O estudo possibilita uma reflexão sobre as fundamentações normativas da Igreja Católica e do Estado Nacional Brasileiro em disputa pela normatização do corpo social teresinense, no que se refere aos eventos vitais na segunda metate do século XIX e no início do século XX. Trata-se de um período considerado de transição, caracterizado por diversas transformações, especialmente em decorrência do processo de laicização do Estado, que transferiu a incumbência do registro dos eventos vitais do domínio religioso para o civil. O procedimento de investigação tem como base à análise de fontes primárias, como os registros paroquiais e civis de nascimento/batismo, casamento e óbito, localizados, em sua maioria, no site FamilySearch, bem como em arquivos do NUPEM e do Arquivo Público do Estado do Piauí. De acordo com Maria Silvia Bassanezi, os registros paroquiais eram realizados pela Igreja Católica e possuíam uma finalidade que ultrapassava o aspecto religioso, constituindo-se também como um ato de natureza civil. Contaremos ainda com o auxílio de genealogias, biografias, memórias, obras literárias, censos demográficos e legislação. Além disso, serão mobilizadas referências bibliográficas como Phillipe Ariès (1996; 2012; 2014), Mary Del Priore (1997), Josette Magalhães Lordello (2002), João José Reis (2022), Maria Beatriz Nizza da Silva (1984), Pedro Vilarinho Castelo Branco (2005), Miridan Falci (1991) e Talyta Marjorie Lira Sousa (2012), entre outros. Dessa forma, torna-se possível compreender a sociedade teresinense a partir dos atos de nascer/batizar, casar e morrer, uma vez que tais eventos, como se poderá observar, envolviam dimensões religiosas, civis e sociais relevantes. Esses marcos acompanhavam a trajetória do indivíduo desde sua introdução na comunidade cristã, no seio familiar e social, até o final de sua existência, incluindo nesse percurso a criação e o fortalecimento de laços afetivos e sociais.