A presente pesquisa tem por objetivo relacionar o uso das redes sociais ao comportamento eleitoral no Brasil, tomando como referência as eleições gerais de 2022. O estudo busca estabelecer de que maneira a frequência e a intensidade do consumo informacional digital se conectam a atitudes políticas, posicionamentos ideológicos e escolhas eleitorais. O estudo fundamenta-se em dados provenientes do Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB 2022), com um recorte analítico voltado aos eleitores com exposição diária (sete dias por semana) ao ambiente digital, o que permite observar padrões de comportamento a condições de elevada exposição ao ambiente informacional digital. Os resultados permitem relacionar o uso intensivo das redes sociais a níveis mais elevados de polarização política, compreendida como um antagonismo afetivo, além de vincular essa exposição à personalização da disputa e ao engajamento emocional. Ademais, a pesquisa relaciona a conectividade digital a um paradoxo da cultura política: uma adesão majoritária à democracia que coexiste com baixos níveis de confiança nas instituições, especialmente nos partidos políticos. As evidências sugerem que as redes sociais não determinam o voto de forma isolada, mas interagem com predisposições políticas previamente existentes, reforçando-as. Conclui-se que compreender o comportamento eleitoral no Brasil contemporâneo exige considerar a interdependência entre estruturas sociais, processos cognitivos e o ecossistema digital de comunicação política.