Desde o início do século XXI, o sudoeste do Piauí vem sendo intensamente incorporado ao processo de expansão do agronegócio, em especial da soja, com destaque para a atuação da Bunge Alimentos. A pesquisa parte do reconhecimento dessa territorialização como parte de uma estratégia mais ampla de inserção de regiões produtivas do Brasil nas dinâmicas globais de exportação de commodities. Dessa forma, o estudo objetiva analisar o papel da Bunge Alimentos na consolidação do modelo agroexportador no cerrado piauiense, enfocando seus investimentos, estratégias logísticas e os impactos territoriais, sociais e ambientais gerados pela sua atuação entre 2008 e 2024. Trata-se de uma pesquisa qualitativa de base bibliográfica e documental, com análise de relatórios institucionais, dados econômicos e ambientais, legislação, e estudos acadêmicos sobre agronegócio, a questão da sustentabilidade e os conflitos socioambientais. A investigação foca em documentos produzidos entre 2008 e 2024, período marcado pelo aprofundamento da financeirização da agricultura e pelo avanço da fronteira agrícola no MATOPIBA que incorpora o sudoeste do Piauí. Como resultados, a Bunge Alimentos se consolida como principal intermediadora da soja no Piauí, controlando cerca de 80% da produção do estado por meio de sua capacidade logística e financeira. Em contrapartida, sua atuação tem recebido críticas ligadas às associações com os processos de desmatamento, apropriações ilegais de terras, uso intensivo de agrotóxicos e conflitos fundiários, especialmente com comunidades tradicionais como indígenas, ribeirinhos e brejeiros. Assim, a territorialização do agronegócio no Piauí revela contradições profundas entre os discursos de desenvolvimento e os efeitos sociais e ambientais da expansão da soja. O controle exercido pela Bunge exemplifica como o capital transnacional reconfigura o território, reforçando desigualdades e promovendo uma forma de desenvolvimento insustentável.