A presente Tese analisa o cenário musical picoense, composto da produção e consumo musical na cidade de
Picos – PI, e por meio desse cenário plural, as diversas formas de sociabilidades que eram nutridas entre as
décadas de 1960 a 1980 na cidade de Picos-PI, em meio as ressonâncias entre o local e o nacional no interior do
Piauí. Através de construção social dos indivíduos que faziam parte daquela sociedade pouco urbanizada, tanto
urbana, quanto cultural, diante de tal pluralidade que se manifestava em diferentes espaços, fossem eles físicos
ou subjetivos. Analisa como os diferentes estilos musicais foram se inserindo na cidade de Picos, tanto aqueles
que vinham de fora, penetrando as casas dos picoenses fosse pelas ondas dos rádios, pelas notícias nos jornais,
de artistas internacionais e nacionais, como é o caso da Jovem Guarda, gênero muito comum e consumido ao
longo da década de 1960, os artistas que se destacaram em outros espaços como apresentadores no rádio, jornal
e tv, e um possível incentivo ao desenvolvimento artístico na cidade. Toda essa análise parte de meios de
divulgação existentes na época, fosse através do rádio, através da Rádio Difusora de Picos, os jornais de livre
circulação na cidade de Picos, como O Jornal Macambira, e da cidade de Teresina, o Jornal O Dia, bandas Os
Leões e Os Rebeldes, artistas ligados ao repente e a viola, destacando também os espaços de sociabilidade onde
aconteciam shows e apresentações desses artistas, como a Praça Felix Pacheco, o Picoense clube, Cine Spark, a
AABB pelos quais circulavam também apresentações musicais. Fazemos utilização de Fontes imagéticas, como
fotografias dos espaços da cidade, vivências dos jovens e fontes orais, entrevistas realizadas com sujeitos que
contribuíram com a cena musical da cidade de Picos entre as décadas de 1960 a 1980. Com base em um aporte
teórico e categorias de análises que partem desde a história e música com Marcos Napolitano (2002) (2014),
história e cidades com Raquel Rolnik (2004) e Sandra Pesavento (2007) e história cultural, autores que nos
direcionam sobre o uso de nossas fontes, como Ana Maria Maud (2008), Lia Calabre Azevedo (2002) com
estudos sobre o rádio, a também estudos sobre a historiografia piauiense como Elisangela Cardoso (2010), Pedro
Pio Fontineles, (2019), Raimundo Nonato Lima dos Santos (2024) e picoense, Karla Ingrid de Oliveiro (2014) e
Mara Carvalho (2015), que nos ajudam a contextualizar melhor o ambiente local e histórico estudado. Desta
forma, defende-se que a produção e o consumo musical em Picos, entre as décadas de 1960 e 1980, estruturaram-
se a partir da circulação de estilos musicais, da atuação de artistas e bandas nacionais e locais, dos espaços de
sociabilidade e dos mecanismos de incentivo cultural, fatores que contribuíram para a formação de uma dinâmica
cultural significativa na cidade.