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Capítulo da Profa. Dra. Cláudia Fontineles (do PPGCP/UFPI) discute história, mídia e crise política no Brasil contemporâneo

A obra "Entre a fome e a desinformação: muitas pontes entre Brasil e África" reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros em torno de temas centrais para compreender o mundo contemporâneo: fome, crise climática, desinformação, saúde pública, comunicação e história. Publicado pela EDUFPI em 2026, o livro tem organização de Marialva Barbosa, Ana Regina Rêgo, Igor Sacramento, em memória, e Ana Goulart de Andrade. Logo nas primeiras páginas, a publicação já evidencia sua relevância intelectual ao abrir o debate com textos de Roger Chartier e Muniz Sodré, dois nomes de grande importância para os estudos da história, da comunicação, da cultura e da vida social brasileira.


O propósito do livro é construir pontes analíticas entre Brasil e África a partir de problemas que atravessam diferentes sociedades: a fome, as crises climáticas e a desinformação. De acordo com a apresentação da obra, o volume resulta de dois congressos realizados em setembro de 2025, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal do Piauí. Esses encontros articularam projetos internacionais de pesquisa envolvendo instituições brasileiras e universidades da África, da Europa e da América Latina, com apoio do CNPq.


A estrutura do livro reforça esse propósito. A primeira parte, intitulada “Fome, Desinformação e Crise Climática”, reúne capítulos voltados às relações entre comunicação, insegurança alimentar, mudanças climáticas, plataformas digitais e circulação de informações. A segunda parte, “Histórias da Comunicação: entre a pobreza humana e informacional”, desloca o eixo para a dimensão histórica desses problemas, examinando arquivos, memória, pandemia, política, mídia e usos públicos do passado. É nessa segunda parte que está o capítulo da Prof.ª Dr.ª Cláudia Fontineles, intitulado “Historicidades no Contemporâneo: história, política e cultura num país em ebulição”.


Professora da Universidade Federal do Piauí e vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí, Cláudia Fontineles aparece na obra como autora do capítulo 15. O texto parte de uma reflexão sobre história, mídias e dimensões do tempo para discutir a atuação das mídias no cenário político brasileiro recente. A própria autora delimita que abordará as mídias em sua perspectiva histórica e em sua atuação no período situado entre a reeleição de Dilma Rousseff e sua destituição por impeachment, processo que Fontineles denomina golpe.


O objetivo do capítulo é analisar os antecedentes e os indícios que, segundo a autora, anunciavam o processo de impeachment/golpe contra Dilma Rousseff nas matérias jornalísticas veiculadas pelas mídias empresariais brasileiras em suas plataformas digitais. Para isso, Fontineles examina declarações de adversários do governo publicadas em veículos de comunicação, as abordagens midiáticas das acusações feitas entre 2014 e 2016 e também matérias relativas a relatórios técnicos que absolveram a presidenta das acusações imputadas.


O capítulo não se limita à descrição do processo político. A autora sustenta que a interrupção do mandato da primeira mulher eleita e reeleita à Presidência da República deve ser compreendida em diferentes dimensões: parlamentar, empresarial, jurídica e midiática. Pela natureza do texto, Fontineles concentra sua análise na dimensão midiática e nas suas articulações com as demais. Ao mesmo tempo, destaca que o processo não ocorreu sem resistência social, chamando atenção para mobilizações que denunciaram riscos à democracia e impactos sociais das reformas posteriores ao afastamento de Dilma Rousseff.


Para desenvolver sua análise, Cláudia Fontineles utiliza legislações brasileiras, matérias jornalísticas e fotografias publicadas tanto por grupos corporativos de comunicação quanto por mídias alternativas. Enquanto os primeiros são interpretados pela autora como agentes que contribuíram para a retirada de Dilma Rousseff do poder, os segundos aparecem como espaços de circulação das vozes de movimentos sociais que alertavam para os riscos políticos e sociais daquele processo.


Com isso, “Historicidades no Contemporâneo” contribui para o debate mais amplo da obra ao mostrar como a disputa em torno da informação, da memória e da interpretação do passado recente continua sendo decisiva para a vida democrática. O capítulo aproxima história, política e cultura para pensar um país marcado por instabilidade institucional, conflito narrativo e intensa disputa pública de sentidos. Em diálogo com o conjunto do livro, o texto de Cláudia Fontineles reforça a importância de compreender a desinformação não apenas como fenômeno tecnológico, mas também como problema histórico, político e social.

 

Baixe o livro, de forma gratuita, no link abaixo.

Notícia cadastrada em: 06/07/2026 10:44
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