A presente dissertação analisa o litígio territorial entre as províncias do Piauí e do Ceará a partir dos debates registrados nos Anais do Senado Federal, que culminaram na promulgação do Decreto Imperial nº 3.012, de 22 de outubro de 1880. A legislação, ao arbitrar a disputa na zona litorânea, formalizou um novo impasse de limites na região da Serra da Ibiapaba. Diante desse cenário, o objetivo geral do trabalho é compreender como essa controvérsia foi discutida e equacionada pelos senadores imperiais, pondo em relevo as proposições da Comissão de Estatística do Senado e os interesses políticos e regionais que orientaram o texto final. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se na análise documental dos Anais do Senado Federal (1877–1880) e da legislação expedida, articulada a um referencial teórico que mobiliza a geografia política de Claude Raffestin, a historiografia das terras no Brasil oitocentista — com destaque para os estudos de Márcia Motta — e as reflexões sobre as invenções regionais de Durval Muniz de Albuquerque Jr. Os resultados indicam que o Decreto nº 3.012/1880 representou não apenas um ato administrativo de delimitação geográfica, mas um arranjo político balizado por negociações entre as elites provinciais e o projeto de centralização do Estado Imperial. Conclui-se que o exame das discussões senatoriais ilumina a complexa dinâmica das relações de poder, os interesses regionais em disputa e o papel da diplomacia parlamentar na mediação dos conflitos territoriais no Império.