O Piauí enfrenta desafios ambientais, sociais e econômicos complexos em virtude de sua localização em uma faixa de transição climática entre a umidade amazônica e o semiárido do Nordeste Oriental. Nesse contexto, a Gestão Integrada de Recursos Hídricos (GIRH) apresenta-se como uma abordagem participativa e multidisciplinar orientada à organização de estruturas de planejamento que integram dimensões ecológicas, políticas, sociais, econômicas e de inovação tecnológica. Este trabalho objetiva avaliar a efetividade da implementação da GIRH no estado, analisando práticas bem-sucedidas da região Nordeste que possam servir como modelos aplicáveis à realidade piauiense. A pesquisa, de natureza descritiva-exploratória, fundamentou-se na combinação de dados secundários - abrangendo a análise de leis, planos e relatórios da ANA/UNEP - com dados primários obtidos por meio de visitas in loco, observações e entrevistas semiestruturadas com profissionais de órgãos estratégicos como SEMARH, SEPLAN, IDEPI, SAF, SADA, SEFIR e SEINFRA, resultando ainda na proposição de um Manual ou Guia Técnico. Os resultados da investigação apontam avanços relevantes, destacando-se a digitalização da outorga via sistema eletrônico, a atualização do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH-PI 2024) e a participação ativa em ciclos de programas como o PROGESTÃO e o Piauí Sustentável Inclusivo. No entanto, persistem fragilidades estruturais marcantes, como a fragmentação institucional com sobreposição de atribuições entre secretarias, a inatividade histórica dos Comitês de Bacia Hidrográfica (CBHs) e a ausência de planos de bacia e de enquadramento dos corpos d'água. Além disso, observam-se falhas no monitoramento e na integração de dados intersetoriais, acompanhadas por uma participação social ainda limitada e concentrada no Conselho Estadual, enquanto os CBHs estaduais permanecem incipientes. A análise comparativa com outras experiências do Nordeste evidencia que modelos como a COGERH, no Ceará, que atua como entidade coordenadora central, e o programa Pernambuco Tridimensional (PE3D), focado em mapeamento de alta precisão para planejamento público, oferecem lições valiosas de descentralização e integração. Da mesma forma, a articulação interestadual do CBH São Francisco serve como exemplo de governança colaborativa eficaz. O estudo conclui que, apesar do compromisso demonstrado pela SEMARH, a gestão piauiense carece de coordenação estratégica e fortalecimento dos mecanismos participativos. Para superar tais limitações, propõe-se a criação de planos estratégicos unificados, o fortalecimento de diagnósticos técnicos nas bacias e a efetivação operacional dos comitês estaduais e federais.