A presente pesquisa objetiva analisar os protestos que ficaram conhecidos como #Contraoaumento, que aconteceram em Teresina nos anos de 2011 e 2012. Historicamente, manifestações de rua foram elencadas na História como ápice de acontecimentos outros, não guardando na sua feitura uma importância maior. Porém, no início do século XXI, um novo ciclo de lutas globais chamaram a atenção ao propor novas formas de organizações e ações populares, estabelecendo distintos contrapoderes; movimentos que foram da África à Europa, e da Ásia à América do Norte; derrubaram governos e contestaram seus regimes de vida, estabelecendo verdadeiras redes globais de contestação social. Em Teresina, capital do Piauí, milhares de jovens marcharam pelas ruas depois que a prefeitura municipal anunciou o aumento da tarifa de ônibus, causando um intenso sentimento de indignação na sua população local. Usando o espaço virtual da novas mídias de comunicação social, esses jovens não só organizaram-se num novo espaço, mas também empreenderam suas próprias narrativas a respeito dos protestos, conseguindo estabelecer uma disputa de discursos com o establishment da mídia local. Partimos, portanto, de um duplo movimento analítico, primeiramente buscamos analisar o contexto urbano da cidade e de seu sistema de transportes coletivos, uma vez que o aumento da tarifa foi o motivo principal dos protestos. E em segundo buscamos analisar a própria feitura do #Contraoaumento enquanto acontecimento político social e cultural de uma sociedade que se professa cada vez mais global, discutindo as principais ações, tensões e estratégias utilizadas pelos manifestantes. Nesse caminho dialogamos com variadas áreas de conhecimento, elencando as discussões de Manuel Castells (2016; 2017), Antonio Negri e Michael Hardt (2014; 2015), sobre a sociedade pós-fordista, e de Otília Beatriz Fiori Arantes (2013), Antonia Jesuíta de Lima (1996), Ermínia Maricato (2013), sobre consumo e produção do espaço urbano, e Alessandro Portelli (2006), sobre a metodologia da História oral, como de suma importância na constituição da problemática. Além da discussão bibliográfica, elencamos uma série de fontes como documentos oficiais, banco de dados particulares, jornais impressos e eletrônicos, imagens, entrevistas de história oral, além das redes sociais como o Twitter e Facebook.