Introdução: A sífilis gestacional permanece como relevante problema de saúde pública, apesar de ser amplamente evitável por meio do rastreamento oportuno e do tratamento adequado durante a gestação. A transmissão vertical pode resultar em perda fetal, natimortalidade, morte neonatal, prematuridade, baixo peso ao nascer e sífilis congênita. Objetivo: Avaliar o efeito de uma intervenção educativa com gestantes acerca do conhecimento sobre a sífilis gestacional. Método: Estudo analítico, quase experimental, de grupo único, com delineamento antes e depois. O cálculo amostral definiu 150 participantes. Após a auditoria do banco de dados, 149 gestantes compuseram a análise basal e 122 apresentaram dados completos nos momentos pré e pós-intervenção. O estudo foi realizado em uma maternidade pública de Teresina, Piauí, Brasil, com utilização de instrumentos validados e de uma intervenção mediada por vídeo educativo previamente validado. Os dados foram processados no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 26.0, e submetidos a análises descritivas e inferenciais. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí. Resultados: Participaram predominantemente gestantes adultas jovens, pardas, com maior concentração na faixa etária de 20 a 34 anos, escolaridade de 12 anos ou mais, renda mensal de até um salário mínimo, presença de parceiro e discreta predominância de ocupação remunerada. Nas análises pareadas, realizadas com 122 participantes, o escore médio de conhecimento aumentou de 4,61 para 6,43 pontos após a intervenção (p<0,001), acompanhado de aumento da mediana de 5 para 7. Observou-se ainda reclassificação das participantes para níveis mais favoráveis de conhecimento. O modelo ajustado não identificou preditores independentes estatisticamente significativos para baixo conhecimento. Conclusão: A intervenção educativa esteve associada à melhora significativa do conhecimento das gestantes sobre sífilis, evidenciada pelo aumento dos escores e pela reclassificação das participantes para categorias mais favoráveis após a intervenção. Os achados reforçam a relevância de estratégias educativas no pré-natal e apontam para a necessidade de ampliar ações de educação em saúde sobre sífilis, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.