O polipropileno (PP) é amplamente utilizado em aplicações industriais devido às suas propriedades mecânicas, elétricas e ao baixo custo, porém o reprocessamento e a exposição a agentes de envelhecimento podem comprometer seu desempenho. Neste trabalho, avaliou-se a influência da incorporação de grafite e do número de reprocessamentos nas propriedades mecânicas, elétricas e superficiais de filmes de polipropileno, bem como a estabilidade desses materiais frente ao envelhecimento por descarga corona. Foram produzidos filmes de PP puro e compósitos contendo 2,5% e 5,0% de grafite, submetidos a um (1x) e dez (10x) ciclos de reprocessamentos. As amostras foram caracterizadas por ensaios mecânicos de tração, medições de ângulo de contato, análise da condutividade elétrica pelo método de quatro pontas e avaliação do envelhecimento por descarga corona em diferentes tempos de exposição. Os resultados indicaram que a adição de grafite, especialmente no teor de 2,5%, promoveu melhoria do desempenho mecânico e atuou como mitigador parcial dos efeitos do reprocessamento. Observou-se que a descarga corona foi o principal agente responsável pelas modificações superficiais, promovendo redução do ângulo de contato e aumento da hidrofilicidade dos filmes. As análises elétricas demonstraram que, nas concentrações estudadas, os compósitos permaneceram em regime dielétrico, não atingindo o limiar de percolação elétrica. De modo geral, verificou-se que o desempenho dos filmes é fortemente influenciado pela combinação entre teor de grafite, histórico de reprocessamento e tempo de exposição à descarga corona, destacando-se o compósito com 2,5% de grafite como a formulação mais equilibrada para aplicações em filmes poliméricos isolantes submetidos a campos elétricos intensos.