A pulpotomia é uma cirurgia pulpar conservadora indicada para tratar dentes com pulpite reversível. O procedimento consiste na amputação total da polpa coronária inflamada com a intenção de preservar a vitalidade do tecido pulpar radicular, mediada pela aplicação de um agente terapêutico previamente a restauração coronária. Contudo, os agentes terapêuticos tradicionais aplicados à pulpotomia enfrentam limitações como toxicidade, falhas na manutenção da vitalidade, longo tempo de presa e incapacidade dentinogênica, descoloração da dentina, elevado custo. No contexto de fitoterapia aplicada à endodontia conservadora, o uso da manteiga das sementes de Platonia insignis Mart. (MB) foi testado a fim de avaliar a resposta pulpar frente ao contato direto com MB pura ou associada a outros agentes atualmente utilizados no procedimento de pulpotomia, e deste modo, a capacidade de manutenção da vitalidade tecidual e indução da cicatrização do tecido pulpar remanescente foi investigada. O estudo experimental in vivo realizado mediante a aprovação do Comite de Ética Animal da UFPI com registro nº 800/2023, envolveu 34 ratos Wistar, os quais foram submetidos ao procedimento de pulpotomia nos primeiros molares superiores, divididos em 4 grupos de agentes terapêuticos diferentes: G1: TheraCal PT; G2: TheraCal PT® + MB; G3: Óxido de Zinco + Eugenol (OZE); G4: Óxido de Zinco + MB. A avaliação radiográfica aos 30 dias revelou que os maiores índices de sucesso ocorreram nos grupos que incluía a MB no procedimento: G2 (91,7%) e G4 (87,5%), seguidos por G1 (79,2%) e G3 (66,7%), que teve o pior desempenho. Na análise histologica, no período de 48 horas após o procedimento, G1, G2 e G4 apresentaram infiltrado inflamatório leve em 75% das amostras, enquanto o G3 (OZE) apresentou inflamação moderada em 62,5%. Aos 30 dias, G1, G2 e G4 mantiveram a predominância de inflamação leve em 50% dos casos. Os grupos formulados com a manteiga de P. insignis (G2 e G4) obtiveram as menores médias de inflamação tecidual (postos médios de 10,38 e 12,75, respectivamente). Quanto à organização tecidual aos 30 dias, G1, G2 e G4 foram estatisticamente equivalentes no reparo da polpa. Na indução de tecido mineralizado (ponte de dentina), G1 e G2 promoveram mineralização em 62,5% das amostras, G4 em 37,5%, enquanto o G3 foi incapaz de induzir ponte de dentina em 100% dos casos. Em conclusão, a associação da manteiga das sementes de Platonia Insignis Mart. aos materiais testados demonstrou potencial para favorecer o desempenho do procedimento de pulpotomia, ao contribuir com controle da resposta inflamatória pós procedimento, o que concomitantemente favoreceu a manutenção da vitalidade pulpar e a indução de sinais de cicatrização. Portanto, a manteiga das sementes de Platonia Insignis Mart mostrou-se como um possível agente com propriedades anti-inflamatórias e boa tolerância a aplicação direta sobre o tecido pulpar no procedimento de pulpotomia.