulação entre observação participante, pesquisa documental e entrevistas em profundidade, submetidas à Análise de Conteúdo Qualitativa (Kuckartz, 2019) com apoio do software Atlas.ti. Os resultados indicam que a contribuição do CESU Teresina não deriva primariamente das inovações tecnológicas que gera, mas de seu arranjo de governança institucional, pois ao operar como espaço intermediário legitimado por sua origem acadêmica, o laboratório articula o ecossistema de inovação à burocracia municipal e viabiliza as fases de formulação, coprodução, teste e validação de soluções. Essa viabilização, contudo, mostrou-se parcial, pois a incorporação das soluções em política permanente permanece condicionada por fatores que o laboratório não controla, especificamente a ausência de autoridade executiva. Conclui-se que o hibridismo provider-enabler que constitui a força do CESU Teresina configura também seu limite. Somado a isso, tal hibridismo ao ser operado sob condições de assimetria de poder, constitui a especificidade do caso e o principal aporte do estudo ao debate sobre laboratórios urbanos vivos em contextos de institucionalidade em construção.