Introdução: A sífilis constitui um importante agravo de saúde pública, com elevada prevalência entre Homens que fazem Sexo com Homens (HSH). O rastreamento de caso de sífilis nessa população é fundamental para o diagnóstico precoce, tratamento e interrupção da cadeia de transmissão. Objetivo: Analisar a prevalência e os fatores associados a sífilis entre HSH de uma capital do Nordeste brasileiro. Método: Trata-se de estudo transversal analítico, realizado em Teresina, Piauí, entre maio e julho de 2026, com HSH com idade ≥18 anos. O recrutamento utilizou o método Respondent Driven Sampling (RDS), empregado exclusivamente como estratégia de recrutamento, sem aplicação de ponderação ou ajuste dos dados nas análises. Inicialmente, foram recrutados e testados 404 participantes, sendo posteriormente aplicados os critérios de elegibilidade, resultando em 228 participantes na amostra analítica. A coleta incluiu aplicação de questionário e testagem rápida para sífilis, com aconselhamento pré e pós-teste. Os dados foram analisados no software Jamovi, versão 2.3. Foram realizadas análises descritivas, teste Exato de Fisher, cálculo de Odds Ratio (OR) com intervalo de confiança de 95% (IC95%) e regressão logística binomial. Adotou-se nível de significância de 5% Resultados: A prevalência de sífilis foi de 6,1%. Houve associação entre o resultado reagente e a escolaridade dos pais (p=0,045), tipo de parceria (p=0,040), maior número de parceiros sexuais nos últimos seis meses (OR=4,73; IC95%: 1,52–14,70) e histórico de IST (OR=3,69; IC95%: 1,15–11,80). Participantes com histórico de resultado positivo para sífilis apresentaram maior chance de resultado reagente no estudo (OR=7,97; IC95%: 1,93– 32,90). Na análise multivariada, a identidade de gênero não binária permaneceu associada ao resultado reagente (ORa=6,93; IC95%: 1,21–39,50). Conclusão: A prevalência de sífilis entre os HSH investigados foi de 6,1%, evidenciando a ocorrência da infecção nessa população. Os achados indicam associação com características relacionadas às parcerias e ao histórico de IST e testagem, além de maior chance de resultado reagente entre participantes com identidade de gênero não binária. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar estratégias de testagem, aconselhamento e prevenção combinada direcionadas às diferentes experiências e contextos de vulnerabilidade dos HSH.