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Discentes do PPGCP/UFPI têm trabalhos aprovados em eventos nacionais e reforçam agenda de pesquisa articulada por parcerias institucionais

O Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí — PPGCP/UFPI — teve trabalhos aprovados em dois importantes espaços de circulação acadêmica: o III Simpósio Amazônico de Ciências Sociais, promovido pelo PPGSA/UFPA, e o 8º Seminário de Graduação e Pós-Graduação da Associação Brasileira de Relações Internacionais — ABRI.


A notícia, é preciso dizer, não se resume a uma lista de aprovações. Há algo mais substantivo em jogo. Os trabalhos revelam uma agenda de pesquisa em expansão, com temas que atravessam política, orçamento público, desinformação, transição energética, governança global, colonialismo de dados e violência de gênero digital. São objetos distintos, mas que apontam para uma mesma direção: a consolidação de uma formação acadêmica atenta aos problemas públicos contemporâneos.


No caso do III Simpósio Amazônico de Ciências Sociais, a participação do Prof. Dr. Raimundo Batista dos Santos Junior merece destaque. Além de assinar, ao lado de Pedro Henrique Soares da Silva, o trabalho “Vento e sol para quem? Neoextrativismo energético, enclaves territoriais e justiça energética no Semiárido Piauiense”, o professor aparece como uma das referências intelectuais de uma agenda que vem aproximando pesquisa empírica, debate público e formação discente. Parte das publicações advém da coordenação do professor em projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi).


Esse ponto importa. Nem sempre uma aprovação em evento acadêmico nasce apenas do esforço individual de quem escreve. Muitas vezes, há por trás uma rede de orientação, pesquisa, grupo, financiamento, reuniões, leituras, reformulações e, claro, aquele trabalho miúdo que quase nunca aparece no resultado final. Nesse caso, parte significativa dos textos apresentados ao evento na Amazônia resulta de parcerias acadêmicas e de apoio institucional, especialmente por meio da Fapepi e da CAPES.


No simpósio, foram aprovados trabalhos como “A dimensão subnacional da transição energética justa: uma revisão normativa das diretrizes estaduais piauienses no cenário brasileiro”, de Maria Clara Gusmão; “O Poder Legislativo e o Orçamento Federal: uma radiografia das transferências especiais (2020–2024)”, de Gyrlene Leite de Araújo; “Além do peso igualitário: uma metodologia de mensuração ponderada de promessas eleitorais para o contexto brasileiro”, de Walney Francisco Moreira de Sousa Junior; e “Desinformação, radicalização política e resposta institucional no Brasil contemporâneo”, de Sara Sousa Américo de Oliveira e Regina Lúcia Rocha Santos.


A variedade dos temas chama atenção. Há trabalhos voltados à questão ambiental e energética, outros ao funcionamento das instituições políticas, outros ainda à circulação de informações e à resposta institucional diante da radicalização política. Não se trata, portanto, de uma produção dispersa. Trata-se de uma produção que vem sendo construída no encontro entre ciência política, ciências sociais e análise de problemas concretos.


A presença do PPGCP/UFPI também se estende ao 8º Seminário de Graduação e Pós-Graduação da ABRI, evento da área de Relações Internacionais. Nesse espaço, foram aprovados trabalhos como “Governança Global Digital e o Colonialismo de Dados no Sul Global: uma análise da atuação da União Internacional de Telecomunicações da ONU”, de João Alexandrino da Silva Neto; “Protocolos transfronteiriços para a violência de gênero digital: cooperação internacional e os deepfakes pornográficos”, de Maria Clara Gusmão e Giovanna Laís Duarte Viana; e “Pesquisa no IPRI-FUNAG: os fundamentos e argumentos do Brasil na defesa pela reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas”, de Giovanna Laís Duarte Viana.


Também nesse segundo evento, o apoio institucional da Fapepi e da CAPES aparece como elemento importante para compreender a continuidade das pesquisas. O financiamento, nesse sentido, não deve ser lido apenas como suporte operacional. Ele cria condições para que estudantes pesquisem, escrevam, submetam trabalhos, participem de redes acadêmicas e coloquem a produção desenvolvida no Piauí em diálogo com outras instituições do país.


A aprovação desses trabalhos indica, portanto, um movimento relevante do PPGCP/UFPI: formar pesquisadoras e pesquisadores capazes de circular em diferentes áreas, sem perder o vínculo com problemas situados. O Piauí aparece como território de pesquisa, mas não como limite. A partir dele, os trabalhos alcançam debates nacionais e internacionais sobre Estado, democracia, orçamento, energia, tecnologia, gênero e governança.


No fim, talvez seja isso que uma pós-graduação pública precisa fazer: formar gente que pesquisa com rigor, que escreve com método, que dialoga com o seu tempo e que entende que a universidade só se fortalece quando transforma orientação, financiamento e trabalho coletivo em produção acadêmica qualificada.


Cadastrada em: 25/06/2026
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