A presente pesquisa pretende realizar estudos sobre o noticiário de assuntos internacionais veiculado no jornal Correio da Manhã (RJ) acerca da Guerra Árabe-Israelense (1948-1949), primeiro conflito militar de grandes proporções ocorrido entre palestinos e judeus. Objetiva-se compreender de que maneira a versão narrada através do referido jornal, de circulação nacional, dialoga com a construção de um enquadramento de memória sobre o conflito, segundo a compreensão da relação entre História e Memória proposta por Michael Pollak (1989). Além disso, busca-se refletir sobre o caráter do noticiário internacional enquanto formador de comunidades imaginadas (Anderson, 2008), como a comunidade internacional da qual o Brasil faz parte, ligada ao ocidente capitalista. A pesquisa utiliza-se do conceito de ideologia (Gramsci, 1978), articulando a noção de aparelho ideológico de Estado, para compreender a função social dos jornais — em específico o Correio da Manhã (RJ) — na sociedade de classes, e também de hegemonia (Gramsci, 1978; 2015), para entender as disputas em torno do Estado por parte dos setores sociais não-dominantes. A pesquisa estrutura-se de forma a discutir as particularidades da fonte, tal como os três momentos-chave do conflito estudado: os antecedentes, a guerra e o processo de armistícios. Desta forma, a pesquisa se insere na perspectiva teórica da Nova História Política, segundo a compreensão de Rémond (2003), utilizando como aporte teórico-metodológico as obras de Figueiredo (1998), Said (2007), Barros (2023) e Ribeiro (2000; 2003).