Esta dissertação analisa as relações entre território, memória, cultura e práticas comunitárias
no Polo Coroadinho, em São Luís (MA), a partir da experiência do Ecomuseu Sítio do Físico
e da Rede Coroado de Natal, compreendidas como expressões de protagonismo social e
produção de conhecimento em contextos periféricos. O estudo parte de uma abordagem
qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica, análise documental e interpretação das
dinâmicas socioterritoriais, com base em referenciais da museologia social, educação popular,
cartografia social e perspectivas decoloniais. A investigação evidencia que o território não se
restringe à sua dimensão física, configurando-se como espaço vivido, atravessado por disputas
simbólicas, processos históricos e práticas de resistência. Nesse contexto, as iniciativas
analisadas revelam-se como dispositivos de ressignificação territorial, capazes de transformar
narrativas marcadas pela violência em experiências de pertencimento, memória e cidadania.
As práticas culturais, pedagógicas e comunicativas desenvolvidas no Polo Coroadinho
demonstram que a coletividade, a solidariedade e a participação popular constituem elementos
centrais na construção de alternativas frente às desigualdades estruturais. Como
desdobramento da pesquisa, foi elaborado o Produto Técnico e Tecnológico (PTT) intitulado
Uma Rede Comunitária em Ação, voltado à sistematização e visibilização das práticas
comunitárias, com potencial de subsidiar ações educativas, culturais e políticas públicas. Os
resultados indicam que a articulação entre memória, território e ação coletiva possibilita a
emergência de novas formas de organização social, reafirmando a periferia como espaço de
potência, criação e reexistência. Conclui-se que a esperança compartilhada e a ação
comunitária constituem forças estruturantes na produção de futuros possíveis, evidenciando a
relevância de reconhecer e fortalecer iniciativas locais como estratégias efetivas de
transformação social.